| CARTA ENCÍCLICA POR OCASIÃO DOS 750 ANOS DESDE
A ESTIGMATIZAÇÃO DE SÃO FRANCISCO NO ALVERNE
Frei Constantino Koser, OFM
A LIÇÃO DO ALVERNE
1. "Levava a cruz enraizada em seu coração.
Por isso fulgiam exteriormente em sua carne os estigmas,
cuja raiz tinha penetrado profundamente em seu coração".
(1). Estas palavras de Tomás de Celano são das coisas
mais profundas e mais verdadeiras que se possam dizer
a respeito do fato singular das Chagas de Cristo impressas
na carne de nosso Pai São Francisco. Estamos terminando
a comemoração dos 750 anos desde que a estigmatização
se produziu no alto do Alverne. Para nós, que por
vocação e profissão estamos apostados na imitação
de nosso Pai, este fato é um desafio constante, de
fazer a Cruz lançar raízes cada vez mais profundas
em nossa alma.
2. O ano jubilar das Chagas de São Francisco
viu muitos franciscanos em peregrinação meditativa
no alto do nosso monte santo. Muito mais numerosos
os que, espalhados pelo mundo e sem poderem chegar
até ali, se esforçaram mais que de costume nesta meditação
e fizeram os seus projetos de nova e maior fidelidade
à nossa "forma vitae". Penso, no entanto, que, embora
tenham sido tantas as reflexões e os propósitos, não
é demais que vos diga ainda uma palavra agora ao findar
a comemoração especial. Meu propósito fora de escrever
esta carta no começo do ano jubilar. Não consegui
ultimá-la, embora tivesse começado o trabalho. Várias
vezes voltei ao esboço, e não consegui terminar. Razões
externas me impediram como que fisicamente de chegar
antes ao termo com meu propósito. Pode ser que não
seja importante que vos fale; no entanto, ainda assim,
com humildade, quero falar. Fazei-o calar em vossa
alma e florescer em vossa vida com humildade também.
I. O DESAFIO DAS CHAGAS DE SÃO FRANCISCO
3. UM SINAL. As Chagas de São Francisco
são uma realidade que possui a sua densidade própria,
e são sinal que significa uma realidade ainda mais
densa. Possui seu sentido para São Francisco ele mesmo,
e o possui para outros, para nós particularmente,
que somos seguidores do santo de Assis. Homens que
somos, só podemos atingir as realidades espirituais
por intermédio de sinais sensíveis: pelos sinais da
linguagem falada, ou pelos sinais-coisas que significam
pelo que são, ou significam por sentidos adicionais
resultantes de convenção e treino de interpretação.
A força dum sinal depende do sinal ele mesmo, mas
muito mais depende de quem o percebe e interpreta.
4. CRISE DOS SINAIS. A crise em que a Igreja
se encontra no momento, e particularmente a crise
da vida religiosa, também a franciscana, nasce em
boa parte duma perda de força dos sinais sensíveis
nesta dimensão interpretativa, infelizmente, os sinais
assim debilitados em sua força de significação ou
até inteiramente anulados tardam em ser recuperados,
nem são substituídos tempestivamente por outros. Para
nós homens, porém, vale que ou recuperamos os sinais
que perderam a sua força, ou os substituímos por sinais
novos, que possuam a força necessária sobre a nossa
subjetividade de percepção e de realização, ou então
a crise crescerá na sua intensidade destruidora.
5. AS CHAGAS AINDA SÃO SINAL INTENSO. As
Chagas de Cristo e a sua realidade impressa nos membros
de São Francisco, porém, continuam a possuir uma força
imensa de significação, continuam sendo um sinal.
Continuam sendo um sinal ao qual se contradiz para
a ruína, ou que se integra na própria vida para a
ressurreição (Lc 2,34). As Chagas de Cristo, abertas
na Cruz e mantidas na ressurreição, possuem sua força
significativa imensa e incontornável: ninguém pode
conservar-se em neutralidade, sem resposta. As Chagas
de São Francisco derivam das de Cristo a sua força
significativa. No entanto, possuem também o seu elemento
próprio: como fato que todo o arsenal crítico dos
que não as querem aceitar não conseguiu eliminar da
história dos homens, e como sinal de que a realidade
das Chagas de Cristo continua viva na história a ponto
de se exprimirem nesta forma forte e surpreendente.
A força do sinal continua viva, importa que abramos
nossa alma e abramos a alma dos outros para que esta
força de significação transformante possa agir.
6. MUITA CRISE, MUITA DÚVIDA, POUCA FORÇA.
A crise em que nos encontramos já vem de longe, mas
cobrou força enorme em nossos dias. Sua força nas
almas provém dum questionamento generalizado. Um questionamento
pode ser para a vida, se o seu desafio é assumido
e levado até à resposta. Mas gera a morte, quando
o desafio não é assumido e as questões levantadas
ficam sem resposta: gera a morte através da dúvida,
que passa a ser ceticismo e este transforma a vida
num cemitério. O questionamento diante do qual nos
vimos colocados foi e continua sendo ingente. Infelizmente
é grande a medida em que não é assumido com responsabilidade
e levado até gerar resposta. São muitos os que se
comprazem em questionamento estéril. Assim, em muitas
almas nasceu a dúvida, cresceu um sentimento generalizado
de reserva, instalou-se não raro um ceticismo progressivo
que produz a morte da vida cristã e da vida religiosa.
