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       São Paulo, 08/01/2009, 20:21          
 
LITURGIA - 22/06/2008 - 12º Domingo do Tempo Comum
 Intrépida profissão de fé

Para ser povo sacerdotal e profético (tema
de domingo passado), a Igreja deverá
enfrentar a sorte dos profetas; pois morrer
ou ser rejeitado pelos próprios destinatários
da mensagem é uma constante na vida dos
profetas. É o que ocorreu a Jeremias,
embora tivesse certeza de que, em última
instância, Deus estava com ele
(Jr 20,10.13,1ª leitura; o salmo responsorial
fala no mesmo sentido). A Igreja conhecerá
perseguições, mas não deve ter medo: na
tentação, Deus estará com ela. É um tema
preferido de Mt, que forma a moldura de seu
evangelho: “Emanuel, Deus conosco” (1,23)
- “Estarei convosco até o fim do mundo”
(28,20). Quando a Igreja cumprir sua missão
profética, não deverá recear os que matam o
corpo, pois Deus cuida até de um par de
pardais (evangelho). Não estão os cabelos de nossa cabeça contados?


Por outro lado, quem confessar o Cristo diante dos homens, Cristo o confessará
 diante de Deus (dará um palavrinha de recomendação). Mas, quem se envergonhar por
causa do Cristo, o Filho do Homem terá vergonha dele também diante do Pai. Isso aí
 não é uma espécie de revanche de Jesus, mas a mais pura lógica: ele veio para ser o servo e profeta da justiça, da vontade salvadora do Pai. Ele nos associou a sua obra (cf
dom. passado). Então, se nós o renegamos, que fazemos da missão que ele nos confiou? Como poderíamos ainda ter parte com ele? Se ele não pode contar com nossa adesão - ainda que frágil -, nós também não podemos contar com ele, pois somos seus amigos, e amizade é recíproca por natureza.

A primeira Igreja era muito severa quanto à desistência da fé, a “apostasia”. Tinha
consciência de que não se pode ser amigo pela metade, fiel um dia, outro não. Os que
vacilavam eram severamente censurados e, se recaíssem, excomungados, entregues ao juízo de Deus. Por não termos bem presente a origem de nossa fé, nós já não somos mais tão exigentes; mas a amizade com Jesus continua exigente de per si, independentemente de nossa atmosfera sócio-religiosa.

A 2ª leitura - um tema à parte - será explicada no 1° dom. da Quaresma. Continua
a meditação sobre a revelação da graça de Deus, que é o tema central de Rm. Na leitura
de hoje, este tema chega ao auge: onde abundou o pecado, aí superabundou a graça.
Tudo quanto foi lido nos domingos anteriores sobre a fé na salvação gratuita de Deus
era preparação para ouvir as palavras do Apóstolo hoje: o pecado estragou tudo, não
podíamos mais nada por nós mesmos, mas a graça de Deus superou tudo isso: “Se pela
falta de um só todos morreram, com quanta maior profusão a graça de Deus e o dom
gratuito de um só homem, Jesus Cristo, se derramaram sobre todos”.

Assim, o espírito fundamental deste domingo é de profundo reconhecimento e
gratidão pela graça de Deus, manifestada no dom da vida de Jesus Cristo. Este reconhecimento nos leva a uma convicta profissão de que Jesus é o Salvador de nossa
vida. E, apesar da ameaça ou escárnio que este testemunho encontra, sabemos que ele
está conosco.

Vivemos numa sociedade na qual testemunhar Cristo significa testemunhar a justiça, contra os que fazem do lucro seu ídolo. Desistir de testemunhar a justiça é apostasia, é ceder à idolatria. O cristão sabe que Deus deu seu Filho por ele, por mera graça.

Por isso, empenha-se para que a graça, encarnada em estruturas de justiça, afaste a desgraça dos ídolos do poder. Professa sua fé mediante a prática da transformação social em nome de Cristo e de seu Reino.



Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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