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       São Paulo, 17/05/2012, 04:44          
 
 
CARTA ENCÍCLICA POR OCASIÃO DOS 750 ANOS DESDE A ESTIGMATIZAÇÃO DE SÃO FRANCISCO NO ALVERNE

Frei Constantino Koser, OFM

A LIÇÃO DO ALVERNE

1. "Levava a cruz enraizada em seu coração. Por isso fulgiam exteriormente em sua carne os estigmas, cuja raiz tinha penetrado profundamente em seu coração". (1). Estas palavras de Tomás de Celano são das coisas mais profundas e mais verdadeiras que se possam dizer a respeito do fato singular das Chagas de Cristo impressas na carne de nosso Pai São Francisco. Estamos terminando a comemoração dos 750 anos desde que a estigmatização se produziu no alto do Alverne. Para nós, que por vocação e profissão estamos apostados na imitação de nosso Pai, este fato é um desafio constante, de fazer a Cruz lançar raízes cada vez mais profundas em nossa alma.

2. O ano jubilar das Chagas de São Francisco viu muitos franciscanos em peregrinação meditativa no alto do nosso monte santo. Muito mais numerosos os que, espalhados pelo mundo e sem poderem chegar até ali, se esforçaram mais que de costume nesta meditação e fizeram os seus projetos de nova e maior fidelidade à nossa "forma vitae". Penso, no entanto, que, embora tenham sido tantas as reflexões e os propósitos, não é demais que vos diga ainda uma palavra agora ao findar a comemoração especial. Meu propósito fora de escrever esta carta no começo do ano jubilar. Não consegui ultimá-la, embora tivesse começado o trabalho. Várias vezes voltei ao esboço, e não consegui terminar. Razões externas me impediram como que fisicamente de chegar antes ao termo com meu propósito. Pode ser que não seja importante que vos fale; no entanto, ainda assim, com humildade, quero falar. Fazei-o calar em vossa alma e florescer em vossa vida com humildade também.

I. O DESAFIO DAS CHAGAS DE SÃO FRANCISCO

3. UM SINAL. As Chagas de São Francisco são uma realidade que possui a sua densidade própria, e são sinal que significa uma realidade ainda mais densa. Possui seu sentido para São Francisco ele mesmo, e o possui para outros, para nós particularmente, que somos seguidores do santo de Assis. Homens que somos, só podemos atingir as realidades espirituais por intermédio de sinais sensíveis: pelos sinais da linguagem falada, ou pelos sinais-coisas que significam pelo que são, ou significam por sentidos adicionais resultantes de convenção e treino de interpretação. A força dum sinal depende do sinal ele mesmo, mas muito mais depende de quem o percebe e interpreta.

4. CRISE DOS SINAIS. A crise em que a Igreja se encontra no momento, e particularmente a crise da vida religiosa, também a franciscana, nasce em boa parte duma perda de força dos sinais sensíveis nesta dimensão interpretativa, infelizmente, os sinais assim debilitados em sua força de significação ou até inteiramente anulados tardam em ser recuperados, nem são substituídos tempestivamente por outros. Para nós homens, porém, vale que ou recuperamos os sinais que perderam a sua força, ou os substituímos por sinais novos, que possuam a força necessária sobre a nossa subjetividade de percepção e de realização, ou então a crise crescerá na sua intensidade destruidora.

5. AS CHAGAS AINDA SÃO SINAL INTENSO. As Chagas de Cristo e a sua realidade impressa nos membros de São Francisco, porém, continuam a possuir uma força imensa de significação, continuam sendo um sinal. Continuam sendo um sinal ao qual se contradiz para a ruína, ou que se integra na própria vida para a ressurreição (Lc 2,34). As Chagas de Cristo, abertas na Cruz e mantidas na ressurreição, possuem sua força significativa imensa e incontornável: ninguém pode conservar-se em neutralidade, sem resposta. As Chagas de São Francisco derivam das de Cristo a sua força significativa. No entanto, possuem também o seu elemento próprio: como fato que todo o arsenal crítico dos que não as querem aceitar não conseguiu eliminar da história dos homens, e como sinal de que a realidade das Chagas de Cristo continua viva na história a ponto de se exprimirem nesta forma forte e surpreendente. A força do sinal continua viva, importa que abramos nossa alma e abramos a alma dos outros para que esta força de significação transformante possa agir.

6. MUITA CRISE, MUITA DÚVIDA, POUCA FORÇA. A crise em que nos encontramos já vem de longe, mas cobrou força enorme em nossos dias. Sua força nas almas provém dum questionamento generalizado. Um questionamento pode ser para a vida, se o seu desafio é assumido e levado até à resposta. Mas gera a morte, quando o desafio não é assumido e as questões levantadas ficam sem resposta: gera a morte através da dúvida, que passa a ser ceticismo e este transforma a vida num cemitério. O questionamento diante do qual nos vimos colocados foi e continua sendo ingente. Infelizmente é grande a medida em que não é assumido com responsabilidade e levado até gerar resposta. São muitos os que se comprazem em questionamento estéril. Assim, em muitas almas nasceu a dúvida, cresceu um sentimento generalizado de reserva, instalou-se não raro um ceticismo progressivo que produz a morte da vida cristã e da vida religiosa. O que importa é assumir responsavelmente o questionamento e caminhar até encontrar a resposta. O Alverne para isto pode ser uma lição fecunda.