O que importa é assumir responsavelmente o questionamento
e caminhar até encontrar a resposta. O Alverne para
isto pode ser uma lição fecunda.
7. SÃO FRANCISCO CHAGADO PROVOCA UMA REORIENTAÇÃO.
Se com toda a seriedade nos confrontarmos com
São Francisco chagado e não fugirmos do seu olhar
perscrutador, estaremos já no caminho de assumir responsavelmente
o questionamento da crise em que nos debatemos. Se
assim nos confrontarmos com ele em medida suficiente,
com coragem e decisão, provocará em nós uma reorientação
para a vida, a inversão da marcha mortífera da dúvida
e do ceticismo.
8. IMPORTA TAMBÉM A INTEGRAÇÃO DO "HOJE".
Para que este confronto produza em nós os seus efeitos
salutares, porém, importa que nele assumamos e integremos
a nossa realidade concreta, a situação em que nos
encontramos. O passado com o que fez neste sentido
nos pode ajudar validamente, no entanto não basta:
importa integrar no confronto também a realidade de
hoje. Aceitemos o desafio com seriedade, integridade,
honestidade e coragem. Importa que façamos com decisão
e coerência a nossa parte.
II. AS CHAGAS DE SÃO FRANCISCO SÃO UM FATO
9. A VOZ DA CRÍTICA HISTÓRICA. Um dos elementos
da crise que vivemos é a dúvida a respeito de coisas
como a estigmatização acontecida no Alverne. Para
que esta tenha a sua força, é preciso vencer a dúvida
relativa ao fato. Comecemos aí a recuperação. No fim
do século XVIII, apenas nascida, a nova ciência histórica,
que se dizia "crítica", negou a estigmatização no
Alverne e tentou liqüidar o que a respeito se transmitia.
Muitos confrades de então se sentiram profundamente
feridos em sua visão da vida de São Francisco, mas
tiveram que suportar a tempestade da negação e ridicularização:
não possuíam resposta. Nós hoje, acostumados ao método
histórico-crítico, não nos assustamos tanto, achamos
que é um modo de consideração necessário e estamos
na vantagem de que outros, antes de nós, superaram
as negações especiosas do que pretendia ser ciência
e colocaram à nossa disposição uma certeza criticamente
garantida a respeito do que aconteceu. O que sabemos
como resultado do exame histórico-crítico dos documentos
na realidade é pouco e não possui a dimensão amplíssima
do que desejaríamos saber. Mas é suficiente como fundamento
de nossas meditações e basta amplamente para que a
lição do Alverne para nós tenha consistência e valor.
É evidente que nestas páginas não se trata de fazer
pesquisa, mas só de recolher os resultados já garantidos
para fundamentar a reflexão. E nos limitamos estritamente
ao fato das Chagas.
10. CEM ANOS ATRÁS, UM RESUMO NEGATIVO.
Carlos Augusto Hase fez um primeiro resumo dos resultados
obtidos pela aplicação do método histórico-crítico
aos relatos da estigmatização de 1224: com conclusão
negativa (3). Achou que tinha o direito e dever de
reduzir os documentos autênticos às poucas linhas
de Frei Elias na "Epistola encyclica de transitu S.
Francisci" (4). Considerou todos os demais documentos
como produtos de fantasia, destituídos de valor histórico.
Interpretou as poucas linhas de Frei Elias em chave
minimizante. Em seguida não encontrou dificuldades
em atribuir as Chagas a uma falsificação criminosa,
executada no corpo de São Francisco depois da morte
precisamente por Frei Elias, caráter capaz - diz Hase
- de semelhante monstruosidade.
11. À DISTÂNCIA DE CEM ANOS. O P. Otaviano
de Rieden O.F.M. Cap. publicou o seu "De sancti Francisci
Assisiensis stigmaturn susceptione disquisitio historico-critica
luce testimoniorum saeculi XIII" (5). Este estudo
marca o ponto em que as pesquisas se encontram no
momento, com resultados bem mais positivos e sérios
que os apresentados por Hase. Significa para nós a
recuperação dos fatos à luz da história crítica e
com as garantias mais elevadas na aplicação rigorosa
deste método científico. Claro, não mais que estas
garantias, que não são absolutas: são históricas,
não metafísicas. Mas, pode-se dizer, garantias de
nível máximo dentro da categoria histórica.
12. OS DOCUMENTOS QUE POSSUEM ESTA MEDIDA MÁXIMA
DE CERTEZA GARANTIDA são os seguintes: o de Frei
Elias, "Epistola encyclica de transitu S. Francisci"'
(6); a nota que Frei Leão escreveu na "Chartula, quam
dedit fr. Leoni" (7); Tomás de Celano, "Vita prima
S. Francisci", ns. 94-95 (8) e ns. 112-113 (9). O
que se narra nestes documentos é repetido em muitos
outros, com informações suplementares. Para a finalidade
desta carta bastam as informações dos três textos
mencionados. E possuem, como ficou dito, a força de
eliminar qualquer dúvida a respeito do fato da estigmatização.
13. A IMPRESSÃO DAS CHAGAS É UM FATO, que
não pode ser posto em dúvida, desde que se respeitem
as regras do método histórico-crítico. Começaram a
formar-se as cinco Chagas durante ou pouco depois
da experiência mística de São Francisco no Alverne
em setembro de 1224, dois anos antes de sua morte,
na visão do "quasi Seraphim sex alas habentem" (10).
São Boaventura dá esta ulterior determinação cronológica:
"Quodam mane circa festum Exaltationis S. Crucis".
(11) As fontes não permitem maior precisão a respeito
do dia. Do modo como estas fontes narram o acontecimento,
tem-se a impressão de que as Chagas não se produziram
de forma abrupta durante a visão, mas foram se formando
aos poucos, sem que se possa saber quanto tempo tenha
durado este período de formação. "... coeperunt in
manibus eius et pedibus quem admodum paulo ante virum
supra se viderat crucifixum..."(12) diz Celano. S.
Boaventura também diz: "Statim... apparere coeperunt"
(13).
14. A FORMA DAS CHAGAS MERECE ESPECIAL ATENÇÃO.
As descrições de Frei Elias e de Tomás de Celano
apresentam diferenças que foram interpretadas como
contradições. No entanto, lendo as duas descrições
sem prevenção e com minuciosa atenção, dir-se-á que
não existem contradições e que o texto de Tomás de
Celano, longe de contradizer, confirma com explicitações
o texto de Frei Elias. É importante ter presente as
duas descrições. Frei Elias escreveu: "Manus eius
et pedes quasi puncturas clavorum habuerunt, ex utraque
parte confixas, reservantes cicatrices et clavorum
nigredinem ostendentes. Latus vero eius lanceatum
apparuit et saepe sanguinem evaporavit" (14). Tomás
de Celano, dois anos mais tarde e à vista de Frei
Elias e em vida de muitos que tinham visto as Chagas,
relata: "Manus et pedes eius in ipso medio clavis
confixae videbantur, clavorum capitibus in interiore
parte manuum et superiore pedum apparentibus, et eorum
acuminibus exsistentibus ex adverso. Erant enim signa
ilia rotunda interius in manibus, exterius autem oblongata,
et caruncula quaedam apparebat quasi summita clavorum
retorta et repercussa, quae carnem reliquam excedebat.
Sic et in pedibus impressa erant signa clavorum et
a carne reliquia elevata. Dextrum quoque latus quasi
lancea transfixum, cicatrice obducta, quod saepe sanguinem
emittebat, ita ut tunica eius cum femoralibus multoties
respergeretur sdanguine sacro. (15)
15. QUEM VIU AS CHAGAS? São Francisco sentiu
o dever de extrema reserva a respeito das Chagas,
seguindo nisto uma de suas normas mais firmes: "Beatus
servus, qui secreta Domini conservat in corde suo".
Os primeiros biógrafos frisam com freqüência esta
forte reserva. (17) Assim, segundo Tomás de Celano,
em vida de São Francisco só Frei Elias e Frei Rufino
viram a Chaga do lado. (18) As Chagas das mãos e dos
pés não podiam ser escondidas tão eficazmente, e por
certo ao menos os íntimos as viram com certa freqüência.
No entanto, durante os dois anos da estigmatização,
o segredo das Chagas de modo geral foi bem mantido
não só por São Francisco, mas também pelos poucos
íntimos que sabiam do acontecido. Isto se reflete
também nas notícias transmitidas nos documentos do
século XIII: corriam rumores discretos a respeito,
não se sabia nada de certo em vida do Santo, é esta
a impressão que fica em quem lê com atenção todas
as notícias transmitidas e considera o modo de falar
a respeito. Como o Santo conseguiu manter este segredo,
é difícil de entender, contudo é um fato. Não será
demais supor que as Chagas durante os dois anos passaram
por várias modificações como cicatrização, reabertura,
aumento, diminuição, de modo que os períodos que se
poderiam dizer agudos podem ter sido breves e isto
facilitaria o segredo e explicaria o fato. Da Chaga
do lado se diz que "saepe" emitia sangue, não sempre,
e é tudo o que se sabe.
16. DEPOIS DE MORTO, NO ENTANTO, MUITOS PUDERAM
VER AS CHAGAS. "Catervatim tota civitas Assisii
ruit, et omnis accelerat regio videre magnalia Dei"
(20) cernere mirabile erat in medio rnanuurn et pedum
ipsius non davorum quidem puncturas sed ipsos clavos
ex eius carne compositos, ferri retenta negredine,
ac dextrum latus sanguine rubricatum.. . Accurrebant
fratres et filii, et coilacrimantes deosculabantur
manus et pedes pii patris cos derelinquentis, necnon
dextrum latus.. . Maximum donum sibi exhiberi credebat
quivis de populo, si admittebatur non solum ad deosculandum,
sed etiam ad videnduni sacra stigmata lesu Christi,
quae sanctus Franciscus portabat in corpore suo".
