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       São Paulo, 06/01/2009, 20:00          
 
 
5.2 A IGREJA

Para caracterizar a relação íntima existente entre Jesus e os seus discípulos, São Paulo utiliza a palavra koinonía. Esta palavra foi traduzida muitas vezes por "comunidade" ou "comunhão". Na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, a palavra koinonía é utilizada unicamente para indicar pessoas que colaboram numa mesma obra ou numa mesma ação. Paulo, porém, emprega esta expressão ao falar da comunidade, onde o Filho de Deus entrou para transformá-la numa koinonía. As relações dentro de um tal grupo, são tão estreitas e densas que se dizia: somos uma koinonía no Espírito:
"O que vimos e ouvimos, nós também vos anunciamos, a fim de que também vós vivais em comunhão (koinonía) conosco. Ora, nossa comunhão (koinonía) é com o Pai e seu Filho, Jesus Cristo" (1Jo 1,3).
A realidade fundamental da Igreja é: ser comunidade, povo, koinonía, Corpo de Cristo. A Palavra de Deus nos convida a isso. Foi essa a finalidade pela qual Jesus veio ao mundo. A Igreja não tem outro sentido. Paulo teria ficado consternado se lhe fosse dado ouvir religiosos modernos falarem: "Vamos formar uma comunidade!" Se fossem capazes de fazer isso sem o Senhor, então a vinda de Jesus teria sido supérflua. Porém, somente Ele é capaz de formar comunidades, reconciliando judeus e pagãos.
"Pois, é Ele a nossa paz. Ele, que de dois fez um só povo, derrubando o muro de separação, a inimizade, em sua própria carne; anulando a Lei dos mandamentos expressa em decretos, para fazer em si mesmo, dos dois, um só homem novo, estabelecendo a paz e reconciliando ambos com Deus num só corpo pela cruz; e matando em si mesmo inimizade" (Ef 2,14-16).
Compete a nós celebrar isto e realizar na vida aquele projeto que o Cristo nos trouxe. São Lucas o entendia assim:
"Freqüentavam com assiduidade a doutrina dos apóstolos, as reuniões em comum, o partir do pão e as orações" (At 2,42).
Esta descrição constitui o modelo fundamental para todas as comunidades eclesiais, nos primeiros dois séculos. Viviam como Igreja clandestina. Era perigoso ser cristão. Ajudavam-se mutuamente e viviam segundo o Evangelho. Os quatro evangelhos surgiam para ajudar as comunidades a viverem como koinonía, como Corpo de Cristo. Foram escritos pela comunidade e para a comunidade, para darem respostas às suas próprias perguntas.
Como os homens do Antigo Testamento, também os cristãos responderam ao chamado de Deus. Queriam estar atentos à voz de Deus, vivendo em íntima união com Ele, transmitindo, por uma ação sacerdotal, uma imagem fiel d'Ele estando imersos na santidade divina. Naquela época não havia necessidade de comunidades proféticas, pois a Igreja, ela mesma, era a única comunidade profética.

   
 

Este curso é promovido pela Família Franciscana do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de Petrópolis e sua realização acontece nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25 fascículos. Quem se interessar por esta coleção, deve procurar
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