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Vimos que os profetas, assim como as comunidades
proféticas, procuravam fazer valer de novo,
nas suas vidas e pela pregação, a torah, quer
dizer, a vontade de Deus. Essa vontade de Deus,
porém, não pode ser cumprida, enquanto os ricos
exploram os pobres. Por isso, os profetas questionaram
não somente elementos do culto judaico, mas
até o próprio culto. "O povo celebrava assim
o seu estilo de vida, menosprezando a vontade
de Deus, que se colocava de modo inequívoco
do lado dos pobres" (B. Flammer).
"Procurai-me e viverei! Mas não procureis
Betel, não entreis em Guilgal", profetizou
Amós (Am 15,4-5). Portanto, o que conta não
é uma piedade desligada da responsabilidade
social, nem é um culto religioso que serve unicamente
à auto-afirmação do povo, nem são os lugares
sagrados onde os pobres não tem vez.
"Procurar por Javé, o advogado dos pobres,
é a mesma coisa que fazer justiça ou superar
o prejuízo causado aos pobres e fracos. Um verdadeiro
culto a Deus cria justiça social. No meio das
celebrações do povo, quando a música inundava
tudo e os coros enchiam o ambiente com seu júbilo,
quando a gordura dos animais imolados em sacrifício
escorria pelas ruas da cidade, o profeta Amós
reagiu: 'Que o direito corra como a água e a
justiça como rio caudaloso' (Am 5,24)"
(B. Flammer).
Em toda a literatura profética do Antigo Testamento,
reencontram-se sempre os mesmos temas fundamentais:
o verdadeiro culto a Deus manifesta-se no serviço
aos pobres, no senso comum (= hesed) e no engajamento
em uma verdadeira justiça entre os homens.
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