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       São Paulo, 17/05/2012, 04:40          
 
 
IV. EXERCÍCIOS

Exercício 1
Na sua carta Quia Maior, de 19 a 29 de abril de 1213, o Papa Inocêncio III convoca "em nome de Deus e de Jesus Cristo" todas as províncias da Cristandade latino do seu tempo a participarem da Cruzada.

Quem participa da Cruzada recebe a promessa: "Ele (Jesus) proclama com sua voz dizendo: 'Se alguém me quiser seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga' (Mt 16,24), ou para dizê-lo mais claramente: 'Se alguém quiser seguir-me até a coroa, que me siga também na luta, oferecida a todos como provação".
Quem me recusa, recebe a ameaça: "O rei dos reis, o Senhor Jesus Cristo, os julgará pelo vício da ingratidão e pelo crime da infidelidade, caso deixem de acorrer para lhe prestar ajudar, uma vez que - assim como é o caso - ele foi expulso do seu reino que havia adquirido pelo preço do seu sangue. Portanto, saibam que todo aquele que nesta hora de perigo recusar o serviço ao seu Redentor, acumula uma culpa pesada e será culpado severamente".

Tarefas e perguntas:
1. Leia e compare as diferenças de interpretação de Mt 16,24 feita pelo Papa Inocêncio III e por Francisco na Regra Não-Bulada 1,3.
2. Depois de estudar a presente Lição, como você enxerga a relação entre Paz e Missão?

Exercício 2
Leia a narrativa sobre a "perfeita alegria":

"Vindo uma vez São Francisco de Perusa para Santa Maria do Anjos com Frei Leão em tempo de inverno, e como o grandíssimo frio fortemente o atormentasse, chamou Frei Leão, o qual ia mais à frente, e disse assim: "Irmão Leão, ainda que o frade menor desse na terra inteira grande exemplo de santidade e de boa edificação, escreve todavia, e nota diligentemente que nisso não está a perfeita alegria".
E andando um pouco mais, chama pela segunda vez: "Ó irmão Leão, ainda que o frade menor desse vista aos cegos, curasse os paralíticos, expulsasse os demônios, fizesse surdos ouvirem e andarem coxos, falarem mudos, e mais ainda, ressuscitasse mortos de quatro dias, escreve que nisso não está a perfeita alegria".
E andando um pouco, São Francisco gritou com força: "Ó irmão Leão, se o frade menor soubesse todas as línguas e todas as ciências e todas as escrituras e se soubesse profetizar e revelar não só as coisas futuras, mas até mesmo os segredos das consciências e dos espíritos, escreve que não está nisso a perfeita alegria".
Andando um pouco além, São Francisco chama ainda com força: "Ó irmão Leão, ovelhinha de Deus, ainda que o frade menor falasse com língua de anjo e soubesse o curso das estrelas e as virtudes das ervas; e lhe fossem revelados todos os tesouros da terra e conhecesse as virtudes dos pássaros e dos peixes e de todos os animais e dos homens e das árvores e das pedras e das raízes e das águas, escreve que não está nisso a perfeita alegria".
E caminhando um pouco, São Francisco chamou em alta voz: "Ó irmão Leão, ainda que o frade menor soubesse pregar tão bem que convertesse todos os infiéis à fé cristã, escreve que não está nisso a perfeita alegria".
E durando este modo de falar pelo espaço de duas milhas, Frei Leão, com grande admiração, perguntou-lhe e disse: "Pai, peço-te, da parte de Deus, que me digas onde está a perfeita alegria".
E são Francisco assim lhe respondeu: "Quando chegarmos a Santa Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento, e o porteiro chegar irritado e disser: "Quem são vocês?"; e nós dissermos: "Somos dois dos vossos irmãos", e ele disser: "Não dizem a verdade; são dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora daqui"; e não nos abrir e deixar-nos estar ao tempo, à neve e à chuva com frio e com fome até à noite: então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente, sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele e pensarmos humildemente e caritativamente que o porteiro verdadeiramente nos tinha reconhecido e que Deus o fez falar contra nós: ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria.
E se perseverarmos a bater, e ele sair furioso e como a importunos malandros nos expulsar com vilanias e bofetadas dizendo: 'Fora daqui, ladrõezinhos vis, vão para o hospital, porque aqui ninguém lhes dará comida nem cama'; se suportarmos isso pacientemente e com alegria e de bom coração, ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria.
E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite, batermos mais e chamarmos e pedirmos pelo amor de Deus com muitas lágrimas que nos abra a porta e nos deixe entrar, e se ele mais escandalizado disser: 'Vagabundos importunos, pagar-lhes-ei como merecem': e sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó: se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devermos suportar por seu amor; ó irmão Leão, escreve que aí e nisso está a perfeita alegria, e ouve pois, a conclusão, irmão Leão.
Acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, está o de vencer-se a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos, porque de todos os outros dons de Deus não nos podemos gloriar por não serem nossos, mas de Deus, do que diz o Apóstolo: 'Que tens tu que não o hajas recebido de Deus? E se dele o recebeste, por que te gloriares como se o tivesse de ti?'
Mas nas cruz da tribulação de cada aflição nós nos podemos gloriar, porque isso é nosso e assim diz o Apóstolo: 'Que tens tu que o não hajas recebido de Deus? E se dele o recebeste, por que te gloriares como se o tivesses de ti? 'Mas na cruz da tribulação de cada aflição nós nos podemos gloriar, porque isso é nosso e assim diz o Apóstolo: 'Não quero gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo". Ao qual sejam dadas honra e glória in secula saeculorum. Amém"
(I Fioreti, 8).

