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O SERAFIM DO AMOR
Realizei alguns retiros no Monte Alverne, na região
da Toscana, onde Francisco vivenciou os estigmas.
Lá, encontrei um monge budista. Quando perguntei
o seu nome, ele respondeu: "Eu não tenho
nome. Chamamos este lugar de encontro. Quero que você
me chame Francisco".
As boas fontes franciscanas dizem que, de repente,
Deus tocou profundamente Francisco. Ele é um
imitador perfeito dos caminhos do Senhor Jesus, e
todo aquele que é marcado pelos dedos terríveis
desse amor, a ele é impossível não
trazer essas marcas em seu corpo. Teologicamente,
espiritualmente, dizemos que o anjo, o Serafim alado,
veio e marcou o corpo dele com aquelas chagas do Amado.
E para sempre o amor tomou forma num corpo. Porque
o amor estava no seu coração, e o que
está no coração toma conta do
corpo, da história, da vida e deixa marcas
profundas.
As pessoas que se amam verdadeiramente vão
ficando parecidas, não é mesmo? Às
vezes observamos que, quanto mais velhos ficam nossos
pais, mais se assemelham fisicamente. Naquele retiro
eu queria entender o que significavam as chagas de
Francisco. O monge me respondeu que, de acordo com
sua cultura oriental, todas as nossas energias, o
nosso potencial de amor, a nossa fonte do amor, brotam
de dentro para fora, e não de fora para dentro.
Ele disse que, em sua grande capacidade de amar, Francisco
explodiu, seu coração se fez como o
Sagrado Coração. O coração
de quem ama muito faz assim: Pluf! Salta para fora.
E o coração dele abriu-se em chagas,
em estigmas. Enraizado naquela terra, naquele chão
que ele conhecia e pisava, seus pés ficaram
marcados com as chagas do Amor.
A concretude do amor estava nas suas mãos,
nos seus pés. É nas extremidades vitais
que circulam as energias mais poderosas. E foi aí
que o amor transbordou na vida de Francisco. Penso
que, quando amamos profundamente, todas as experiências
humanas e religiosas nos marcam com as marcas profundas
do amor. Quem dá o coração, recebe
corações. Isso eu aprendi com Francisco,
com o cristianismo e também com o budismo.
Eu tenho um mestre taoísta, Chuang Tzu. Eu
o leio com a mesma paixão que leio o Evangelho,
com a mesma paixão com que leio as fontes franciscanas.
Do texto "Dançar o Amor", de
Frei Vitório Mazzuco F°.
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