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7.2
O ELEMENTO PROFÉTICO EM CLARA DE ASSIS
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No mosteiro de São Damião, Clara
e suas companheiras realizaram, a seu modo,
a vida conforme o Evangelho. Numa sociedade
que avaliava as pessoas de acordo com suas posses
ou sua ascendência na escala social, a
comunidade de São Damião não
reconhecia esse tipo de diferenças. Com
razão, poderia ser chamada de o germe
inicial de uma igreja fraterna.
Livre de qualquer coação social
ou tradicional, exercida por estilo de vida
que - naquela época - marcaram a sociedade
ou a vida conventual, a comunidade fraterna
de São Damião concedeu a cada
um de seus membros a mesma dignidade. Simultaneamente,
exigia de cada irmã o delicado respeito
mútuo para com todas as suas companheiras.
Assim, este grupo de mulheres possibilitou o
surgimento de um novo modo de relacionamento
interpessoal. O sinal característico
e distintivo dessa nova relação
foi o simples tratamento por "irmã";
Era uma palavra nova no vocabulário conventual
do século XIII. Tanto para Clara como
para Francisco, o elemento fraterno era fundamental.
Assim as Irmãs de São Damião
se incorporaram num grupo de mulheres que procurava
um novo lugar na realidade social e eclesial.
Um novo sinal distintivo da comunidade fundada
por Clara é sua relação
com qualquer propriedade. Pediu ao Papa o privilégio
da pobreza absoluta. Era costume que os mosteiros
solicitassem dos pontífices privilégios
que, via de regra, visavam o direito de manter
ou aumentar suas posses ou seus poderes. Clara,
pelo contrário, pediu ao Papa que sua
comunidade tivesse o direito de viver sem qualquer
tipo de posse, apresentando, com isto, um sinal
profético. Depois, porém, teve
que lutar contra vários Papas quase até
i fim de sua vida até alcançar
o direito de viver esse privilégio.
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