7. SÃO FRANCISCO CHAGADO PROVOCA UMA REORIENTAÇÃO. Se com toda a seriedade nos confrontarmos com São Francisco chagado e não fugirmos do seu olhar perscrutador, estaremos já no caminho de assumir responsavelmente o questionamento da crise em que nos debatemos. Se assim nos confrontarmos com ele em medida suficiente, com coragem e decisão, provocará em nós uma reorientação para a vida, a inversão da marcha mortífera da dúvida e do ceticismo.

8. IMPORTA TAMBÉM A INTEGRAÇÃO DO "HOJE". Para que este confronto produza em nós os seus efeitos salutares, porém, importa que nele assumamos e integremos a nossa realidade concreta, a situação em que nos encontramos. O passado com o que fez neste sentido nos pode ajudar validamente, no entanto não basta: importa integrar no confronto também a realidade de hoje. Aceitemos o desafio com seriedade, integridade, honestidade e coragem. Importa que façamos com decisão e coerência a nossa parte.

II. AS CHAGAS DE SÃO FRANCISCO SÃO UM FATO

9. A VOZ DA CRÍTICA HISTÓRICA. Um dos elementos da crise que vivemos é a dúvida a respeito de coisas como a estigmatização acontecida no Alverne. Para que esta tenha a sua força, é preciso vencer a dúvida relativa ao fato. Comecemos aí a recuperação. No fim do século XVIII, apenas nascida, a nova ciência histórica, que se dizia "crítica", negou a estigmatização no Alverne e tentou liqüidar o que a respeito se transmitia. Muitos confrades de então se sentiram profundamente feridos em sua visão da vida de São Francisco, mas tiveram que suportar a tempestade da negação e ridicularização: não possuíam resposta. Nós hoje, acostumados ao método histórico-crítico, não nos assustamos tanto, achamos que é um modo de consideração necessário e estamos na vantagem de que outros, antes de nós, superaram as negações especiosas do que pretendia ser ciência e colocaram à nossa disposição uma certeza criticamente garantida a respeito do que aconteceu. O que sabemos como resultado do exame histórico-crítico dos documentos na realidade é pouco e não possui a dimensão amplíssima do que desejaríamos saber. Mas é suficiente como fundamento de nossas meditações e basta amplamente para que a lição do Alverne para nós tenha consistência e valor. É evidente que nestas páginas não se trata de fazer pesquisa, mas só de recolher os resultados já garantidos para fundamentar a reflexão. E nos limitamos estritamente ao fato das Chagas.

10. CEM ANOS ATRÁS, UM RESUMO NEGATIVO. Carlos Augusto Hase fez um primeiro resumo dos resultados obtidos pela aplicação do método histórico-crítico aos relatos da estigmatização de 1224: com conclusão negativa (3). Achou que tinha o direito e dever de reduzir os documentos autênticos às poucas linhas de Frei Elias na "Epistola encyclica de transitu S. Francisci" (4). Considerou todos os demais documentos como produtos de fantasia, destituídos de valor histórico. Interpretou as poucas linhas de Frei Elias em chave minimizante. Em seguida não encontrou dificuldades em atribuir as Chagas a uma falsificação criminosa, executada no corpo de São Francisco depois da morte precisamente por Frei Elias, caráter capaz - diz Hase - de semelhante monstruosidade.

11. À DISTÂNCIA DE CEM ANOS. O P. Otaviano de Rieden O.F.M. Cap. publicou o seu "De sancti Francisci Assisiensis stigmaturn susceptione disquisitio historico-critica luce testimoniorum saeculi XIII" (5). Este estudo marca o ponto em que as pesquisas se encontram no momento, com resultados bem mais positivos e sérios que os apresentados por Hase. Significa para nós a recuperação dos fatos à luz da história crítica e com as garantias mais elevadas na aplicação rigorosa deste método científico. Claro, não mais que estas garantias, que não são absolutas: são históricas, não metafísicas. Mas, pode-se dizer, garantias de nível máximo dentro da categoria histórica.

12. OS DOCUMENTOS QUE POSSUEM ESTA MEDIDA MÁXIMA DE CERTEZA GARANTIDA são os seguintes: o de Frei Elias, "Epistola encyclica de transitu S. Francisci"' (6); a nota que Frei Leão escreveu na "Chartula, quam dedit fr. Leoni" (7); Tomás de Celano, "Vita prima S. Francisci", ns. 94-95 (8) e ns. 112-113 (9). O que se narra nestes documentos é repetido em muitos outros, com informações suplementares. Para a finalidade desta carta bastam as informações dos três textos mencionados. E possuem, como ficou dito, a força de eliminar qualquer dúvida a respeito do fato da estigmatização.