Santa Clara com suas filhas também viram as Chagas,
e puderam beijá-las, quando o corpo de São Francisco
por instantes foi deposto na igrejinha de São Damião,
antes de ser sepultado na de São Jorge (22). O fato
de tantos terem visto as Chagas depois da morte de
São Francisco por certo é enorme dificuldade para
explicar a laconicidade de Frei Elias em sua comunicação,
e a igual laconicidade de Tomás de Celano e o silêncio
da bula de canonização (23). Dificuldades estas, porém,
que não diminuem a certeza do que narra Frei Elias
e Tomás de Celano.
17. UM FATO EXTRAORDINÁRIO, UMA MENSAGEM.
Assim é certo que a estigmatização de São Francisco
é um fato e não uma lenda. Além de ser fato, e sem
deixar de sê-lo, pertence à categoria dos sinais e
solicita a resposta duma "leitura". A força do sinal
existe, mas está à espera de quem faça esta "leitura".
E cada qual a deve fazer para si, só assim poderá
comunicá-la a outros. Comunicada, poderá chegar à
sua eficácia em comunidade, como deve ser entre franciscanos.
Cabe-nos tentar esta "leitura". Demos ao menos alguns
passos.
III. O CONFRONTO COM O ALVERNE
18. A PRIMAZIA DE DEUS. O que aconteceu
no Alverne durante o mês de setembro de 1224, e as
Chagas impressas na carne de nosso Pai São Francisco,
significa e manifesta mais que tudo que Deus é Senhor.
Deus se apoderou do Homenzinho de Assis e nele agiu
como quis'. Esta realidade eterna e irremovível de
que "Deus é Senhor" é o fundamento de tudo em nossa
vida natural e na vida da graça: sem ela, tudo é obscuro;
com ela, tudo é luz. São Francisco assim entendeu
o senhorio de Deus e o aceitou com júbilo e reconhecimento:
fez desta realidade o ponto de referência constante
de tudo em sua vida. Nunca mais do que no Alverne.
Possuímos a respeito uma informação excepcional, do
próprio punho de São Francisco, um documento escrito
no Alverne depois da estigmatização, ainda no vértice
da experiência mística: a "Chartula quam dedit fr.
Leoni". Diz-nos o que Deus era para ele:
"Vós sois o santo Senhor e Deus único, que operais
maravilhas.
Vós sois o forte.
Vós sois o grande.
Vós sois o Altíssimo.
Vós sois o Rei onipotente, santo Pai, Rei do céu e
da terra.
Vós sois o Trino e Uno, Senhor e Deus, Bem universal.
Vós sois o Bem, o Bem universal, o sumo Bem, Senhor
e Deus, vivo e verdadeiro.
Vós sois a delícia do amor.
Vós sois a Sabedoria.
Vós sois a Humildade.
Vós sois a Paciência.
Vós sois a Segurança.
Vós sois o Descanso.
Vós sois a Alegria e o Júbilo.
Vós sois a Justiça e a Temperança.
Vós sois a Plenitude e a Riqueza.
Vós sois a Beleza.
Vós sois a Mansidão.
Vós sois o Protetor.
Vós sois o Guarda e o Defensor.
Vós sois a Fortaleza.
Vós sois o Alívio.
Vós sois nossa Esperança.
Vós sois nossa Fé.
Vós sois nossa inefável Doçura.
Vós sois nossa eterna Vida, ó grande e maravilhoso
Deus, Senhor
onipotente, misericordioso Redentor".(24)
19. O SENHORIO DE DEUS NA VIDA DE SÃO FRANCISCO
não começou a ser aceito e vivido por ele no Alverne,
a resposta do Pobrezinho não começou ali. O Senhorio
de Deus é de sempre, a resposta do filho de Bernardone
começara a ser mais intensa em Spoleto 20 anos antes,
O Alverne 1224 significa um vértice insuperado. A
"Chartula" é a súmula de uma experiência de Deus muito
singular, única. Cada qual de suas expressões merece
longa meditação e deve ser transportada para a vida
concreta todos os dias. Importa pensar o que significa
cada qual das palavras numa experiência tão viva como
foi a de São Francisco, tão intensa, tão profunda,
tão sincera, tão veraz na expressão, a tal ponto que
ainda a mais alta expressão poética fica devendo à
realidade experimentada. Importa meditar e viver na
mesma direção, para caminhar e chegar a vértices cada
vez mais elevados. Até que este hino se transforme,
também em nossa vida, em expressão sincera de toda
a verdade de nossa existência.
20. DEUS NÃO É ALIENAÇÃO, MAS APROPRIAÇÃO E INTERIORIZAÇÃO
DO HOMEM. Vivemos sob nuvem espessa e oprimente
de acusação blasfema de que "Deus é alienante" e que
"o homem, para encontrar-se a si mesmo, deve livrar-se
de Deus". Claro, se Deus não existe - como é tese
cada vez mais propagada, o ateísmo dos nossos dias
- nada mais alienante para o homem e para a humanidade,
que a religião, o cultivo duma relação a Deus. Relação
que, aceita por força intrínseca, absorve tudo no
absoluto e único Deus e reduz o homem a completa e
ilimitada e incomensurável dependência, sujeição,
heteronomia, propriedade "de outro". Nada mais absurdo,
nada mais prejudicial, claro, se Deus não existe.
Mas... Deus existe. Fato irredutível e indestrutível.
