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       São Paulo, 07/09/2008, 18:53          
 
Psicologia & Religião
Saúde & Religião I

Começo já colocando I ao título porque certamente não vou conseguir terminar assunto tão atual e fascinante.

Vivemos numa época realmente interessante e riquíssima em transformações e oportunidades. Não tenho espaço para deter-me longamente sobre este tema atraente. Mas uma coisa é certa. O ritmo de transformações está tão acelerado que assusta aos que disso têm mais consciência e em todos causa pelo menos forte ansiedade. Muitos sentem medo e até chegam a ataques de paranóia. Afinal, num passado tão próximo tudo caminhava tão lentamente. Por quantas dezenas de milhares de anos perambularam nossos antepassados pelas savanas da África, colhendo frutos silvestres, caçando e sendo caçados pelas feras, sem qualquer animal doméstico e sem saber cultivar nenhuma planta alimentícia! E depois de alcançar a Europa a Ásia, tendo chegado a última era glacial, por quantos milhares de anos tiveram de refugiar-se em cavernas para evitar o frio mortal e as feras agora mais do que nunca famintas e mortíferas? Nem sempre nossa realidade foi poética e romântica. Tennyson falava de uma "natureza, rubra em dentes e garras..."

Há menos de dez mil anos os primeiros homens começaram a cultivar os primeiros grãos para alimento e aí tudo começou a andar, lentamente de início, até chegar aos nosso dias, quando em 10 anos aparecem mais novidades do que nos 50 anos anteriores e em 100 mais do que em todos os milhares de anos que nos antecederam. Então tudo ficou tão pouco natural e complicado! A cidade cresceu e ficou estupidamente grande e insegura. Você não planeja e não vê a construção do apartamento que sonha um dia poder alugar ou comprar. Antigamente todo mundo entendia dos cuidados básicos da saúde e acreditava conhecer remédios, naturalmente, naturais que curavam quase toda a sorte de doenças. Agora, a Medicina ficou tão complicada e os médicos, de amigos da família, ficaram tão distantes, falam tão difícil e sua ciência já nem parece ser deste mundo.

Numa palavra, o ser humano de hoje voltou a sentir o medo. Não mais o pavor dos dentes das feras, mas das balas dos traficantes de drogas e outros bandidos comuns. (Talvez um dia eu ainda escreva sobre razões que nos trouxeram até esse ponto de insegurança e medos coletivos.) Somos agora movidos pelo medo e pela saudade. Medo da insegurança, do desemprego, da pobreza abjeta. E saudades de uma harmonia de convivência com a natureza (nem sempre tão harmônica assim). Pesticidas que permitiram a fantástica produção e indústria agrária nos países mais avançados e hormônios que permitiram o crescimento rápido e mais barato de animais de corte agora povoam a mente de nossa gente como fantasmas ameaçadores, pois, entre outras coisas, podem causar os mais diversos canceres...

Agora, a palavra de ordem é apenas um adjetivo, mas poderosíssima palavra: Natural. As informações mais lidas nos rótulos são: Produto Natural... Sem Defensivos Agrícolas... Sem Hormônios... Sem Colesterol. No campo da saúde até parece que o homem moderno produziu mais inimigos que benefícios. Muitos movimentos de Pastoral chegam até a mover guerra aberta a toda sorte de remédios de laboratórios. Só querem remédios naturais e, no máximo, homeopatia. Claro está que ocorrem muitos exageros. Entre todas as ciências, a Medicina e a bioquímica permitiram a tremenda explosão demográfica, reduziram a mortalidade infantil de 200 a 300 mortes por mil crianças nascidas para 05 ou 06 por mil em países prósperos e a expectativa de vida para algo em torno de 80 anos, na média, nestes mesmos países.


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