13. A IMPRESSÃO DAS CHAGAS É UM FATO, que não pode ser posto em dúvida, desde que se respeitem as regras do método histórico-crítico. Começaram a formar-se as cinco Chagas durante ou pouco depois da experiência mística de São Francisco no Alverne em setembro de 1224, dois anos antes de sua morte, na visão do "quasi Seraphim sex alas habentem" (10). São Boaventura dá esta ulterior determinação cronológica: "Quodam mane circa festum Exaltationis S. Crucis". (11) As fontes não permitem maior precisão a respeito do dia. Do modo como estas fontes narram o acontecimento, tem-se a impressão de que as Chagas não se produziram de forma abrupta durante a visão, mas foram se formando aos poucos, sem que se possa saber quanto tempo tenha durado este período de formação. "... coeperunt in manibus eius et pedibus quem admodum paulo ante virum supra se viderat crucifixum..."(12) diz Celano. S. Boaventura também diz: "Statim... apparere coeperunt" (13).

14. A FORMA DAS CHAGAS MERECE ESPECIAL ATENÇÃO. As descrições de Frei Elias e de Tomás de Celano apresentam diferenças que foram interpretadas como contradições. No entanto, lendo as duas descrições sem prevenção e com minuciosa atenção, dir-se-á que não existem contradições e que o texto de Tomás de Celano, longe de contradizer, confirma com explicitações o texto de Frei Elias. É importante ter presente as duas descrições. Frei Elias escreveu: "Manus eius et pedes quasi puncturas clavorum habuerunt, ex utraque parte confixas, reservantes cicatrices et clavorum nigredinem ostendentes. Latus vero eius lanceatum apparuit et saepe sanguinem evaporavit" (14). Tomás de Celano, dois anos mais tarde e à vista de Frei Elias e em vida de muitos que tinham visto as Chagas, relata: "Manus et pedes eius in ipso medio clavis confixae videbantur, clavorum capitibus in interiore parte manuum et superiore pedum apparentibus, et eorum acuminibus exsistentibus ex adverso. Erant enim signa ilia rotunda interius in manibus, exterius autem oblongata, et caruncula quaedam apparebat quasi summita clavorum retorta et repercussa, quae carnem reliquam excedebat. Sic et in pedibus impressa erant signa clavorum et a carne reliquia elevata. Dextrum quoque latus quasi lancea transfixum, cicatrice obducta, quod saepe sanguinem emittebat, ita ut tunica eius cum femoralibus multoties respergeretur sdanguine sacro. (15)

15. QUEM VIU AS CHAGAS? São Francisco sentiu o dever de extrema reserva a respeito das Chagas, seguindo nisto uma de suas normas mais firmes: "Beatus servus, qui secreta Domini conservat in corde suo". Os primeiros biógrafos frisam com freqüência esta forte reserva. (17) Assim, segundo Tomás de Celano, em vida de São Francisco só Frei Elias e Frei Rufino viram a Chaga do lado. (18) As Chagas das mãos e dos pés não podiam ser escondidas tão eficazmente, e por certo ao menos os íntimos as viram com certa freqüência. No entanto, durante os dois anos da estigmatização, o segredo das Chagas de modo geral foi bem mantido não só por São Francisco, mas também pelos poucos íntimos que sabiam do acontecido. Isto se reflete também nas notícias transmitidas nos documentos do século XIII: corriam rumores discretos a respeito, não se sabia nada de certo em vida do Santo, é esta a impressão que fica em quem lê com atenção todas as notícias transmitidas e considera o modo de falar a respeito. Como o Santo conseguiu manter este segredo, é difícil de entender, contudo é um fato. Não será demais supor que as Chagas durante os dois anos passaram por várias modificações como cicatrização, reabertura, aumento, diminuição, de modo que os períodos que se poderiam dizer agudos podem ter sido breves e isto facilitaria o segredo e explicaria o fato. Da Chaga do lado se diz que "saepe" emitia sangue, não sempre, e é tudo o que se sabe.

16. DEPOIS DE MORTO, NO ENTANTO, MUITOS PUDERAM VER AS CHAGAS. "Catervatim tota civitas Assisii ruit, et omnis accelerat regio videre magnalia Dei" (20) cernere mirabile erat in medio rnanuurn et pedum ipsius non davorum quidem puncturas sed ipsos clavos ex eius carne compositos, ferri retenta negredine, ac dextrum latus sanguine rubricatum.. . Accurrebant fratres et filii, et coilacrimantes deosculabantur manus et pedes pii patris cos derelinquentis, necnon dextrum latus.. . Maximum donum sibi exhiberi credebat quivis de populo, si admittebatur non solum ad deosculandum, sed etiam ad videnduni sacra stigmata lesu Christi, quae sanctus Franciscus portabat in corpore suo". Santa Clara com suas filhas também viram as Chagas, e puderam beijá-las, quando o corpo de São Francisco por instantes foi deposto na igrejinha de São Damião, antes de ser sepultado na de São Jorge (22). O fato de tantos terem visto as Chagas depois da morte de São Francisco por certo é enorme dificuldade para explicar a laconicidade de Frei Elias em sua comunicação, e a igual laconicidade de Tomás de Celano e o silêncio da bula de canonização (23). Dificuldades estas, porém, que não diminuem a certeza do que narra Frei Elias e Tomás de Celano.

