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Exercício 1
Na sua carta Quia Maior, de 19 a 29 de abril
de 1213, o Papa Inocêncio III convoca
"em nome de Deus e de Jesus Cristo"
todas as províncias da Cristandade latino
do seu tempo a participarem da Cruzada.
Quem participa da Cruzada recebe a promessa:
"Ele (Jesus) proclama com sua voz dizendo:
'Se alguém me quiser seguir, renuncie
a si mesmo, tome a sua cruz e me siga' (Mt 16,24),
ou para dizê-lo mais claramente: 'Se alguém
quiser seguir-me até a coroa, que me
siga também na luta, oferecida a todos
como provação".
Quem me recusa, recebe a ameaça: "O
rei dos reis, o Senhor Jesus Cristo, os julgará
pelo vício da ingratidão e pelo
crime da infidelidade, caso deixem de acorrer
para lhe prestar ajudar, uma vez que - assim
como é o caso - ele foi expulso do seu
reino que havia adquirido pelo preço
do seu sangue. Portanto, saibam que todo aquele
que nesta hora de perigo recusar o serviço
ao seu Redentor, acumula uma culpa pesada e
será culpado severamente".
Tarefas e perguntas:
1. Leia e compare as diferenças de interpretação
de Mt 16,24 feita pelo Papa Inocêncio
III e por Francisco na Regra Não-Bulada
1,3.
2. Depois de estudar a presente Lição,
como você enxerga a relação
entre Paz e Missão?
Exercício 2
Leia a narrativa sobre a "perfeita alegria":
"Vindo uma vez São Francisco de
Perusa para Santa Maria do Anjos com Frei Leão
em tempo de inverno, e como o grandíssimo
frio fortemente o atormentasse, chamou Frei
Leão, o qual ia mais à frente,
e disse assim: "Irmão Leão,
ainda que o frade menor desse na terra inteira
grande exemplo de santidade e de boa edificação,
escreve todavia, e nota diligentemente que nisso
não está a perfeita alegria".
E andando um pouco mais, chama pela segunda
vez: "Ó irmão Leão,
ainda que o frade menor desse vista aos cegos,
curasse os paralíticos, expulsasse os
demônios, fizesse surdos ouvirem e andarem
coxos, falarem mudos, e mais ainda, ressuscitasse
mortos de quatro dias, escreve que nisso não
está a perfeita alegria".
E andando um pouco, São Francisco gritou
com força: "Ó irmão
Leão, se o frade menor soubesse todas
as línguas e todas as ciências
e todas as escrituras e se soubesse profetizar
e revelar não só as coisas futuras,
mas até mesmo os segredos das consciências
e dos espíritos, escreve que não
está nisso a perfeita alegria".
Andando um pouco além, São Francisco
chama ainda com força: "Ó
irmão Leão, ovelhinha de Deus,
ainda que o frade menor falasse com língua
de anjo e soubesse o curso das estrelas e as
virtudes das ervas; e lhe fossem revelados todos
os tesouros da terra e conhecesse as virtudes
dos pássaros e dos peixes e de todos
os animais e dos homens e das árvores
e das pedras e das raízes e das águas,
escreve que não está nisso a perfeita
alegria".
E caminhando um pouco, São Francisco
chamou em alta voz: "Ó irmão
Leão, ainda que o frade menor soubesse
pregar tão bem que convertesse todos
os infiéis à fé cristã,
escreve que não está nisso a perfeita
alegria".
E durando este modo de falar pelo espaço
de duas milhas, Frei Leão, com grande
admiração, perguntou-lhe e disse:
"Pai, peço-te, da parte de Deus,
que me digas onde está a perfeita alegria".
E são Francisco assim lhe respondeu:
"Quando chegarmos a Santa Maria dos Anjos,
inteiramente molhados pela chuva e transidos
de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e
batermos à porta do convento, e o porteiro
chegar irritado e disser: "Quem são
vocês?"; e nós dissermos:
"Somos dois dos vossos irmãos",
e ele disser: "Não dizem a verdade;
são dois vagabundos que andam enganando
o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora
daqui"; e não nos abrir e deixar-nos
estar ao tempo, à neve e à chuva
com frio e com fome até à noite:
então, se suportarmos tal injúria
e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente,
sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra
ele e pensarmos humildemente e caritativamente
que o porteiro verdadeiramente nos tinha reconhecido
e que Deus o fez falar contra nós: ó
irmão Leão, escreve que nisso
está a perfeita alegria.
E se perseverarmos a bater, e ele sair furioso
e como a importunos malandros nos expulsar com
vilanias e bofetadas dizendo: 'Fora daqui, ladrõezinhos
vis, vão para o hospital, porque aqui
ninguém lhes dará comida nem cama';
se suportarmos isso pacientemente e com alegria
e de bom coração, ó irmão
Leão, escreve que nisso está a
perfeita alegria.
