Em artigos anteriores já falei várias vezes
sobre a relação entre saúde em geral
e vida organizada dentro de convicções religiosas.
O cristianismo pode ser visto de dois aspectos no que
se refere à sua elaboração. Existe
uma religiosidade oficial altamente elaborada por teólogos
e grandes pensadores. Dá grande valor à
vida dos sacramentos, à pureza da fé, à
exatidão dos dogmas, à clara convicção
da salvação eterna conseguida pelo único
redentor Jesus Cristo. Claro que não poderei elencar
aqui todos os elementos importantes da doutrina católica.
Mas, a religiosidade é também um fenômeno
altamente pessoal e subjetivo. Pessoas de todos os graus
de desenvolvimento cultural, altamente letrados e analfabetos,
podem ter profunda vivência religiosa e aquilo que
qualificamos de experiência de Deus. Do ponto de
vista do indivíduo que crê, a vivência
da religiosidade é altamente subjetiva e pessoal.
A alma e o coração religiosos de cada indivíduo,
sem saber como e porque, querem expressar-se a seu modo.
Isso é profundamente antropológico, isto
é, faz parte da natureza humana criada assim por
Deus. As devoções populares podem ter um
papel muito importante na vida sofrida de nosso pobre
povo de Deus. A devoção traz a religião
e o sagrado para os acontecimentos diários significativos
para os aspectos mais diversos da vida: amor, família,
saúde, segurança, emprego. Nosso povo sempre
ouviu falar em temor de Deus. Ora, seu santo de devoção
é visto como alguém muito especial e íntimo
com Deus. Ele pode conseguir de Deus todas as graças
que o fiel não ousaria pedir diretamente ao Todo
Poderoso.
No caso especial de Santo Antônio temos algumas
vantagens. A vida dele é razoavelmente conhecida.
Sua fama de poderoso operador de milagre vem desde os
dias de sua vida. Poucos anos depois de sua morte São
Boaventura já afirmava que se alguém procura
milagres, que recorra a Santo Antônio. São
bem conhecidos os zelo e o amor do santo para com a Igreja
Católica e a Jesus Cristo Eucarístico. Isso
enche a alma e o coração de nossos fiéis
de esperança e confiança, elementos saudáveis
para um povo tão sofrido.
Por fim, ainda podemos afirmar que Santo Antônio
tem uma importante função na Igreja Católica:
conservar muitos fiéis afastados da tentação
das igrejas pentecostais que tanto combatem a devoção
aos santos. Como imagino que um devoto de Nossa Senhora
Aparecida não passa para a igreja (?) do Edir Macedo,
creio que o mesmo aconteça com os devotos de Santo
Antônio. Permanecem fiéis à Igreja
Católica.