Untitled Document
Provincia Fraternidades Carisma Sefras SAV Missões Multimidia
       São Paulo, 08/01/2009, 19:58          
 
LITURGIA - 29/06/2008 - Solenidade de São Pedro e São Paulo

 O Papa, o missionário e a comunidade

Popularmente, a festa de hoje é chamada o
Dia do Papa, sucessor de Pedro. Mas não
podemos esquecer que ao lado de Pedro
é celebrado também Paulo, o Apóstolo,
ou seja, missionário, por excelência.

No evangelho, o apóstolo Simão responde
pela fé de seus irmãos. Por isso, Jesus lhe
dá o nome de Pedro. Este nome é uma
vocação: Simão deve ser a “pedra”(rocha)
que deve dar solidez à comunidade de Jesus
(cf. Lc 22,32). Esta “nomeação”vai
acompanhada de uma promessa: as “portas”
(cidade, reino) do inferno não poderão nada
contra a Igreja, que é uma realização do reino
“dos Céus” (= de Deus). A 1ª leitura ilustra
essa promessa: Pedro é libertado da prisão
pelo anjo do Senhor. Pedro aparece, assim, como o fundamento institucional da Igreja.


Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático. Sua vocação se dá na visão de Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, ele se transforma em apóstolo e realiza, mais do que os outros apóstolos inclusive, a missão que Cristo lhes deixou, de serem suas testemunhas até os extremos da terra (At 1,8). Apóstolo dos pagãos, Paulo torna realidade a universalidade da Igreja, da qual Pedro é o guardião. A 2ª leitura é o resumo de sua vida de plena dedicação à evangelização entre os pagãos, nas circunstâncias mais difíceis: a palavra tinha que ser ouvida por todas as nações (v. 17). Não esconder a luz de Cristo para ninguém! O mundo em que Paulo se movimentava estava dividido entre a religiosidade rígida dos judeus farisaicos e o mundo pagão, cambaleando entre a dissolução moral e o fanatismo religioso. Neste contexto, o apóstolo anunciou o Cristo Crucificado como sendo a salvação: loucura para os gregos, escândalo para os judeus, mas alegria verdadeira para quem nele crê. Missão difícil. No fim de sua vida, Paulo pode dizer que “combateu o bom combate e conservou a fé/fidelidade”, a sua e a dos fiéis que ele ganhou. Como Cristo – o bom pastor – não deixa as ovelhas se perderem, assim também o apóstolo – o enviado de Cristo – conserva-lhes a fidelidade.

Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica, diferentes mas complementares. As duas foram necessárias, para que pudéssemos comemorar  hoje os fundadores da Igreja universal. Esta complementariedade dos carismas de Pedro e Paulo continua atual na Igreja hoje: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária. Pode até provocar tensões, por exemplo, uma teologia “romana”versus uma teologia latino-americana. Mas é uma tensão fecunda. Hoje, sabemos que o pastoreio dos fiéis – a pastoral – não é monopólio dos “pastores constituídos”como tais, a hierarquia. Todos fiéis são um pouco pastores uns para com os outros. Devemos conservar a fidelidade a Cristo – a nossa e a dos nossos irmãos – na solidariedade do “bom combate”.

E qual será, hoje, o bom combate? Como no tempo de Pedro e Paulo, uma luta  pela justiça e a verdade em meio a abusos, contradições e deformações. Por um lado, a exploração desavergonhada, que até se serve dos símbolos da nossa religião; por outro, a tentação de largar tudo e de dizer que a religião é um obstáculo para a libertação. Nossa luta é, precisamente, assumir a libertação em nome de Jesus, sendo fiéis a ele; pois, na sua morte, ele realizou a solidariedade mais radical que podemos imaginar.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

notícias as três ordens são francisco santa clara fontes franciscanas santosDocumentos símbolos franciscanos artigos orações
   
Provincia
[Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil] - Copyright © 2008 Franciscanos.org.br
Todos os direitos Reservados.