Pergunta:
O que tem a ver a narrativa sobre a perfeita alegria com o método missionário de Francisco?

Exercício 3
Complete o que foi dito no Exercício anterior, com a leitura da Carta ao governantes dos povos e o início da Carta aos fiéis (segunda recensão):

1. Carta aos governantes dos povos

"A todos os podestás, cônsules, juízes e regentes do mundo inteiro, e a todos quantos receberem esta carta, Frei Francisco, mísero e pequenino servo do Senhor, deseja saúde e paz. Considerai e vede que 'se aproxima o dia da morte' (Gn 47,29). Peço-vos, pois, com todo respeito de que sou capaz que, no meio dos cuidados e solicitudes que tendes neste século, não esqueçais o Senhor nem vos afasteis dos seus mandamentos. Pois todos aqueles que o deixam cair no esquecimento e 'se afastam dos seus mandamentos' são amaldiçoados (cf. Sl 118,21) e serão por Ele 'entregues ao esquecimento' (Ez 33,13). E quando chegar o dia da morte, 'tudo o que entendiam possuir ser-lhes-á tirado' (cf. Lc 8,18). E quanto mais sábios e poderosos houverem sido neste mundo, tanto maiores 'tormentos padecerão no inferno' (cf. Sb 6,7).
Por isso aconselho-vos encarecidamente, meu senhores, que deixeis de lado todos os cuidados e solicitudes e recebais com amor o santíssimo corpo e o santíssimo sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, por ocasião de sua santa memória.
Diante do povo que vos foi confiado, prestai ao Senhor este testemunho público de veneração: todas as tardes mandai proclamar um pregoeiro, ou anunciai por algum sinal, que todo o povo deverá render graças e louvores ao Senhor Deus todo-poderoso. E se não o fizerdes, sabei que haveis de dar conta perante vosso senhor Jesus Cristo no dia do juízo (cf. Mt 12,36).
Os que levarem consigo este escrito e o observarem, saibam que serão abençoados por Deus nosso Senhor
(CtGov).

2. Carta aos fiéis (segunda recensão)

"Em nome do Senhor: do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
A todos os cristãos que vivem religiosamente, clérigos e leigos, homens e mulheres, a todos os que habitam no mundo universo, Frei Francisco, de todos servos e vassalo, saúda com reverente dedicação e deseja a verdadeira paz do céu e sincera caridade no Senhor.
Sendo servo de todos, a todos devo servir as odoríferas palavras do meu Senhor. Por isso, considerando que não posso visitar cada um em particular, por causa da enfermidade e debilidade do meu corpo, fiz o propósito de comunicar-vos por meio das presentes letras e de mensageiros as palavras de nosso senhor Jesus Cristo, que é a Palavra do Pai, bem como as palavras do Espírito Santo, que 'são espírito e vida' (Jo 6,64)
" (2CtFi 1-3).

Pergunta:
Como Francisco consegue relacionar sua humildade com sua consciência de ter recebido uma missão?