17. UM FATO EXTRAORDINÁRIO, UMA MENSAGEM. Assim é certo que a estigmatização de São Francisco é um fato e não uma lenda. Além de ser fato, e sem deixar de sê-lo, pertence à categoria dos sinais e solicita a resposta duma "leitura". A força do sinal existe, mas está à espera de quem faça esta "leitura". E cada qual a deve fazer para si, só assim poderá comunicá-la a outros. Comunicada, poderá chegar à sua eficácia em comunidade, como deve ser entre franciscanos. Cabe-nos tentar esta "leitura". Demos ao menos alguns passos.

III. O CONFRONTO COM O ALVERNE

18. A PRIMAZIA DE DEUS. O que aconteceu no Alverne durante o mês de setembro de 1224, e as Chagas impressas na carne de nosso Pai São Francisco, significa e manifesta mais que tudo que Deus é Senhor. Deus se apoderou do Homenzinho de Assis e nele agiu como quis'. Esta realidade eterna e irremovível de que "Deus é Senhor" é o fundamento de tudo em nossa vida natural e na vida da graça: sem ela, tudo é obscuro; com ela, tudo é luz. São Francisco assim entendeu o senhorio de Deus e o aceitou com júbilo e reconhecimento: fez desta realidade o ponto de referência constante de tudo em sua vida. Nunca mais do que no Alverne. Possuímos a respeito uma informação excepcional, do próprio punho de São Francisco, um documento escrito no Alverne depois da estigmatização, ainda no vértice da experiência mística: a "Chartula quam dedit fr. Leoni". Diz-nos o que Deus era para ele:

"Vós sois o santo Senhor e Deus único, que operais maravilhas.
Vós sois o forte.
Vós sois o grande.
Vós sois o Altíssimo.
Vós sois o Rei onipotente, santo Pai, Rei do céu e da terra.
Vós sois o Trino e Uno, Senhor e Deus, Bem universal.
Vós sois o Bem, o Bem universal, o sumo Bem, Senhor e Deus, vivo e verdadeiro.
Vós sois a delícia do amor.
Vós sois a Sabedoria.
Vós sois a Humildade.
Vós sois a Paciência.
Vós sois a Segurança.
Vós sois o Descanso.
Vós sois a Alegria e o Júbilo.
Vós sois a Justiça e a Temperança.
Vós sois a Plenitude e a Riqueza.
Vós sois a Beleza.
Vós sois a Mansidão.
Vós sois o Protetor.
Vós sois o Guarda e o Defensor.
Vós sois a Fortaleza.
Vós sois o Alívio.
Vós sois nossa Esperança.
Vós sois nossa Fé.
Vós sois nossa inefável Doçura.
Vós sois nossa eterna Vida, ó grande e maravilhoso Deus, Senhor
onipotente, misericordioso Redentor".(24)

19. O SENHORIO DE DEUS NA VIDA DE SÃO FRANCISCO não começou a ser aceito e vivido por ele no Alverne, a resposta do Pobrezinho não começou ali. O Senhorio de Deus é de sempre, a resposta do filho de Bernardone começara a ser mais intensa em Spoleto 20 anos antes, O Alverne 1224 significa um vértice insuperado. A "Chartula" é a súmula de uma experiência de Deus muito singular, única. Cada qual de suas expressões merece longa meditação e deve ser transportada para a vida concreta todos os dias. Importa pensar o que significa cada qual das palavras numa experiência tão viva como foi a de São Francisco, tão intensa, tão profunda, tão sincera, tão veraz na expressão, a tal ponto que ainda a mais alta expressão poética fica devendo à realidade experimentada. Importa meditar e viver na mesma direção, para caminhar e chegar a vértices cada vez mais elevados. Até que este hino se transforme, também em nossa vida, em expressão sincera de toda a verdade de nossa existência.

