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       São Paulo, 29/08/2008, 22:50          
 
Psicologia & Religião
O Sentido da Vida II

Por isso, os antigos diziam que o AMOR é como o fogo que destrói ou separa toda a sujeira do ouro que aspira sempre ser puro.

Recomendaria a quem for ler esta página que lesse primeiro o artigo com igual título no Boletim PVF de fevereiro deste ano. Para tal apenas clique AQUI.

Trata-se de aprofundar a idéia de que em nosso Deus podemos construir uma vida mais cheia de sentido, mais humana e mais feliz. Lá, eu dizia que no Natal descobrimos que Deus quer ser gente com a gente e viver com a gente, cooperar com a gente, preencher e suprir tudo o que nos falta por nossas limitações e fraquezas. Dizia também que as atitudes que Deus toma conosco podem ensinar-nos ainda mais que suas palavras. Vamos agora, na mesma linha de pensamento, ver o que podemos aprender de Deus na Quaresma e Páscoa. Na Quaresma, temos a lição mais difícil.

Todo ser humano adora a idéia de grandeza, de conquistas e grandes realizações. Se ele pessoalmente não tem tão grandes aspirações por saber que é pequeno, fraco e pertencer à classe do povão, pelo menos imagina que seus heróis devem ser grandiosos e fantásticos. Ora Jesus começara sua vida pública, embora como alguém do povo, com dois traços de grandeza. Era detentor de um poder pessoal impressionante e realizava milagres com uma facilidade estonteante. Isto incendiou de tal forma as fantasias e as esperanças do povo, a ponto de Jesus ter de fugir, pois queriam agarrá-lo e fazê-lo Rei à força (Jo 6,15). Aí, vem a difícil lição. Para chegar à grandeza é preciso antes fazer-se pequeno, servir e passar até pela cruz, se o amor ao irmão e a justiça assim o exigirem. E Jesus toma resoluto o caminho de Jerusalém.

E nós chegamos à Quinta-Feira Santa. Aí vem a lição do serviço falada e vivida por Ele no Lava-pés. Ele, o Mestre e Senhor lava os pés até de Judas. É fácil a gente prestar serviços até humildes à pessoa pela qual estamos apaixonados. Mas, lavar os pés de um Judas... Serviços prestados, havia agora condições para a comunhão de irmão com irmão em Cristo-Pão e por Cristo-Amor. E a Ceia é realizada. Laços de amor fecham-se. Mas no grupo, um não se sente bem. "Quanto a Judas, tendo tomado o bocado, saiu imediatamente: era noite" (Jo 13,30). Serviço, comunhão e amor exigem coerência. Não existe espaço para mentiras, falsidades ou segundas intenções. Jesus não precisou expulsar Judas, como estou convencido que Deus não tem necessidade de excluir ou castigar ninguém. A experiência de comunhão e a descoberta do amor de Deus colocam o homem no seu devido lugar.

Comunhão supõe convergência de qualidades básicas: pureza de intenções, limpidez do olhar, autenticidade em cada gesto, em cada contato. Por isso, os antigos diziam que o AMOR é como o fogo que destrói ou separa toda a sujeira do ouro que aspira sempre ser puro. Tendo vivido profundamente estes momentos tão fortes, Jesus começa a falar em sua glorificação e a do Pai. Para nós parece loucura, pois quando a cruz se torna uma certeza já palpável, Jesus fala em glória. Só o herói, só o vencedor é glorificado. Passado por esses momentos mágicos de serviço-amor-comunhão-fraternidade, Jesus podia intuir o verdadeiro objetivo, o significado único e inquestionável de sua existência e do viver de cada um de nós: amar e dar até a vida pelo amado. "Ninguém tem maior amor do que dar a vida por seus amigos", disse Ele.

E, então, Jesus encontrou sentido para seu drama: paixão e morte para o AMOR triunfar. A lenda diz que Prometeu conquistou o fogo para o uso dos humanos e que Hércules realizou doze tarefas impossíveis para nós. Gêngis Khan conquistou o maior império de todos os tempos. Poderíamos citar muitos outros nomes de heróis que produzimos. Mas Jesus realizou obra infinitamente maior. Tornou o Amor acessível a cada um de nós. Mostrou que só o Amor dá sentido à nossa existência. Revelou que seu Pai e nosso Pai e o AMOR são da mesma natureza. Por isso podia afirmar: " Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai a não ser por mim" (Jo 14,6). Vida sem amor não é vida. Vida com amor torna-se imortal como o AMOR é imortal e eterno como o próprio Deus. Isto é Páscoa, é ressurreição, é o Homem novo de Jesus. Unidos a Ele no serviço, na comunhão fraterna e na cruz somos mulheres novas, homens novos, imortais.


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