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       São Paulo, 08/01/2009, 20:01          
 
LITURGIA - 08/06/2008 - 10º Domingo do Tempo Comum/Ano A

 Jesus chama dos pecadores 

Há quem diga que o evangelho de hoje é
auto-retrato do evangelista Mateus. De fato,
o trecho conta a vocação do publicano
Mateus – ou Levi, como é chamado nos
outros evangelhos – por Jesus, enquanto
estava exercendo sua função na coletoria
de taxas, espécie de posto de pedágio
(terceirizado) do Império Romano na terra de
Israel (Mt 9,9-13). Os cobradores eram
chamados “publicanos”; eram funcionários
públicos a serviço do imperialismo
estrangeiro e terrivelmente desprezados
pelos “bons judeus”. Jesus chama
alguém dessa categoria para ser seu
discípulo. Pior: vai jantar com ele e seus
colegas, considerados pecadores. Os
fariseus criticam-no. Jesus, então, responde
com uma parábola: um médico não vem
para pessoas sadias, mas para doentes.

E acrescenta um argumento da Sagrada Escritura: “Misericórdia eu quero, não sacrifícios”, texto do profeta Oséias, que critica uma religiosidade externa  e meramente ritual da parte de pessoas que desconhecem a misericórdia, primeira qualidade de Deus e primeira exigência nas relações entre as pessoas (1ª leitura).

Os pecadores notórios convidam Jesus à mesa; em contraposição, os considerados justos acham isso um desacato. Consideram a justiça monopólio deles. Assim fazendo, perdem a “justiça”que só o Deus da misericórdia nos pode atribuir, por pura bondade, sem que o mereçamos. A vocação dos pecadores revela a gratuidade divina de nossa salvação. Deus nos dá seu amor porque precisamos dele, não porque o merecemos. Deus não exclui ninguém, nem mesmo aquele que se apresenta diante dele com as mãos vazias, mas com verdadeira vontade de conversão no coração (é o que faltava aos fariseus).

A melhor maneira de entender a lógica de Deus é fazer como ele: superar o formalismo e dar a cada um o mesmo crédito que Jesus deu a Mateus... A comunidade eclesial deve se tornar o instrumento da “misericórdia convidativa” de Cristo. E os pecadores que aceitarem o convite devem por sua vez convidar os outros (como fez Mateus).
Portanto, não é preciso ser santo para ser chamado por Cristo. Deus nos chama para tornar-nos santos. Ninguém é justo por si mesmo. Jesus chamou os pecadores, para mostrar que todos devem converter-se para receber a misericórdia de Deus.

Com essa lição combina muito bem a 2ª leitura. Paulo explica que Abrahaão foi considerado justo por Deus não por causa de sua vida exemplar – teve as fraquezas humanas de todo mundo -, mas por causa de sua fé, quando Deus lhe prometeu um filho na sua velhice. Nessa confiança, ele se mostrou “amigo de Deus” (Rm 4,18-25, cf. Gn 15,5-6).

O problema hoje é que muitos vivem uma vida tão ambígua quanto a dos publicanos, mas não admitem de modo algum que precisam de conversão....

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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