A Bíblia foi escrita
em três línguas
A Bíblia não foi escrita numa única
língua, mas em três línguas diferentes.
A maior parte do Antigo Testamento foi escrita em hebraico.
Era a língua que se falava na Palestina antes
do cativeiro. Depois do cativeiro, o povo de lá
começou a falar o aramaico.
Mas a Bíblia continuou a ser escrita, copiada
e lida em hebraico. Para que o povo pudesse ter acesso
à Bíblia, foram criadas escolinhas em
toda a parte. Jesus deve ter frequentado a escolinha
de Nazaré para aprender o hebraico. Só
uma parte bem pequena do Antigo Testamento foi escrita
em aramaico.
Um único livro do Antigo Testamento, o livro
da Sabedoria, e todo o Novo Testamento foram escritos
em grego. O grego era a nova língua do comércio
que invadiu o mundo daquele tempo, depois das conquistas
de Alexandre Magno, no século IV antes de Cristo.
Assim, no tempo de Jesus, o povo da Palestina falava
o aramaico em casa, usava o hebraico na leitura da
Bíblia, e o grego no comércio e na política.
Quando os apóstolos saíram da Palestina
para pregar o Evangelho aos outros povos, eles adotaram
uma tradução grega do Antigo Testamento,
feita no Egito no século III antes de Cristo
para os judeus imigrantes que já não
entendiam mais o hebraico nem o aramaico.
Esta tradução grega é chamada
Septuaginta ou Setenta. Na época em que ela
foi feita, a lista (cânon) dos livros sagrados
ainda não estava concluída. E assim
aconteceu que a lista dos livros desta tradução
grega ficou mais comprida do que a lista dos livros
da Bíblia hebraica.
É desta diferença entre a Bíblia
hebraica da Palestina e a Bíblia grega do Egito,
que veio a diferença entre a Bíblia
dos protestantes e a Bíblia dos católicos.
Os protestantes preferiram a lista mais curta e mais
antiga da Bíblia hebraica, e os católicos,
seguindo o exemplo dos apóstolos, ficaram com
a lista mais comprida da tradução grega
dos Setenta.
Há sete livros a mais na Bíblia dos
católicos: Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico,
Sabedoria, os dois livros dos Macabeus, além
de algumas partes de Daniel e de Ester. São
chamados "deuterocanônicos", isto
é, são da segunda (deutero) lista (cânon).
Texto da "Bíblia Sagrada", da Editora
Vozes
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