20. DEUS NÃO É ALIENAÇÃO, MAS APROPRIAÇÃO E INTERIORIZAÇÃO DO HOMEM. Vivemos sob nuvem espessa e oprimente de acusação blasfema de que "Deus é alienante" e que "o homem, para encontrar-se a si mesmo, deve livrar-se de Deus". Claro, se Deus não existe - como é tese cada vez mais propagada, o ateísmo dos nossos dias - nada mais alienante para o homem e para a humanidade, que a religião, o cultivo duma relação a Deus. Relação que, aceita por força intrínseca, absorve tudo no absoluto e único Deus e reduz o homem a completa e ilimitada e incomensurável dependência, sujeição, heteronomia, propriedade "de outro". Nada mais absurdo, nada mais prejudicial, claro, se Deus não existe. Mas... Deus existe. Fato irredutível e indestrutível. Verdade. Por isto nada mais destruidor do homem, que negar Deus e negar-se a reconhecer a sua supremacia. Nós homens, "o homem" e "a humanidade" não somos realidades absolutas. Se nossa época prova qualquer coisa, prova que o homem, colocando-se no centro da realidade, no centro de si mesmo, referindo-se a si mesmo, se destrói do modo mais completo e se "aliena" de si mesmo do modo mais absoluto: passa a ser absurdo para si mesmo. Só nos libertamos, só nos encontramos, só fugimos da alienação, só temos sentido, só temos meta e destino, só temos história e só temos consistência "em Deus". "Em Deus" não no sentido panteísta de identificação, nem no sentido aniquilador de absorção, mas no sentido difícil e misterioso de criaturas: existentes de fato e em realidade, mas na limitação e em relação. São Francisco, mais que tudo nesta culminância mística do Alverne, o evidencia do modo mais patente: ninguém mais "ele mesmo", em identidade e diferenciação, que São Francisco, porque ninguém como ele referido a Deus. Ninguém mais "realizado" e "promovido" do que ele, e ele nunca mais realizado e mais promovido que quando Deus lançou mão dele dum modo tão completo como no Alverne. Façamos ressoar esta mensagem em nossa alma e transformemos nossa vida numa ressonância desta mensagem.

21. "COM TODAS AS FORÇAS..." Centro, cerne, núcleo do homem, num sentido absoluto, é Deus. Isto na ordem da realidade é um fato. Ao mesmo tempo e estranhamente um fato que nos cabe "realizar": em nossa inteligência, em nossa vontade, em nossa subjetividade, em nossa afetividade, em tudo o que somos. Esta é a tarefa e meta da vida presente. Tarefa que devemos cumprir nós mesmos pessoalmente, e que ao mesmo tempo envolve "os outros": não é uma tarefa que possamos realizar a sós, separados e isolados, individualistas, mas só em comunhão com "os outros". A dimensão de "os outros" é inseparável de nossa tarefa pessoal, mas de tal modo que a tarefa continua "pessoal" e ninguém a pode realizar em nossa substituição. E é a realização desta tarefa que realiza "comunhão". Sem eIa, nenhuma comunhão verdadeira de homens é possível. Nela, toda a comunhão possível se concretiza superabundantemente. Nela se realizam todas as aspirações legítimas do homem, e do homem em comunhão. Por vontade de ação de Deus não só se realizam, mas são sobre-realizadas numa comunhão com Deus que ultrapassa as mesmas possibilidades ativas desta e de qualquer criação possível: na comunhão que nos faz "theías koinoonói physeoos" (25). Nossa comunhão faz parte do mistério de Deus. É comunhão em que não somos absorvidos, mas permanecemos nós mesmos; em que somos um, todos, e contudo permanecemos indivíduos e pessoas. Ninguém mais "ele mesmo" que São Francisco, ninguém mais indivíduo e pessoa, ninguém mais inserido em comunhão.

22. "IPSA CREATURA LIBERABITUR... IN LIBERTATEM GLORIAE FIBIORUM DEI". Nem só nós, os homens, nos libertamos em Deus, mas conosco libertamos toda a criação, todo o cosmos: animais, plantas, minerais, coisas, estruturas, sistemas, economia, política, ciência, técnica, leis, normas, prescrições, relações, variáveis, progresso, maturação - tudo. No "Cântico do Irmão Sol" de São Francisco temos a impressão de entrever já realizada esta libertação integral do cosmos na transfiguração final. Sem Deus, o cosmos está "alienado", está "em pecado", em Deus encontra a si mesmo. A marcha desta libertação é longa e penosa - "como em dores de parto" - durante todo o tempo do éon presente e se realiza por mil modos e caminhos os mais diversos, convergentes, se corretos, para a libertação final. Ciência e técnica também contribuem. E muito. São, porém, instrumentos e não meta, são instrumentos, sim, mas parciais e provisórios "in via", ineficazes diante da culminância última. Apesar de todos os seus limites e apesar de todas as suas crises, andanças e equívocos, são parte do caminho "em dores de parto". A nós cabe continuar o "Cântico do Irmão Sol" de São Francisco com as estrofes nossas, porque este hino não termina em a natureza "natural", envolve também a "nova natureza" da técnica. O desenvolvimento deste destino e a sua realização progressiva em nossa existência acolhe todas as aspirações dos homens de todos os tempos, também as do homem de hoje, as limpa de manchas e de equívocos, corrige os erros, supera as crises e leva à realização acima de todas as aspirações: em Deus. Esta é a tarefa global que nos cabe cumprir em nossa existência para a parte que nos toca. Para ela, São Francisco é um exemplo forte e cheio de fascínio irresistível. Façamos que nós mesmos e todos os nossos irmãos o sejamos também.