Verdade. Por isto nada mais destruidor do homem, que
negar Deus e negar-se a reconhecer a sua supremacia.
Nós homens, "o homem" e "a humanidade" não somos realidades
absolutas. Se nossa época prova qualquer coisa, prova
que o homem, colocando-se no centro da realidade,
no centro de si mesmo, referindo-se a si mesmo, se
destrói do modo mais completo e se "aliena" de si
mesmo do modo mais absoluto: passa a ser absurdo para
si mesmo. Só nos libertamos, só nos encontramos, só
fugimos da alienação, só temos sentido, só temos meta
e destino, só temos história e só temos consistência
"em Deus". "Em Deus" não no sentido panteísta de identificação,
nem no sentido aniquilador de absorção, mas no sentido
difícil e misterioso de criaturas: existentes de fato
e em realidade, mas na limitação e em relação. São
Francisco, mais que tudo nesta culminância mística
do Alverne, o evidencia do modo mais patente: ninguém
mais "ele mesmo", em identidade e diferenciação, que
São Francisco, porque ninguém como ele referido a
Deus. Ninguém mais "realizado" e "promovido" do que
ele, e ele nunca mais realizado e mais promovido que
quando Deus lançou mão dele dum modo tão completo
como no Alverne. Façamos ressoar esta mensagem em
nossa alma e transformemos nossa vida numa ressonância
desta mensagem.
21. "COM TODAS AS FORÇAS..." Centro, cerne,
núcleo do homem, num sentido absoluto, é Deus. Isto
na ordem da realidade é um fato. Ao mesmo tempo e
estranhamente um fato que nos cabe "realizar": em
nossa inteligência, em nossa vontade, em nossa subjetividade,
em nossa afetividade, em tudo o que somos. Esta é
a tarefa e meta da vida presente. Tarefa que devemos
cumprir nós mesmos pessoalmente, e que ao mesmo tempo
envolve "os outros": não é uma tarefa que possamos
realizar a sós, separados e isolados, individualistas,
mas só em comunhão com "os outros". A dimensão de
"os outros" é inseparável de nossa tarefa pessoal,
mas de tal modo que a tarefa continua "pessoal" e
ninguém a pode realizar em nossa substituição. E é
a realização desta tarefa que realiza "comunhão".
Sem eIa, nenhuma comunhão verdadeira de homens é possível.
Nela, toda a comunhão possível se concretiza superabundantemente.
Nela se realizam todas as aspirações legítimas do
homem, e do homem em comunhão. Por vontade de ação
de Deus não só se realizam, mas são sobre-realizadas
numa comunhão com Deus que ultrapassa as mesmas possibilidades
ativas desta e de qualquer criação possível: na comunhão
que nos faz "theías koinoonói physeoos" (25). Nossa
comunhão faz parte do mistério de Deus. É comunhão
em que não somos absorvidos, mas permanecemos nós
mesmos; em que somos um, todos, e contudo permanecemos
indivíduos e pessoas. Ninguém mais "ele mesmo" que
São Francisco, ninguém mais indivíduo e pessoa, ninguém
mais inserido em comunhão.
22. "IPSA CREATURA LIBERABITUR... IN LIBERTATEM
GLORIAE FIBIORUM DEI". Nem só nós, os homens,
nos libertamos em Deus, mas conosco libertamos toda
a criação, todo o cosmos: animais, plantas, minerais,
coisas, estruturas, sistemas, economia, política,
ciência, técnica, leis, normas, prescrições, relações,
variáveis, progresso, maturação - tudo. No "Cântico
do Irmão Sol" de São Francisco temos a impressão de
entrever já realizada esta libertação integral do
cosmos na transfiguração final. Sem Deus, o cosmos
está "alienado", está "em pecado", em Deus encontra
a si mesmo. A marcha desta libertação é longa e penosa
- "como em dores de parto" - durante todo o tempo
do éon presente e se realiza por mil modos e caminhos
os mais diversos, convergentes, se corretos, para
a libertação final. Ciência e técnica também contribuem.
E muito. São, porém, instrumentos e não meta, são
instrumentos, sim, mas parciais e provisórios "in
via", ineficazes diante da culminância última. Apesar
de todos os seus limites e apesar de todas as suas
crises, andanças e equívocos, são parte do caminho
"em dores de parto". A nós cabe continuar o "Cântico
do Irmão Sol" de São Francisco com as estrofes nossas,
porque este hino não termina em a natureza "natural",
envolve também a "nova natureza" da técnica. O desenvolvimento
deste destino e a sua realização progressiva em nossa
existência acolhe todas as aspirações dos homens de
todos os tempos, também as do homem de hoje, as limpa
de manchas e de equívocos, corrige os erros, supera
as crises e leva à realização acima de todas as aspirações:
em Deus. Esta é a tarefa global que nos cabe cumprir
em nossa existência para a parte que nos toca. Para
ela, São Francisco é um exemplo forte e cheio de fascínio
irresistível. Façamos que nós mesmos e todos os nossos
irmãos o sejamos também.
