Dificilmente você encontra alguém que nunca
tenha perguntado a si próprio: "Para que viver"?
"Quem é que determina se devo viver e como
viver"?
Claro, para nós cristãos praticantes é
relativamente fácil nos convencer de que Deus está
por trás de nossa existência. Mas isso pode
parecer às vezes uma idéia um tanto vaga
e pouco prática em situações muito
difíceis ou aparentemente absurdas.
Isso se observa especialmente em pessoas que são
acometidas por sofrimentos muito intensos, prolongados
e injustos. Afinal, fomos educados a pensar que Deus recompensa
o bem e castiga o mal. Mas vemos tantas pessoas inocentes
sofrerem tanto e morrerem tão precoce e estupidamente!
Ouvimos dizer que Deus nos ensina a sermos desapegados
das coisas materiais, mas vemos os ricos viver tão
bem e nossos pobres a carregarem o fardo tão pesado
de uma existência sem horizontes e destituída
de esperança... Um rabino judeu de nossos dias
- não me recordo do primeiro nome - Kushner, duramente
atingido pela dor, escreveu um livrinho magnífico
com o título: "Quando coisas ruins acontecem
às pessoas boas".
Nós cristãos podemos aprender muito com
este patrício de Jesus. O que estou tentando dizer
é que nem sempre encontramos uma resposta pronta
e suficiente para certas situações da vida
em nossas crenças religiosas. Às vezes é
necessário entender com a cabeça, racionalmente,
para o coração poder aceitar. Nossa PAZ
pode depender isso. E mais, até para não
caírmos na tentação de desistir de
viver, ou entregar-nos à amargura e à revolta,
podemos necessitar de uma resposta nossa. Por outro lado
não podemos esquecer que constantemente somos levados
a identificar sinais que possam indicar que a vida deste
ou daquele vale a pena. Esses sinais quase sempre vão
na direção do sucesso, do bem-estar, das
realizações de projetos e sonhos, da vida
rica de bons laços de amor e amizade. .. Mas, quando
tudo isso nos faltar? Já disse que nem sempre a
religião nos dá respostas suficientes. Mesmo
assim preciso reafirmar que o sentido das coisas importantes
da vida é tão importante e fundamental que
dele pode depender eu conseguir viver ou entregar-me à
morte.
E onde é que vamos encontrar resposta para tantas
perguntas tão angustiantes? Vamos encontrá-la
justamente em Deus. Acontece, contudo, que estamos mais
ou menos acostumados a procurar respostas na Palavra de
Deus dirigida aos profetas, apóstolos ou ao próprio
Jesus. Acabamos nos esquecendo que Deus, como acontece
conosco, os seres humanos, muitas vezes fala mais por
atitudes do que por palavras. De todas as atitudes que
Deus poderia tomar em relação a nós,
a mais fantástica é a de se encarnar. Este
é um gesto histórico, definitivo, eterno.
Nosso PAI ETERNO quer que nós o chamemos pelo nome
de EMANUEL, ou seja, DEUS -CONOSCO.
Meus caros leitores, isto faz com que os homens sejam
realmente nivelados, mas nivelados por cima. A partir
desta descoberta fundamental, todas as circunstâncias,
todos os pontos de referência tornam-se relativos
e sem significado. O PAI ETERNO ama qualquer ser humano
em qualquer situação, pobre, ou rico; com
pós-doutorado nas melhores universidades, ou ignorante;
e, pasmem, santo ou pecador. No Natal de Jesus descobrimos
que vale a pena viver como humanos em qualquer situação.
Se não conseguirmos realizar grandes coisas, "Deus
faz menós maravilhas"; se não conseguirmos
conquistar glórias na terra, Deus conquista para
nós o CÉU; se não conseguirmos amar
todas as pessoas que gostaríamos, Deus ama a elas
por nós; se não conseguirmos nos santificar
- por nossas fraquezas e pecados - Deus nos santifica
graciosamente...