23. "EM CRISTO JESUS". Em seus desígnios, Deus realiza este seu projeto de tal modo que converge no Homem Jesus unido ao Verbo, "di' autou apokatalláxai tà pánta"(27). São Francisco não é "o" modelo, muito menos "o ponto de convergência": isto tudo é Cristo Jesus. São Francisco é, sim, uma realização estupenda da inserção em Cristo, da convergência de tudo em Cristo. Por isto mesmo se transformou em mensagem e sinal para nós: ouvindo-o e imitando-o em sua relação a Cristo, progredimos no caminho régio da convergência em Cristo e da realização dos desígnios de Deus com toda a criação. Nada mais evidente na vida do Homenzinho de Assis que esta sua posição "em Cristo Jesus". No assemelhar-se a Cristo seguiu o caminho mais curto e mais íngreme: a obediência integral ao Evangelho, numa forma tão direta e tão imediata que por dom de Deus também externamente se assemelhou a Cristo em seu peregrinar terrestre. Porque Cristo é "o caminho, a verdade e a vida" (28), fora de Cristo não existe possibilidade de realização do homem. O que é realização do homem, o é em Cristo - e o que não o é em Cristo, não é realização do homem. Em a vida de São Francisco, toda ela, isto é evidente, e com as Chagas sua força de sinal cresceu em significação perceptível.

24. "NISI IN CRUCE D0MINI NOSTRI IESU CHRISTI". (29) A culminância do Alverne na vida de São Francisco nos confronta de modo singular com o mistério da Cruz. Percebemos quanto é profundo o contraste das Chagas com o caminho que a humanidade tenta hoje, como o tentou sempre: fuga da Cruz de Cristo, para o sonho ilusório dum paraíso 'terrestre, que contrasta com os desígnios de Deus. Contra este engano perigoso, que hoje se concretiza no consumismo desenfreado e elevado a idolatria, a estigmatização do Alverne possui uma força de mensagem e de sinal incalculável. Os esforços ingentes, tremendos em busca de um paraíso terrestre, que cumprimos hoje, são vãos como sempre foram vãos: não podem produzir senão amarga desilusão. O caminho do destino humano é outro: está marcado pela Cruz. É necessário recolocar esta verdade em nossa mente e realizá-la em nossa vida. Reencontraremos o caminho estreito. (30) O seu roteiro é oposto ao que os homens preferem e está codificado nas Bem-aventuranças, no Sermão da Montanha. Estamos por demais metidos no caminho largo e fácil dos falsos profetas, é hora de passarmos para o caminho estreito de Cristo, o da Cruz. Reencontraremos também a sã austeridade, a disciplina, o rigor de nossa vida franciscana, a pobreza - "Dona Pobreza" - que São Francisco amou porque Cristo a amou.

25. PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO. A Cruz, no entanto, não é a meta, é caminho. Não fomos feitos para a Cruz, fomos feitos para a Páscoa da Ressurreição. Na mística da Cruz - na mística do sofrimento, da austeridade, do martírio... - por vezes, se esquece esta verdade. À primeira vista se tem a impressão de que também São Francisco a esqueceu um pouco. No entanto, basta lembrar a importância que deu à alegria, basta lembrar a alegria com que viveu e que propôs aos seus irmãos, para compreender que também para ele a Cruz era caminho e não meta derradeira. Basta lembrar o trânsito de São Francisco para compreender quanto estava centrado na Páscoa da Ressurreição. É grande vantagem para nós, hoje, que esta verdade da relação da Cruz à Páscoa foi posta novamente na devida luz e está sendo proclamada com força. Importa que seja proclamada ainda com mais força, vivida com mais fidelidade, sentida com mais intensidade e realizada com mais alegria. Não se trata apenas duma ressurreição futura, não se trata apenas duma esperança, mas de uma realidade já presente e ativa, já realizada em nossa vida pelo mistério do batismo. Já estamos misteriosamente na Páscoa da Ressurreição. Mas ao mesmo tempo a esta nossa Páscoa da Ressurreição falta a realização subjetiva em nossa vida: já estamos e ainda não estamos. Entre estes dois termos está o nosso caminho da Cruz.

26. TRÍDUO PASCAL. Feliz a disposição da nova Liturgia da Semana Santa, que conglobou a Cruz no "mistério Pascal". Não nestes termos, não nesta modalidade, mas nos fatos de sua vida e em sua experiência espiritual São Francisco fizera a mesma integração dos mistérios Pascais. No Alverne - isto é um dos aspectos mais fortes do sinal e da mensagem - o Serafim alado que lhe apareceu, apareceu crucificado, mas em luminosidade de glória. Encheu-o de alegria imensa, de felicidade superabundante, mas, porque ele São Francisco estava ainda a caminho, nele as Chagas foram dolorosas, penosas, crucifixão que durou dois anos. Como antes em toda a sua vida, também nestes dois anos de crucifixão sofreu agonia e abandono, passou pela prova dos sofrimentos corporais e passou pela escuridão terrível das noites místicas. Agonia e escuridão, porém, que se transfiguravam de luz e glória na alegria profunda e exuberante que nunca o deixava. Frisam-no muitas vezes os seus primeiros biógrafos. Esta alegria lhe vinha de ser assemelhado a Cristo no caminho da Cruz, e de saber que assim avançava em direção à Ressurreição em Cristo. A morte para ele foi deveras um trânsito desta vida à vida perene, na esperança da ressurreição do corpo. Esta integração dos vários elementos do mistério Pascal é mensagem forte para nossos dias. É mensagem contra o "aleluia" enganador dos que pensam já estar para além da Cruz e da prova. É também mensagem e correção forte contra austeridade, ascese, rigor, cultivo de sofrimento como meta e como fundamento de espiritualidade - deformação da mensagem cristã e sementeira ou fruto de deformações psíquicas - em vez de elemento a caminho, instrumento, condição da vida presente, corretivo de nossas imperfeições, da concupiscência que não deixa de ser ativa nem mesmo nos batizados enquanto vivos sobre esta terra.

