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       São Paulo, 29/08/2008, 22:12          
 
Psicologia & Religião
Consciência e Saúde

Interessante que esta coluna nasceu com a intenção de falar sobre
Religião e Psicologia. Isto aconteceu por duas razões: a importância que julgo ter para nossos colaboradores-leitores e por ser escriba um religioso-psicólogo.

Hoje abordo o tema "Consciência e Saúde". Vamos começar afirmando que Consciência e Saúde tem tudo a ver com Religião e Saúde. Devemos também distinguir dois tipos de consciência. No sentido religioso, consciência se refere ao certo e ao errado de meus comportamentos e atitudes. Consciência no sentido psicológico é estar acordado, percebendo claramente o que se passa consigo próprio e ao seu redor.

Claro, a consciência moral tem tudo o que se relaciona a sentimentos de culpa, ou paz interior. O povo fala em consciência pesada ou leve. Evidente que consciência pesada ou má só pode causar ansiedade, estresse, insônia e, em casos muito graves, desespero e suicídio. O estresse prolongado causa males à saúde em geral, especialmente ao coração, pois libera hormônios prejudiciais como a norepinefrina e o cortisol. Estresse e ódio são as emoções mais malignas que conhecemos.

Enquanto isso, a consciência do dever cumprido, do bem executado, da caridade exercida etc. só pode fazer bem a todo o nosso ser. Não podemos deixar de pensar em São Paulo a escrever a seu amigo Timóteo. "Quanto a mim, já fui oferecido em libação e chegou o tempo de minha partida. Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a Fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça que me dará o Senhor, Justo Juiz, naquele dia" (2 Tm 4, 6-8).

De que libação fala Paulo? Às vezes, nos sacrifícios, era derramado sobre a vítima um cálice de azeite da melhor qualidade ou de vinho fino. São Paulo tinha em mente o sacrifício de Cristo. Ele, então, se imaginava como este acréscimo precioso ao Cristo oferecido por todos nós. Por isso é que ele fala do dilema de escolher, se fosse possível, entre viver e morrer e afirma que preferia morrer para estar junto de Cristo (Fl 1, 20-24).

É evidente que São Paulo se encontrava em total harmonia com toda a sua existência, com seus planos e com toda a realidade interna e externa a ele. O equilíbrio é perfeito. E uma vez definimos saúde como o estado de bem-estar de corpo e alma, mente e coração. Então, podemos imaginar que São Paulo devia se sentir extraordinariamente bem.

A multidão de pequenos problemas, preocupações e aborrecimentos não o atingiam mais. Nesta análise que acabamos de fazer da situação deste homem de Deus, misturamos dados da consciência moral com os da consciência psicológica. É que na vida real muitas vezes eles andam juntos e são inseparáveis. Não posso me esquecer de dizer que a consciência psicológica, ou a percepção que temos de nossa pessoa por si mesma tem muito a ver com o nosso bem ou mal-estar. No caso anterior, o de São Paulo, a auto-percepção devia ajudar muito em sentir-se bem porque percebia a si mesmo como alguém extraordinariamente realizado em seu projeto de viver para Cristo.

Acontece, contudo, que muita gente ou não tem uma percepção clara de si, ou sua percepção é distorcida. Qualidades e defeitos podem estar a vida inteira na gente sem que os percebamos. Podemos também vê-los aumentados exageradamente.

Isso causa problemas seríssimos. Pessoas sem autoconsciência clara e real podem se atormentar por defeitos ou falta de qualidade irreais, perder grandes oportunidades de crescer e realizar-se na vida. Sua convivência com os outros pode tornar-se fonte de contínuo sofrimento para si e para os demais. Terminou nosso espaço. Voltarei ao assunto no próximo número.


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