Untitled Document
Provincia Fraternidades Carisma Sefras SAV Missões Multimidia
       São Paulo, 08/01/2009, 21:40          
 
LITURGIA - 15/06/2008 - 11º Domingo do Tempo Comum/Ano A
 Deus precisa de gente

Deus quis precisar do ser humano.
Quis ter um povo para si, um povo
santo, um povo “sacerdotal”, para
santificar o mundo todo em seu
nome; um povo que fizesse sua
vontade, realizasse seu reino: “um
reino de sacerdotes e uma nação
consagrada” (Ex 19,6; 1ª leitura). Essa vocação do povo, na ocasião da proclamação da Lei no monte Sinai, prefigura aquela vocação mais plena que, no monte da Galiléia, Jesus dirigiu a doze humildes galileus.  Eles são como que representantes das doze tribos de Israel, e ele os manda para a colheita messiânica, para ceifar com a palavra do evangelho, anunciando a vinda do Reino. Eles são o começo do verdadeiro Israel, o novo povo de Deus. Os sinais disso são os prodígios que os acompanham na sua missão: curam enfermos, limpam leprosos, ressuscitam mortos, expulsam demônios... (Mt 10,8, evangelho).


Mt inseriu esse episódio, significativamente, depois dos dois conjuntos iniciais da atividade de Jesus, sua pregação (Mt 5-7) e sua atividade milagrosa (Mt 8-9). A missão que os apóstolos recebem é, exatamente, a de pregar e de curar: fazer a mesma coisa que fez o Messias. Eles são seus colaboradores e continuadores na ceifa messiânica. Jesus quer pôr um fim à situação desoladora de um povo que é como ovelhas sem pastor (9,36). Conforme a linguagem de Ezequiel, nos últimos tempos, Deus mesmo, através de seu Messias, reunirá as ovelhas dispersas e se tornará o Bom Pastor (Ez 34). É nesta missão que os apóstolos vão participar, realizando, assim, a plenitude do povo eleito, dos cooperadores de Deus.

Acreditamos que a Igreja é a comunidade construída sobre o fundamento dos apóstolos, a “Apostólica”. Ela não está em função de si mesma, mas é povo-testemunha de Deus e do seu Enviado. Ela recebe a tarefa de pregar a Boa-Nova e confirmá-la por sinais que mostrem a “graça”, a amizade de Deus. A Boa-Nova, a mensagem do Reino, é inesgotável, porque é o próprio plano de Deus, a ‘justiça” de Deus, o bem que ele sonhou e que agora vai ser executado. Anunciar o Reino de Deus é, pois, colocar-se a serviço de sua justiça, como o servo de Deus, o Justo e Santo, o Filho que pertence plenamente ao Pai.

 A Igreja, se ela quiser ser evangelizadora - não apenas organizadora ou doutrinadora -, terá que ser transformada, sempre de novo, pela graça de Deus, numa comunidade que lhe é dedicada, que lhe é “própria”: um povo santo. E esta santidade deverá mostrar-se em atos, que serão sinais de que Deus está com ela, como eram os sinais dos profetas e de Jesus mesmo, quando curava o povo. Que esses sinais escapem as conhecidas leis da física é secundário, nem todos os milagres são fisicamente inexplicáveis. O importante é que os gestos do projeta e da comunidade profética testemunhem uma presença ativa de Deus, falem de Deus, sejam sinais visíveis do Invisível. Reivindicar a justa distribuição dos bens econômicos pode ser um desses sinais.

 O mesmo se pode dizer da ação em prol dos direitos humanos, da conservação do ambiente natural etc. Tais atividades estão no mesmo plano que curar os enfermos e ressuscitar os mortos, os prodígios que Jesus mandou os Doze fazerem em sinal da boa-nova do Reino de Deus. Mas o importante é, sobretudo, a proclamação desse Reino, que é transcendente e, a rigor,  invisível, pois ele ultrapassa sempre aquilo que a gente vê, e é sempre mais exigente do que a gente pensa. É o reino do amor sem fim.

A 2ª leitura continua apresentando o texto de Rm 5,6-11, que vem oportunamente sublinhar um subentendido fundamental das duas outras leituras: a “compaixão”,  a misericórdia, o amor gratuito de Deus. Ele nos amou enquanto éramos inimigos (onde já  se viu?) e deu seu Filho por nós.

Importa explicitar, hoje, que a missão dos Doze não concerne só a eles: o número “doze” representa as 12 tribos do novo Israel, que é a Igreja do Cristo. Nós somos o povo de Deus, o povo de testemunhas e cooperadores de sua justiça e de seu reino (cf. prefácio dom. do T.C. I).

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
notícias as três ordens são francisco santa clara fontes franciscanas santosDocumentos símbolos franciscanos artigos orações
   
Provincia
[Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil] - Copyright © 2008 Franciscanos.org.br
Todos os direitos Reservados.