27. SANTA MARIA. A capelinha que São Francisco fez erigir no Alverne, à sua chegada - feita de paus e de ramos então, nesta primeira e única quaresma que o Santo passou no alto do monte - dedicou-a a Maria dos Anjos. Maria Santíssima está presente na sua vida interior em tudo. Com Cristo, em Cristo, para São Francisco tinha que estar sempre a Mãe de Cristo. Sua devoção à sua Senhora, à sua Rainha, à Mãe do seu Senhor era profunda, terna e sentida, com os acentos do cavalheirismo medieval. Não sabemos particularidades a respeito do exercício de devoção marial no Alverne em 1224, mas o fato de ter dedicado a capelinha a Santa Maria dos Anjos diz que aí esteve muitas vezes entretido com sua Rainha. O Concílio nos convidou a que aperfeiçoássemos nossa piedade marial e a limpássemos de exageros e deformações. Isto, certamente, não significa, na intenção do Concílio, que devamos eliminar a devoção e que devamos agir indiscriminadamente contra a religiosidade popular de veneração e confiança na Mãe de Deus. Significa, sim, um aprofundamento e um progresso na direção de formas de devoção em verdade, fé, confiança, amor, imitação. Aconteceu que houve uma inflexão sensível na piedade marial, e é tempo de recuperar-nos. Ponhamos, com São Francisco, Santa Maria em nosso Alverne. Quanto mais nossa piedade marial for autêntica e conforme à fé, tanto mais será intensa e sentida. Como a de São Francisco.

28. VIDA DE ORAÇÃO. Alverne mostra que São Francisco, ainda no fim de sua vida, sentia a necessidade do que hoje chamamos "tempos fortes de oração" e de "experiência do deserto". Sua absorção em Deus era fortíssima e profundíssima, a tal ponto que tudo de fato era oração: o trabalho, o contato com os seus irmãos, o seu peregrinar apostólico, a convivência e o encontro com as criaturas todas. No entanto, sentia ainda "o pó das estradas que se apega aos pés dos apóstolos", sentia ainda a necessidade de retemperar sua vida de oração com estas "quaresmas" de vida retirada, em maior rigor de penitência e em maior radicalidade de recolhimento, em maior plenitude de oração. Frisa-se com razão que oração e vida, oração e trabalho, oração e convivência humana, oração e apostolado, oração e experiência do cosmos devem formar uma unidade e não devem se justapor, muito menos se impedir. Mas facilmente esquecemos que este "deve ser assim" é altíssima meta e que na vida presente esta convergência e identificação não costumam ser um fato cotidiano, são meta distante e raras vezes atingida. Nada mais pernicioso para a vida de oração do que imaginar ter atingido a meta quando ainda não se chegou até lá.

29. ORAÇÃO QUE CHEGA A SER VIDA DA ALMA. Se por certo necessitamos de "tempos fortes de oração" e de "tempo de deserto", precisamos também cuidar de que nos entretempos a oração não míngüe, que seja de fato a vida da alma, a realidade ininterrupta, constante de nossa existência. É só na oração que em Deus deveras encontramos os irmãos e encontramos a criação, o apostolado, o trabalho, encontramos nossa realização e promoção, trabalhamos para a dos outros: pois é na oração que realizamos subjetivamente o consórcio da natureza divina, que realizamos nosso estar "em Cristo". São Francisco progrediu tanto neste caminho, que se transformou num sinal e numa mensagem eloqüente de quanto o mesmo "humanum" se realiza nestas altas sendas da vida espiritual. Não se progride na vida espiritual por alienação, mas por integração: esta a mensagem do Alverne. Apenas: é necessário estar atento com nossa fraqueza e não queimar as etapas. Na mesma medida em que a oração chega a ser vida de nossa alma e o for de modo integral, nesta mesma medida estaremos progredidos na integração de tudo em Deus. Tudo será oração.

