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       São Paulo, 06/01/2009, 18:37          
 
 
3. OS SACERDOTES

Havia, no povo, um grupo especial de pessoas, destinadas quase profissionalmente a "ouvirem a voz de Deus". Eram os sacerdotes. A sua tarefa primeira era: anunciar a torah. Infelizmente, o judaísmo ulterior confundiu, com freqüência, torah e Lei escrita. Assim surgiu a impressão errônea de que tudo o que Deus quis manifestar já estava contido integramente na Lei. No início, não era assim: a palavra torah será sinônimo de Vontade de Deus.
Uma segunda tarefa, menos importante, dos sacerdotes era o culto religioso. Porém, quando o culto começou crescer em importância, assumindo o primeiro lugar, o anúncio da torah teve que sofrer. O sentido da liturgia é: ajudar o povo a celebrar o seu relacionamento com Deus e o relacionamento entre si. Por desgraça, quando a torah já não era mais conhecida, também não se tinha mais clareza sobre esse relacionamento. Sem a torah, sem a procura atenta da vontade de Deus, o ritual litúrgico começou a esvaziar-se, não passando de um invólucro vazio e de uma série de fórmulas sem sentido. Aí o povo chegou a imaginar que seria possível manter Deus favorável por meio de manipulações. Nesta hora, o culto religioso deixou de ser a expressão de um relacionamento vivo e real.
A perda da vocação sacerdotal conduziu a uma crise de identidade do povo hebraico:
"Pois, na realidade, o meu processo é contra ti, ó sacerdote. Tropeçarás de dia, e de noite tropeçará contigo também o profeta... Meu povo será destruído por falta de conhecimento. Por teres rejeitado o conhecimento, eu te rejeitarei do meu sacerdócio; por teres esquecido o ensinamento de teu Deus (= torah), eu também me esquecerei de teu filhos" (Os 4,4-6).
"Conhecer" (= yada) não se refere a um conhecimento teórico, mas ao conhecimento de uma pessoa, que pode chegar até o ponto de fundir duas vidas em uma só. No seu significado mais profundo, esta palavra é usada para celebrar a unidade total entre homem e mulher: "O homem, Adão, conheceu Eva, a mulher" (Gn 4,1). O problema, visto por Oséias, não era o conhecimento insuficiente do "catecismo", por parte do povo, mas o fato de o povo ter deixado de amar a Deus. "Suas obras não lhe permitem voltar para o seu Deus, pois um espírito de prostituição está dentro deles, e eles não conhecem o Senhor" (Os 5,4).
Esta mesma significação impregna as palavras de São Paulo, quando escreveu, anos depois de sua conversão: "Anseio pelo conhecimento de Cristo" (Fl 3,10). Não se queixa de não ter bastante tempo para prosseguir nos seus estudos cristológicos, mas anseia por uma intimidade mais profunda com o Senhor.

   
 

Este curso é promovido pela Família Franciscana do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de Petrópolis e sua realização acontece nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25 fascículos. Quem se interessar por esta coleção, deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail
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