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Existiam também comunidades proféticas, que
davam testemunho profético através de sua vida
comunitária e de um certo estilo de vida. Por
exemplo, os discípulos de Isaías separam-se
do povo para ouvir e interiorizar a palavra
profética. Queriam servir de "sinais e presságios
da parte do Senhor todo-poderoso" (Is 8,18).
Um outro tipo de comunidade profética foi formado
pelos nazireus, dos quais conhecemos ainda as
regras e os estatutos (Nm 6). Deviam abster-se
de vinho e de qualquer bebida alcoólica. Essa
renúncia visava relembrar ao povo a caminhada
pelo deserto, quando vivia como nômade, privando-se
do vinho e de muitas outras amenidades que uma
vida normal de camponeses sedentários oferecia.
Pois a boa vida afastava o povo da fidelidade
e da abertura para Deus. A segunda proibição:
"Enquanto durar o voto de nazireato, a navalha
não passará sobre a cabeça" (cf. Nm 6,5)
visava o mesmo fim: o povo devia recordar-se
do tempo em que vivia sob condições primitivas
no deserto. De fato, é possível deduzir o quanto
o povo se sentiu questionado pelo estilo de
vida e o modo de proceder dos nazireus, pois
tentou fazê-los calar (cf. Am 2,11s).
Outra comunidade profética nos é dada a conhecer
através de Jeremias (Jr 35). Os recabitas que
não somente renunciavam ao vinho, mas viviam
como verdadeiros nômades: "Nunca bebemos
vinho, nem nós, nem nossas mulheres, filhos
e filhas, não construímos casas para morar,
nem possuímos vinhas, campos ou sementeiras;
mas vivemos em tendas" (Jr 34,8). Foram
sinais vivos, recordativos, das origens do povo
de Israel, o êxodo do Egito e a caminhada pelo
deserto. O povo de Israel, comparado à esposa
de Javé pelo profeta Oséias, recordava constantemente,
com uma certa saudade, aquele tempo ideal:
"Por isso, eu mesmo a seduzirei, conduzirei
ao deserto e lhe falarei ao coração... Lá ela
responderá como nos dias da juventude, como
no dia em que subiu do Egito" (Os 2,16-17).
É o mesmo testemunho que ainda podemos ouvir
no Novo Testamento:
"Mas tenho contra ti que deixaste o primeiro
amor. Considera de onde caíste, arrepende-te
e pratica as primeiras obras" (Ap 2,4-5).
O testemunho profético não exigia dos outros
que imitassem o estilo de vida da comunidade
profética. Porém, a sua forma de vida devia
servir de desafio, estimulando o povo a uma
maior doação e à reordenação das suas prioridades.
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