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Para caracterizar a relação íntima existente
entre Jesus e os seus discípulos, São Paulo
utiliza a palavra koinonía. Esta palavra
foi traduzida muitas vezes por "comunidade"
ou "comunhão". Na Septuaginta, a tradução grega
do Antigo Testamento, a palavra koinonía
é utilizada unicamente para indicar pessoas
que colaboram numa mesma obra ou numa mesma
ação. Paulo, porém, emprega esta expressão ao
falar da comunidade, onde o Filho de Deus entrou
para transformá-la numa koinonía. As
relações dentro de um tal grupo, são tão estreitas
e densas que se dizia: somos uma koinonía
no Espírito:
"O que vimos e ouvimos, nós também vos anunciamos,
a fim de que também vós vivais em comunhão (koinonía)
conosco. Ora, nossa comunhão (koinonía) é com
o Pai e seu Filho, Jesus Cristo" (1Jo 1,3).
A realidade fundamental da Igreja é: ser comunidade,
povo, koinonía, Corpo de Cristo. A Palavra
de Deus nos convida a isso. Foi essa a finalidade
pela qual Jesus veio ao mundo. A Igreja não
tem outro sentido. Paulo teria ficado consternado
se lhe fosse dado ouvir religiosos modernos
falarem: "Vamos formar uma comunidade!"
Se fossem capazes de fazer isso sem o Senhor,
então a vinda de Jesus teria sido supérflua.
Porém, somente Ele é capaz de formar comunidades,
reconciliando judeus e pagãos.
"Pois, é Ele a nossa paz. Ele, que de dois
fez um só povo, derrubando o muro de separação,
a inimizade, em sua própria carne; anulando
a Lei dos mandamentos expressa em decretos,
para fazer em si mesmo, dos dois, um só homem
novo, estabelecendo a paz e reconciliando ambos
com Deus num só corpo pela cruz; e matando em
si mesmo inimizade" (Ef 2,14-16).
Compete a nós celebrar isto e realizar na vida
aquele projeto que o Cristo nos trouxe. São
Lucas o entendia assim:
"Freqüentavam com assiduidade a doutrina
dos apóstolos, as reuniões em comum, o partir
do pão e as orações" (At 2,42).
Esta descrição constitui o modelo fundamental
para todas as comunidades eclesiais, nos primeiros
dois séculos. Viviam como Igreja clandestina.
Era perigoso ser cristão. Ajudavam-se mutuamente
e viviam segundo o Evangelho. Os quatro evangelhos
surgiam para ajudar as comunidades a viverem
como koinonía, como Corpo de Cristo.
Foram escritos pela comunidade e para a comunidade,
para darem respostas às suas próprias perguntas.
Como os homens do Antigo Testamento, também
os cristãos responderam ao chamado de Deus.
Queriam estar atentos à voz de Deus, vivendo
em íntima união com Ele, transmitindo, por uma
ação sacerdotal, uma imagem fiel d'Ele estando
imersos na santidade divina. Naquela época não
havia necessidade de comunidades proféticas,
pois a Igreja, ela mesma, era a única comunidade
profética.
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