Exercício 4

Compare o capítulo 16 da Regra Não-Bulada com o capítulo 12 da Regra Bulada:
Capítulo 16 da Regra Não-Bulada

Dos que quiserem ir para entre os sarracenos e outros infiéis

1. Diz o Senhor: "Eis que vos envio como ovelhas ao meio dos lobos;
2. sede pois prudente como serpentes e simples como pombas (Mt 10,16).
3. Se pois houver irmãos que quiserem ir para entre os sarracenos e outros infiéis, que vão com a licença de seu ministro e servo.
4. Se o ministro reconhecer que eles são idôneos para serem mandados, dê-lhes a licença e não a recuse;
5. pois terá que dar contas ao Senhor (cf. Lc 16,2), se nisso ou em outras coisas agir sem a devida discrição.
6. E os irmãos que partirem poderão proceder de duas maneiras espiritualmente com os infiéis:
7. O primeiro modo consiste em absterem-se de rixas e disputas, submetendo-se "a todos os homens por causa do Senhor" (1Pd 2,13) e confessando serem cristãos.
8. O outro modo é anunciarem a palavra de Deus quando o julgarem agradável ao Senhor:
9. que creiam no Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, Criador de todas as coisas; no Filho, Redentor e Salvador;
10. e se façam batizar e se tornem cristãos, porquanto "quem não nascer da água e do Espírito Santo não pode entrar no reino dos céus" (Jo 3,5).

Capítulo 12 da Regra Bulada

11. Estas e outras coisas agradáveis ao Senhor poderão dizer a estes e a outros;
12. pois diz o Senhor no Evangelho: "Todo aquele que me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai, que está nos céus" (Mt 10,32).
13. "Quem se envergonhar de mim e de minhas palavras, dele se envergonhará o Filho do homem quando vier em sua glória, na glória do Pai e dos santos anjos" (Lc 9,26).
14. E todos os irmãos - onde quer que estejam considerem que se entregaram ao Senhor Jesus Cristo e lhe deram direito sobre seus corpos. Por amor a ele, devem expor-se aos inimigos, visíveis e invisíveis; pois diz o Senhor:
15. "Quem perder a sua vida por causa de mim, salva-la-á" (Mc 8,35) para a vida eterna.
16. "Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus" (Mt 5,10).
17. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós" (Jo 15,20). 18. "Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra" (Mt 10,23).
19. "Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, insultarem e perseguirem e vos expulsarem e escarnecerem e injuriarem vosso nome como réprobo e falsamente disserem contra vós todo gênero de mal por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos naquele dia, 20 porque grande será a vossa recompensa nos céu" (Mt 5,11-12; Lc 6,22-23).
21. "A vós, meu amigos, advirto.
22. Não vos deixeis atemorizar por eles! Nem tenhais medo dos que matam o corpo, e nada mais podem fazer" (Mt 10,28). "Não vos perturbeis" (Mt 24,6), pois "por vossa paciência salvareis vossas almas" (Lc 21,19).
23. "O que perseverar até o fim, esse será salvo" (Mt 10,22).


Dos que querem ir para entre os sarracenos e outros infiéis

1. Quaisquer dos irmãos que, por inspiração divina, quiserem ir para entre os sarracenos e outros infiéis, peçam, para isso licença a seus ministros provinciais.
2. Os ministros, porém, não dêem licença de partir senão aos que virem idôneos para serem mandados
3. Além disso, pela obediência imponho aos ministros a obrigação de pedir ao Senhor Papa um dos cardeais da santa Igreja Romana, que seja governador, protetor e corretor desta irmandade,
4. para que, sempre súditos e sujeitos aos pés da mesma santa Igreja, firmes na fé católica, guardemos a pobreza e a humildade e o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo como firmemente prometemos.

[A ninguém, pois, seja lícito infringir esta página de nossa confirmação, ou contrariá-la por temerária ousadia. Se, contudo, alguém o presumir fazer, saiba que incorre na indignação de Deus todo-poderoso e dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo. Dada em Latrão, aos 29 dias do mês de novembro, no oitavo ano do nosso Pontificado.]

Pergunta:
Quais são as concordâncias e quais as diferenças (omissões) que você consegue identificar ao comparar estes dois textos?

   
 

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