23. "EM CRISTO JESUS". Em seus desígnios,
Deus realiza este seu projeto de tal modo que converge
no Homem Jesus unido ao Verbo, "di' autou apokatalláxai
tà pánta"(27). São Francisco não é "o" modelo, muito
menos "o ponto de convergência": isto tudo é Cristo
Jesus. São Francisco é, sim, uma realização estupenda
da inserção em Cristo, da convergência de tudo em
Cristo. Por isto mesmo se transformou em mensagem
e sinal para nós: ouvindo-o e imitando-o em sua relação
a Cristo, progredimos no caminho régio da convergência
em Cristo e da realização dos desígnios de Deus com
toda a criação. Nada mais evidente na vida do Homenzinho
de Assis que esta sua posição "em Cristo Jesus". No
assemelhar-se a Cristo seguiu o caminho mais curto
e mais íngreme: a obediência integral ao Evangelho,
numa forma tão direta e tão imediata que por dom de
Deus também externamente se assemelhou a Cristo em
seu peregrinar terrestre. Porque Cristo é "o caminho,
a verdade e a vida" (28), fora de Cristo não existe
possibilidade de realização do homem. O que é realização
do homem, o é em Cristo - e o que não o é em Cristo,
não é realização do homem. Em a vida de São Francisco,
toda ela, isto é evidente, e com as Chagas sua força
de sinal cresceu em significação perceptível.
24. "NISI IN CRUCE D0MINI NOSTRI IESU CHRISTI".
(29) A culminância do Alverne na vida de São
Francisco nos confronta de modo singular com o mistério
da Cruz. Percebemos quanto é profundo o contraste
das Chagas com o caminho que a humanidade tenta hoje,
como o tentou sempre: fuga da Cruz de Cristo, para
o sonho ilusório dum paraíso 'terrestre, que contrasta
com os desígnios de Deus. Contra este engano perigoso,
que hoje se concretiza no consumismo desenfreado e
elevado a idolatria, a estigmatização do Alverne possui
uma força de mensagem e de sinal incalculável. Os
esforços ingentes, tremendos em busca de um paraíso
terrestre, que cumprimos hoje, são vãos como sempre
foram vãos: não podem produzir senão amarga desilusão.
O caminho do destino humano é outro: está marcado
pela Cruz. É necessário recolocar esta verdade em
nossa mente e realizá-la em nossa vida. Reencontraremos
o caminho estreito. (30) O seu roteiro é oposto ao
que os homens preferem e está codificado nas Bem-aventuranças,
no Sermão da Montanha. Estamos por demais metidos
no caminho largo e fácil dos falsos profetas, é hora
de passarmos para o caminho estreito de Cristo, o
da Cruz. Reencontraremos também a sã austeridade,
a disciplina, o rigor de nossa vida franciscana, a
pobreza - "Dona Pobreza" - que São Francisco amou
porque Cristo a amou.
25. PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO. A Cruz, no entanto,
não é a meta, é caminho. Não fomos feitos para a Cruz,
fomos feitos para a Páscoa da Ressurreição. Na mística
da Cruz - na mística do sofrimento, da austeridade,
do martírio... - por vezes, se esquece esta verdade.
À primeira vista se tem a impressão de que também
São Francisco a esqueceu um pouco. No entanto, basta
lembrar a importância que deu à alegria, basta lembrar
a alegria com que viveu e que propôs aos seus irmãos,
para compreender que também para ele a Cruz era caminho
e não meta derradeira. Basta lembrar o trânsito de
São Francisco para compreender quanto estava centrado
na Páscoa da Ressurreição. É grande vantagem para
nós, hoje, que esta verdade da relação da Cruz à Páscoa
foi posta novamente na devida luz e está sendo proclamada
com força. Importa que seja proclamada ainda com mais
força, vivida com mais fidelidade, sentida com mais
intensidade e realizada com mais alegria. Não se trata
apenas duma ressurreição futura, não se trata apenas
duma esperança, mas de uma realidade já presente e
ativa, já realizada em nossa vida pelo mistério do
batismo. Já estamos misteriosamente na Páscoa da Ressurreição.
Mas ao mesmo tempo a esta nossa Páscoa da Ressurreição
falta a realização subjetiva em nossa vida: já estamos
e ainda não estamos. Entre estes dois termos está
o nosso caminho da Cruz.
26. TRÍDUO PASCAL. Feliz a disposição da
nova Liturgia da Semana Santa, que conglobou a Cruz
no "mistério Pascal". Não nestes termos, não nesta
modalidade, mas nos fatos de sua vida e em sua experiência
espiritual São Francisco fizera a mesma integração
dos mistérios Pascais. No Alverne - isto é um dos
aspectos mais fortes do sinal e da mensagem - o Serafim
alado que lhe apareceu, apareceu crucificado, mas
em luminosidade de glória. Encheu-o de alegria imensa,
de felicidade superabundante, mas, porque ele São
Francisco estava ainda a caminho, nele as Chagas foram
dolorosas, penosas, crucifixão que durou dois anos.
