Começo já colocando I ao título porque
certamente não vou conseguir terminar assunto tão
atual e fascinante.
Vivemos numa época realmente interessante e riquíssima
em transformações e oportunidades. Não
tenho espaço para deter-me longamente sobre este
tema atraente. Mas uma coisa é certa. O ritmo de
transformações está tão acelerado
que assusta aos que disso têm mais consciência
e em todos causa pelo menos forte ansiedade. Muitos sentem
medo e até chegam a ataques de paranóia.
Afinal, num passado tão próximo tudo caminhava
tão lentamente. Por quantas dezenas de milhares
de anos perambularam nossos antepassados pelas savanas
da África, colhendo frutos silvestres, caçando
e sendo caçados pelas feras, sem qualquer animal
doméstico e sem saber cultivar nenhuma planta alimentícia!
E depois de alcançar a Europa a Ásia, tendo
chegado a última era glacial, por quantos milhares
de anos tiveram de refugiar-se em cavernas para evitar
o frio mortal e as feras agora mais do que nunca famintas
e mortíferas? Nem sempre nossa realidade foi poética
e romântica. Tennyson falava de uma "natureza,
rubra em dentes e garras..."
Há menos de dez mil anos os primeiros homens começaram
a cultivar os primeiros grãos para alimento e aí
tudo começou a andar, lentamente de início,
até chegar aos nosso dias, quando em 10 anos aparecem
mais novidades do que nos 50 anos anteriores e em 100
mais do que em todos os milhares de anos que nos antecederam.
Então tudo ficou tão pouco natural e complicado!
A cidade cresceu e ficou estupidamente grande e insegura.
Você não planeja e não vê a
construção do apartamento que sonha um dia
poder alugar ou comprar. Antigamente todo mundo entendia
dos cuidados básicos da saúde e acreditava
conhecer remédios, naturalmente, naturais que curavam
quase toda a sorte de doenças. Agora, a Medicina
ficou tão complicada e os médicos, de amigos
da família, ficaram tão distantes, falam
tão difícil e sua ciência já
nem parece ser deste mundo.
Numa palavra, o ser humano de hoje voltou a sentir o medo.
Não mais o pavor dos dentes das feras, mas das
balas dos traficantes de drogas e outros bandidos comuns.
(Talvez um dia eu ainda escreva sobre razões que
nos trouxeram até esse ponto de insegurança
e medos coletivos.) Somos agora movidos pelo medo e pela
saudade. Medo da insegurança, do desemprego, da
pobreza abjeta. E saudades de uma harmonia de convivência
com a natureza (nem sempre tão harmônica
assim). Pesticidas que permitiram a fantástica
produção e indústria agrária
nos países mais avançados e hormônios
que permitiram o crescimento rápido e mais barato
de animais de corte agora povoam a mente de nossa gente
como fantasmas ameaçadores, pois, entre outras
coisas, podem causar os mais diversos canceres...
Agora, a palavra de ordem é apenas um adjetivo,
mas poderosíssima palavra: Natural. As informações
mais lidas nos rótulos são: Produto Natural...
Sem Defensivos Agrícolas... Sem Hormônios...
Sem Colesterol. No campo da saúde até parece
que o homem moderno produziu mais inimigos que benefícios.
Muitos movimentos de Pastoral chegam até a mover
guerra aberta a toda sorte de remédios de laboratórios.
Só querem remédios naturais e, no máximo,
homeopatia. Claro está que ocorrem muitos exageros.
Entre todas as ciências, a Medicina e a bioquímica
permitiram a tremenda explosão demográfica,
reduziram a mortalidade infantil de 200 a 300 mortes por
mil crianças nascidas para 05 ou 06 por mil em
países prósperos e a expectativa de vida
para algo em torno de 80 anos, na média, nestes
mesmos países.