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O MONTE ALVERNE
Na Toscana, existe um monte rochoso e coberto
de bosques, inacessível e sublime, com fendas
horríveis cobertas de musgo e de frescor. Há
muitos anos, o conde Orlando de Chiusi lho doara,
em sinal de devoção, para que se servisse
dele nos seus encontros com Deus.
Em agosto de 1224 subiu Francisco com alguns irmãos
os mil e trezentos metros do Monte Alverne. É
difícil ao turista que sobe hoje de automóvel
esse monte, imaginar o que significava para Francisco,
já esgotado, viajar a lombo de burro pelos
caminhos sinuosos até chegar ao cimo da montanha,
onde ela parece abrir-se subitamente, oferecendo,
do alto duma rocha íngreme, vista para os vales
lá embaixo. Cuidados, privações
e enfermidades tinham enfraquecido o corpo desse homem
de quarenta e dois anos. Francisco sempre se sentiu
à vontade nos cumes das montanhas. Desejava
afastar-se das últimas preocupações
a respeito de sua Ordem, das decepções
e da falta de compreensão. Pediu que o levassem
a uma abertura na rocha, onde ainda se vê uma
grade no lugar em que ele dormia; pode-se supor que
não foi mudada muita coisa naqueles blocos
de pedra úmidos e mofados.
Ano após ano, penetrava cada vez mais na essência
de Deus até chegar à mais elevada forma
que se possa imaginar na terra: à contemplação
mística de Deus. É esta contemplação
mística que ele experimentará de uma
forma única na solidão do Alverne, pelo
espaço de quarenta dias (de 15 de agosto até
29 de setembro, festa de São Miguel). Ele se
retira do convívio de seus irmãos e
só o irmão Leão pode lhe levar
diariamente um pouco de pão e água durante
a sua viagem mística ao invisível.
(Do livro Francisco de Assis, Profeta de Nosso Tempo,
de N. G. Van Doornik)
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