E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio
e pela noite, batermos mais e chamarmos e pedirmos
pelo amor de Deus com muitas lágrimas
que nos abra a porta e nos deixe entrar, e se
ele mais escandalizado disser: 'Vagabundos importunos,
pagar-lhes-ei como merecem': e sair com um bastão
nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar
ao chão e nos arrastar pela neve e nos
bater com o pau de nó em nó: se
nós suportarmos todas estas coisas pacientemente
e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo
bendito, as quais devermos suportar por seu
amor; ó irmão Leão, escreve
que aí e nisso está a perfeita
alegria, e ouve pois, a conclusão, irmão
Leão.
Acima de todas as graças e de todos
os dons do Espírito Santo, os quais Cristo
concede aos amigos, está o de vencer-se
a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar
trabalhos, injúrias, opróbrios
e desprezos, porque de todos os outros dons
de Deus não nos podemos gloriar por não
serem nossos, mas de Deus, do que diz o Apóstolo:
'Que tens tu que não o hajas recebido
de Deus? E se dele o recebeste, por que te gloriares
como se o tivesse de ti?'
Mas nas cruz da tribulação de
cada aflição nós nos podemos
gloriar, porque isso é nosso e assim
diz o Apóstolo: 'Que tens tu que o não
hajas recebido de Deus? E se dele o recebeste,
por que te gloriares como se o tivesses de ti?
'Mas na cruz da tribulação de
cada aflição nós nos podemos
gloriar, porque isso é nosso e assim
diz o Apóstolo: 'Não quero gloriar-me,
senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo".
Ao qual sejam dadas honra e glória in
secula saeculorum. Amém" (I
Fioreti, 8).
Pergunta:
O que tem a ver a narrativa sobre a perfeita
alegria com o método missionário
de Francisco?
Exercício 3
Complete o que foi dito no Exercício
anterior, com a leitura da Carta ao governantes
dos povos e o início da Carta aos fiéis
(segunda recensão):
1. Carta aos governantes dos povos
"A todos os podestás, cônsules,
juízes e regentes do mundo inteiro, e
a todos quantos receberem esta carta, Frei Francisco,
mísero e pequenino servo do Senhor, deseja
saúde e paz. Considerai e vede que 'se
aproxima o dia da morte' (Gn 47,29). Peço-vos,
pois, com todo respeito de que sou capaz que,
no meio dos cuidados e solicitudes que tendes
neste século, não esqueçais
o Senhor nem vos afasteis dos seus mandamentos.
Pois todos aqueles que o deixam cair no esquecimento
e 'se afastam dos seus mandamentos' são
amaldiçoados (cf. Sl 118,21) e serão
por Ele 'entregues ao esquecimento' (Ez 33,13).
E quando chegar o dia da morte, 'tudo o que
entendiam possuir ser-lhes-á tirado'
(cf. Lc 8,18). E quanto mais sábios e
poderosos houverem sido neste mundo, tanto maiores
'tormentos padecerão no inferno' (cf.
Sb 6,7).
Por isso aconselho-vos encarecidamente, meu
senhores, que deixeis de lado todos os cuidados
e solicitudes e recebais com amor o santíssimo
corpo e o santíssimo sangue de nosso
Senhor Jesus Cristo, por ocasião de sua
santa memória.
Diante do povo que vos foi confiado, prestai
ao Senhor este testemunho público de
veneração: todas as tardes mandai
proclamar um pregoeiro, ou anunciai por algum
sinal, que todo o povo deverá render
graças e louvores ao Senhor Deus todo-poderoso.
E se não o fizerdes, sabei que haveis
de dar conta perante vosso senhor Jesus Cristo
no dia do juízo (cf. Mt 12,36).
Os que levarem consigo este escrito e o observarem,
saibam que serão abençoados por
Deus nosso Senhor (CtGov).
2. Carta aos fiéis (segunda recensão)
"Em nome do Senhor: do Pai, do Filho
e do Espírito Santo. Amém.
A todos os cristãos que vivem religiosamente,
clérigos e leigos, homens e mulheres,
a todos os que habitam no mundo universo, Frei
Francisco, de todos servos e vassalo, saúda
com reverente dedicação e deseja
a verdadeira paz do céu e sincera caridade
no Senhor.
Sendo servo de todos, a todos devo servir as
odoríferas palavras do meu Senhor. Por
isso, considerando que não posso visitar
cada um em particular, por causa da enfermidade
e debilidade do meu corpo, fiz o propósito
de comunicar-vos por meio das presentes letras
e de mensageiros as palavras de nosso senhor
Jesus Cristo, que é a Palavra do Pai,
bem como as palavras do Espírito Santo,
que 'são espírito e vida' (Jo
6,64)" (2CtFi 1-3).
Pergunta:
Como Francisco consegue relacionar sua humildade
com sua consciência de ter recebido uma
missão?