CONCLUSÃO

30. São Francisco partiu do Alverne em 1224 com um grande mistério escondido em sua alma. Se não pôde esconder inteiramente as Chagas, escondeu bem recôndito o que tinha vivido em tantos dias de intimidade com Deus, com Cristo, com Maria Santíssima, mais que tudo o que tinha vivido e experimentado durante a aparição do Serafim crucificado e o que significa esta aparição. Algo transparece na "Chartula" que escreveu para Frei Leão, O mais o levou para o além como o "segredo do Rei". Contudo, sem podermos saber o conteúdo, sabemos que o Alverne é para São Francisco uma experiência única de vida com Deus. As Chagas que portou durante dois anos foram o sinal permanente desta experiência e o mantiveram unido a ela. Também para nós, embora desconheçamos o segredo desta experiência mística, o Alverne é uma lição altíssima e intensa, uma mensagem forte, um estímulo poderoso. Há 750 anos este santo monte está presente na mente de todos os filhos de São Francisco, chamando-os e estimulando-os à vida com Deus, em Cristo, na Cruz, para a Páscoa da Ressurreição. Terminadas as comemorações jubilares, que o santo monte Alverne continue a influir poderosamente em nossa alma.

Que São Francisco nos consiga para todos esta graça.

Roma, em Santa Maria Medianeira, aos 24 de Agosto de 1975.

FREI CONSTANTINO KOSER O.F.M.
Ministro Geral

Notas
1. Cel. 211, cap. 70, in Anal. Franc. vol. X, Quaracchi 1926-1941, p. 252. Edição brasileira, Vozes, Petrópolis 1975. p: 206-207. "Levava a cruz enraizada em seu coração. Por isso fulgiam exteriormente em sua carne os estigmas, cuja raiz tinha penetrado profundamente em seu coração".
2. (2 Lc 2,34)
3. "Anhang: Untersuchung der Wundmale" de seu livro: Froj: von Assisi, Em Helligenbild, Leipzig. 1856, p. 143-202.
4. Ct. o texto em Anal. Franc. vol. X, p. 526s, n. 5.
5. Em: Coil. Franc. XXXIII (1963), p. 210-266; 382-422; XXXIV (1964), p. 5-62; 241-338.
6. Anal. Franc. vol. X, p. 526s, n. 5.
7. Opuscula S. P. Francisci, Quaracchi 1949, p. 199. Os Escritos de São Francisco de Assis, Vozes 1970, p. 179.
8. Anal. Franc. vol. X, p. 72-73. Celano, Vida de São Francisco de Assis, p. 60 e 61.
9. Loc. cit., p. 88. Celano, Vida de São Francisco, p. 71-72.
10. 1 Cel. n. 94, Anal. Franc. vol. X, p. 79.
11. Leg. Maior, cap. 13, n. 3, Anal. Franc. vol. X, p. 616, n. 3.
12; Loc. cit., p. 79.
13. Loc. cit., p. 617.
14. Epistola, n. 5. Anal. Franc. vol. X, p. 526-527.
15. 1 Cel. 94, Anal. Franc. vol. X, p. 72-73.
16. Admon. XXVIII, Quaracchi, 1949, p. 19.
17. Cf. p. ex., 1 Ccl. n. 95-96, Anal. Franc. vol. X, p. 73-74; cf. também lc. p. 189; 207;
S. I3oaventura, Leg. Maior, Anal. Franc. vol. X, p. 583; 603; 617.
18. 1 Cel. n. 95, Anal. Franc. vol. X, p. 73.
19. Frei Elias, na Epístola, n. 5, Anal. Franc. vol. X, p. 527; Tomás de Celano diz "multoties", cl. 1 Cel. 64, Anal. Franc. vol. X, p. 73.
20. 1 Cel. n. 112, Anal. Franc. vol. X, p. 87. Celano, Vida de São Francisco de Assis: 'Toda a cidade de Assis veio em peso, e a região inteira acorreu para presenciar as grandezas de Deus".
21. 1 Cel. n. 113, Anal. Franc. vol. X, p. 88. Celano, Vida de São Francisco de Assis: 'Era admirável ver em suas mãos e pés não as feridas dos cravos mas os próprios cravos, formados por sua carne, com a cor escura do ferro, e a seu lado direito rubro de sangue... Acorriam os frades seus filhos e, chorando, beijavam as mãos e os pés do piedoso pai que os deixava, e também o lado direito, cuja chaga era uma lembrança preclara daquele que também derramou sangue e água deste mesmo lugar e assim nos reconciliou com o Pai. Para as pessoas do povo era o maior favor serem admitidas não só para beijar mas até só para ver os sagrados estigmas de Jesus Cristo, que São Francisco trazia em seu corpo".
22. 1 Cel. n. 116-117, Anal. Franc. vol. X p. 91-93.
23. "Mira circa nos", de 19-7-1228, embora Gregório IX na "Usque ad terminos" de 31-3-1237 afirme que os estigmas foram para ele "causa specialis" para a canonização.
24. Opuscula S. P. Franciscj, Quaracchi 1949, p. 124-125. Os Escritos, p. 179-180. "di' autoã
25. 2Pdr 1,4.
26. Rom 8,21.
27. Col 1,20.
28. Jo 14,6.
29. Gál 6,14.
30. Mt 7,14.

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