Como antes em toda a sua vida, também nestes dois
anos de crucifixão sofreu agonia e abandono, passou
pela prova dos sofrimentos corporais e passou pela
escuridão terrível das noites místicas. Agonia e escuridão,
porém, que se transfiguravam de luz e glória na alegria
profunda e exuberante que nunca o deixava. Frisam-no
muitas vezes os seus primeiros biógrafos. Esta alegria
lhe vinha de ser assemelhado a Cristo no caminho da
Cruz, e de saber que assim avançava em direção à Ressurreição
em Cristo. A morte para ele foi deveras um trânsito
desta vida à vida perene, na esperança da ressurreição
do corpo. Esta integração dos vários elementos do
mistério Pascal é mensagem forte para nossos dias.
É mensagem contra o "aleluia" enganador dos que pensam
já estar para além da Cruz e da prova. É também mensagem
e correção forte contra austeridade, ascese, rigor,
cultivo de sofrimento como meta e como fundamento
de espiritualidade - deformação da mensagem cristã
e sementeira ou fruto de deformações psíquicas - em
vez de elemento a caminho, instrumento, condição da
vida presente, corretivo de nossas imperfeições, da
concupiscência que não deixa de ser ativa nem mesmo
nos batizados enquanto vivos sobre esta terra.
27. SANTA MARIA. A capelinha que São Francisco
fez erigir no Alverne, à sua chegada - feita de paus
e de ramos então, nesta primeira e única quaresma
que o Santo passou no alto do monte - dedicou-a a
Maria dos Anjos. Maria Santíssima está presente na
sua vida interior em tudo. Com Cristo, em Cristo,
para São Francisco tinha que estar sempre a Mãe de
Cristo. Sua devoção à sua Senhora, à sua Rainha, à
Mãe do seu Senhor era profunda, terna e sentida, com
os acentos do cavalheirismo medieval. Não sabemos
particularidades a respeito do exercício de devoção
marial no Alverne em 1224, mas o fato de ter dedicado
a capelinha a Santa Maria dos Anjos diz que aí esteve
muitas vezes entretido com sua Rainha. O Concílio
nos convidou a que aperfeiçoássemos nossa piedade
marial e a limpássemos de exageros e deformações.
Isto, certamente, não significa, na intenção do Concílio,
que devamos eliminar a devoção e que devamos agir
indiscriminadamente contra a religiosidade popular
de veneração e confiança na Mãe de Deus. Significa,
sim, um aprofundamento e um progresso na direção de
formas de devoção em verdade, fé, confiança, amor,
imitação. Aconteceu que houve uma inflexão sensível
na piedade marial, e é tempo de recuperar-nos. Ponhamos,
com São Francisco, Santa Maria em nosso Alverne. Quanto
mais nossa piedade marial for autêntica e conforme
à fé, tanto mais será intensa e sentida. Como a de
São Francisco.
28. VIDA DE ORAÇÃO. Alverne mostra que São
Francisco, ainda no fim de sua vida, sentia a necessidade
do que hoje chamamos "tempos fortes de oração" e de
"experiência do deserto". Sua absorção em Deus era
fortíssima e profundíssima, a tal ponto que tudo de
fato era oração: o trabalho, o contato com os seus
irmãos, o seu peregrinar apostólico, a convivência
e o encontro com as criaturas todas. No entanto, sentia
ainda "o pó das estradas que se apega aos pés dos
apóstolos", sentia ainda a necessidade de retemperar
sua vida de oração com estas "quaresmas" de vida retirada,
em maior rigor de penitência e em maior radicalidade
de recolhimento, em maior plenitude de oração. Frisa-se
com razão que oração e vida, oração e trabalho, oração
e convivência humana, oração e apostolado, oração
e experiência do cosmos devem formar uma unidade e
não devem se justapor, muito menos se impedir. Mas
facilmente esquecemos que este "deve ser assim" é
altíssima meta e que na vida presente esta convergência
e identificação não costumam ser um fato cotidiano,
são meta distante e raras vezes atingida. Nada mais
pernicioso para a vida de oração do que imaginar ter
atingido a meta quando ainda não se chegou até lá.
29. ORAÇÃO QUE CHEGA A SER VIDA DA ALMA.
Se por certo necessitamos de "tempos fortes de oração"
e de "tempo de deserto", precisamos também cuidar
de que nos entretempos a oração não míngüe, que seja
de fato a vida da alma, a realidade ininterrupta,
constante de nossa existência. É só na oração que
em Deus deveras encontramos os irmãos e encontramos
a criação, o apostolado, o trabalho, encontramos nossa
realização e promoção, trabalhamos para a dos outros:
pois é na oração que realizamos subjetivamente o consórcio
da natureza divina, que realizamos nosso estar "em
Cristo". São Francisco progrediu tanto neste caminho,
que se transformou num sinal e numa mensagem eloqüente
de quanto o mesmo "humanum" se realiza nestas altas
sendas da vida espiritual. Não se progride na vida
espiritual por alienação, mas por integração: esta
a mensagem do Alverne. Apenas: é necessário estar
atento com nossa fraqueza e não queimar as etapas.
Na mesma medida em que a oração chega a ser vida de
nossa alma e o for de modo integral, nesta mesma medida
estaremos progredidos na integração de tudo em Deus.
Tudo será oração.
