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       São Paulo, 08/01/2009, 20:57          
 
LITURGIA - 15/06/2008 - 11º Domingo do Tempo Comum/Ano A

 Os doze apóstolos e o 
 novo povo de Deus 


O evangelho narra a vocação e a
missão dos doze apóstolos de
Jesus. O número doze tem um
significado simbólico muito forte.
No Antigo Testamento, Deus
escolheu as doze tribos de Israel
para ser seu “povo sacerdotal”, povo que devia celebrar e mostrar aos outros povos a santidade de Javé, sua Lei e seu reino (1ª leitura). Ora, o evangelho conta que Jesus encontrou a massa popular abatida e exausta. Pediu então operários para a “colheita messiânica”, para reconstruir, a partir dessa massa dispersa, o povo de Deus. De acordo com a estrutura do antigo povo das doze tribos, nomeia doze representantes do novo povo de Deus. Eles serão os operários da colheita. Esses doze operários, Jesus os manda anunciar o reino e curar  as doenças. E, pensando no “aqui e agora” , os manda primeiro às ovelhas desgarradas de Israel Depois de sua ressurreição, enviá-los-á a todas as nações (Mt 28,16-20).


Nosso povo também está abatido, oprimido. Observamos a decadência social, e até física, das populações da periferia e do interior, a desorientação dos jovens, a violência crescente etc. Isso não nos deve desanimar: é um desafio. A consciência comunitária e a missão evangelizadora podem transformar a situação, como acontece, por exemplo, em comunidades de base que realmente vivem o evangelho.

Pelo número dos seus “operários”, Jesus manifestou a intenção de constituir um povo novo para Deus. De imediato, mandou-os às ovelhas perdidas do povo de Israel. Jesus reconstruiu o povo com base nos símbolos de sua tradição religiosa e cultural, tomando como referência as doze tribos de Israel. Isso é uma lição para nós. Povo para Deus não se constrói destruindo sua identidade. Será que nós respeitamos, ou melhor, devolvemos à multidão popular (índios, negros...) sua identidade? Damo-lhes representantes conforme as feições próprias deles?

Além disso, Jesus os envia a anunciar e a curar.  As curas são sinais de que no âmbito da missão de Jesus se realiza o que Deus deseja, o bem de seus filhos. Em nossa missão evangelizadora,  a palavra deve ser acompanhada da prática transformadora. É preciso  levar  “amostras do Reino”.

Deus e Jesus quiseram a ajuda de um povo. O Reino de Deus não pode ser realizado sem o povo, ainda que fraco e até inconfiável (como revela o caso de Judas). O paternalismo pastoral (fazer para, mas não com...) é condenável. O povo deve participar ativamente, pelo anúncio e pela ação transformadora, da realização do Reino de Deus.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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