Exercício 4
Compare o capítulo 16 da Regra Não-Bulada
com o capítulo 12 da Regra Bulada:
Capítulo 16 da Regra Não-Bulada
Dos que quiserem ir para entre os sarracenos
e outros infiéis
1. Diz o Senhor: "Eis que vos envio como
ovelhas ao meio dos lobos;
2. sede pois prudente como serpentes e simples
como pombas (Mt 10,16).
3. Se pois houver irmãos que quiserem
ir para entre os sarracenos e outros infiéis,
que vão com a licença de seu ministro
e servo.
4. Se o ministro reconhecer que eles são
idôneos para serem mandados, dê-lhes
a licença e não a recuse;
5. pois terá que dar contas ao Senhor
(cf. Lc 16,2), se nisso ou em outras coisas
agir sem a devida discrição.
6. E os irmãos que partirem poderão
proceder de duas maneiras espiritualmente com
os infiéis:
7. O primeiro modo consiste em absterem-se de
rixas e disputas, submetendo-se "a todos
os homens por causa do Senhor" (1Pd 2,13)
e confessando serem cristãos.
8. O outro modo é anunciarem a palavra
de Deus quando o julgarem agradável ao
Senhor:
9. que creiam no Deus todo-poderoso, Pai, Filho
e Espírito Santo, Criador de todas as
coisas; no Filho, Redentor e Salvador;
10. e se façam batizar e se tornem cristãos,
porquanto "quem não nascer da água
e do Espírito Santo não pode entrar
no reino dos céus" (Jo 3,5).
Capítulo 12 da Regra Bulada
11. Estas e outras coisas agradáveis
ao Senhor poderão dizer a estes e a outros;
12. pois diz o Senhor no Evangelho: "Todo
aquele que me confessar diante dos homens, eu
também o confessarei diante do meu Pai,
que está nos céus" (Mt 10,32).
13. "Quem se envergonhar de mim e de minhas
palavras, dele se envergonhará o Filho
do homem quando vier em sua glória, na
glória do Pai e dos santos anjos"
(Lc 9,26).
14. E todos os irmãos - onde quer que
estejam considerem que se entregaram ao Senhor
Jesus Cristo e lhe deram direito sobre seus
corpos. Por amor a ele, devem expor-se aos inimigos,
visíveis e invisíveis; pois diz
o Senhor:
15. "Quem perder a sua vida por causa de
mim, salva-la-á" (Mc 8,35) para
a vida eterna.
16. "Bem-aventurados os que sofrem perseguição
por causa da justiça, porque deles é
o reino dos céus" (Mt 5,10).
17. Se me perseguiram a mim, também perseguirão
a vós" (Jo 15,20). 18. "Quando
vos perseguirem numa cidade, fugi para outra"
(Mt 10,23).
19. "Bem-aventurados sereis quando os homens
vos odiarem, insultarem e perseguirem e vos
expulsarem e escarnecerem e injuriarem vosso
nome como réprobo e falsamente disserem
contra vós todo gênero de mal por
minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos naquele
dia, 20 porque grande será a vossa recompensa
nos céu" (Mt 5,11-12; Lc 6,22-23).
21. "A vós, meu amigos, advirto.
22. Não vos deixeis atemorizar por eles!
Nem tenhais medo dos que matam o corpo, e nada
mais podem fazer" (Mt 10,28). "Não
vos perturbeis" (Mt 24,6), pois "por
vossa paciência salvareis vossas almas"
(Lc 21,19).
23. "O que perseverar até o fim,
esse será salvo" (Mt 10,22).
Dos que querem ir para entre os sarracenos
e outros infiéis
1. Quaisquer dos irmãos que, por inspiração
divina, quiserem ir para entre os sarracenos
e outros infiéis, peçam, para
isso licença a seus ministros provinciais.
2. Os ministros, porém, não dêem
licença de partir senão aos que
virem idôneos para serem mandados
3. Além disso, pela obediência
imponho aos ministros a obrigação
de pedir ao Senhor Papa um dos cardeais da santa
Igreja Romana, que seja governador, protetor
e corretor desta irmandade,
4. para que, sempre súditos e sujeitos
aos pés da mesma santa Igreja, firmes
na fé católica, guardemos a pobreza
e a humildade e o santo Evangelho de nosso Senhor
Jesus Cristo como firmemente prometemos.
[A ninguém, pois, seja lícito
infringir esta página de nossa confirmação,
ou contrariá-la por temerária
ousadia. Se, contudo, alguém o presumir
fazer, saiba que incorre na indignação
de Deus todo-poderoso e dos bem-aventurados
Apóstolos Pedro e Paulo. Dada em Latrão,
aos 29 dias do mês de novembro, no oitavo
ano do nosso Pontificado.]
Pergunta:
Quais são as concordâncias e quais
as diferenças (omissões) que você
consegue identificar ao comparar estes dois
textos?
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