CONCLUSÃO
30. São Francisco partiu do Alverne em 1224
com um grande mistério escondido em sua alma. Se não
pôde esconder inteiramente as Chagas, escondeu bem
recôndito o que tinha vivido em tantos dias de intimidade
com Deus, com Cristo, com Maria Santíssima, mais que
tudo o que tinha vivido e experimentado durante a
aparição do Serafim crucificado e o que significa
esta aparição. Algo transparece na "Chartula" que
escreveu para Frei Leão, O mais o levou para o além
como o "segredo do Rei". Contudo, sem podermos saber
o conteúdo, sabemos que o Alverne é para São Francisco
uma experiência única de vida com Deus. As Chagas
que portou durante dois anos foram o sinal permanente
desta experiência e o mantiveram unido a ela. Também
para nós, embora desconheçamos o segredo desta experiência
mística, o Alverne é uma lição altíssima e intensa,
uma mensagem forte, um estímulo poderoso. Há 750 anos
este santo monte está presente na mente de todos os
filhos de São Francisco, chamando-os e estimulando-os
à vida com Deus, em Cristo, na Cruz, para a Páscoa
da Ressurreição. Terminadas as comemorações jubilares,
que o santo monte Alverne continue a influir poderosamente
em nossa alma.
Que São Francisco nos consiga para todos esta graça.
Roma, em Santa Maria Medianeira, aos 24 de Agosto
de 1975.
FREI CONSTANTINO KOSER O.F.M.
Ministro Geral
Notas
1. Cel. 211, cap. 70, in Anal. Franc. vol. X, Quaracchi
1926-1941, p. 252. Edição brasileira, Vozes, Petrópolis
1975. p: 206-207. "Levava a cruz enraizada em seu
coração. Por isso fulgiam exteriormente em sua carne
os estigmas, cuja raiz tinha penetrado profundamente
em seu coração".
2. (2 Lc 2,34)
3. "Anhang: Untersuchung der Wundmale" de seu livro:
Froj: von Assisi, Em Helligenbild, Leipzig. 1856,
p. 143-202.
4. Ct. o texto em Anal. Franc. vol. X, p. 526s, n.
5.
5. Em: Coil. Franc. XXXIII (1963), p. 210-266; 382-422;
XXXIV (1964), p. 5-62; 241-338.
6. Anal. Franc. vol. X, p. 526s, n. 5.
7. Opuscula S. P. Francisci, Quaracchi 1949, p. 199.
Os Escritos de São Francisco de Assis, Vozes 1970,
p. 179.
8. Anal. Franc. vol. X, p. 72-73. Celano, Vida de
São Francisco de Assis, p. 60 e 61.
9. Loc. cit., p. 88. Celano, Vida de São Francisco,
p. 71-72.
10. 1 Cel. n. 94, Anal. Franc. vol. X, p. 79.
11. Leg. Maior, cap. 13, n. 3, Anal. Franc. vol. X,
p. 616, n. 3.
12; Loc. cit., p. 79.
13. Loc. cit., p. 617.
14. Epistola, n. 5. Anal. Franc. vol. X, p. 526-527.
15. 1 Cel. 94, Anal. Franc. vol. X, p. 72-73.
16. Admon. XXVIII, Quaracchi, 1949, p. 19.
17. Cf. p. ex., 1 Ccl. n. 95-96, Anal. Franc. vol.
X, p. 73-74; cf. também lc. p. 189; 207;
S. I3oaventura, Leg. Maior, Anal. Franc. vol. X, p.
583; 603; 617.
18. 1 Cel. n. 95, Anal. Franc. vol. X, p. 73.
19. Frei Elias, na Epístola, n. 5, Anal. Franc. vol.
X, p. 527; Tomás de Celano diz "multoties", cl. 1
Cel. 64, Anal. Franc. vol. X, p. 73.
20. 1 Cel. n. 112, Anal. Franc. vol. X, p. 87. Celano,
Vida de São Francisco de Assis: 'Toda a cidade de
Assis veio em peso, e a região inteira acorreu para
presenciar as grandezas de Deus".
21. 1 Cel. n. 113, Anal. Franc. vol. X, p. 88. Celano,
Vida de São Francisco de Assis: 'Era admirável ver
em suas mãos e pés não as feridas dos cravos mas os
próprios cravos, formados por sua carne, com a cor
escura do ferro, e a seu lado direito rubro de sangue...
Acorriam os frades seus filhos e, chorando, beijavam
as mãos e os pés do piedoso pai que os deixava, e
também o lado direito, cuja chaga era uma lembrança
preclara daquele que também derramou sangue e água
deste mesmo lugar e assim nos reconciliou com o Pai.
Para as pessoas do povo era o maior favor serem admitidas
não só para beijar mas até só para ver os sagrados
estigmas de Jesus Cristo, que São Francisco trazia
em seu corpo".
22. 1 Cel. n. 116-117, Anal. Franc. vol. X p. 91-93.
23. "Mira circa nos", de 19-7-1228, embora Gregório
IX na "Usque ad terminos" de 31-3-1237 afirme que
os estigmas foram para ele "causa specialis" para
a canonização.
24. Opuscula S. P. Franciscj, Quaracchi 1949, p. 124-125.
Os Escritos, p. 179-180. "di' autoã
25. 2Pdr 1,4.
26. Rom 8,21.
27. Col 1,20.
28. Jo 14,6.
29. Gál 6,14.
30. Mt 7,14.
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