Jesus glorioso manda o Espírito Santo de junto do Pai. No Evangelho, João narra como, no próprio dia da Páscoa, Jesus comunica aos apóstolos e o Espírito Santo, para que exerçam o poder de perdoar os pecados. Pois Jesus é “o cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jô 1,29), e os discípulos devem continuar essa missão.
Já São Lucas distingue diversos momentos. Depois de ter falado da Páscoa da Ressurreição e da Ascensão de Jesus como entrada na glória, Lucas descreve a manifestação do Espírito Santo, aos cinqüenta dias depois da Páscoa, no Pentecostes (que significa “quinquaségimo dia”) (1ª leitura). Nesse dia, em que a religião de Israel comemora o dom da lei no monte Sinai, descem sobre os apóstolos como que línguas de fogo, para que eles proclamem o evangelho a todos os povos, representados em Jerusalém pelos romeiros da festa, que ouvem a proclamação cada qual em sua própria língua.
Entre os primeiros cristãos, os de Corinto gostavam demais do “dom das línguas”, pelo qual eles podiam exclamar frases em línguas estranhas. Mas Paulo os adverte de que os dons não se devem tornar fonte de desunião. Os fiéis, com sua diversidade de dons, devem completar-se, como os membros de um mesmo corpo (2ª leitura). No milagre de Pentecostes, um fala e todos entendiam (em sua própria língua). No “dom das línguas”, ou glossolalia, corre-se o perigo de que todos falem e ninguém entenda. Por isso, Paulo prefere um falar que todos entendam (ler 1Cor 14).
Nós hoje devemos renovar o milagre de Pentecostes: falar uma língua que todos entendem: a linguagem da justiça e do amor. É a linguagem de Cristo, e é uma “língua de fogo!” Aliás, o evangelho nos lembra que a primeira finalidade do dom do Espírito é tirar o pecado do mundo (Jo 20, 22-23). A linguagem do Espírito é a linguagem da justiça e do amor. Por outro lado, devemos reconhecer a enorme diversidade de dons no único “corpo” da Igreja. Somos capazes de considerar as nossas diferenças (pastorais, ideológicas etc.) como um mútuo enriquecimento? Colocamo-las em comum? O diálogo na diversidade pode ser um dom do Espírito muito atual.
Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes |