O artigo anterior, na verdade, constitui apenas uma introdução
ao tema. Aconselho o leitor a reler o "Saúde
e Religião I" antes de continuar na leitura
deste número.
Lá falava-se de uma mania de procurar sempre o
que é natural e denunciava-se até movimentos
de pastoral que movem guerra aos remédios de laboratório
e à medicina alopática. De medicina só
aceitam a homeopática. Claro que isso é
exagero. Não é correto fazer generalizações
indevidas numa ciência mundialmente cultivada, admirada
e tão seriamente estudada como a Medicina. Sua
dedicação à pesquisa é um
sonho fantástico e os resultados são absolutamente
animadores. Calcula-se que cerca de 80% dos problemas
de saúde que afligem os humanos são somatizações
(= materialização) de problemas emocionais
e do estresse. Esses males são eliminados com relativa
facilidade pela fé, oração, visita
a santuários e aos mais diversos curadores por
toda parte. Em geral a cura é só ocasional,
uma vez que a fonte geradora do estresse não é
eliminado pelo curador.
Todas as enfermidades que têm como raiz problemas
orgânicos, principalmente as doenças infecto-contagiosas,
cânceres, AIDS e tudo o que pode pôr a vida
em perigo, precisa de um bom médico, de medicina
alopática e dos remédios produzidos nos
melhores laboratórios. Em tais casos, em hipótese
alguma, o recurso às mais diversas formas de "medicina
alternativa" pode dispensar o tratamento clássico
da medicina, do bom médico, do bom hospital. Por
amor de Deus, não caia na tentação
de ignorar a boa medicina, o bom médico, por causa
das muitas denúncias de abusos praticados em farmácias,
laboratórios e hospitais. Muitas empresas quebram
por má administração financeira.
Nem por isso você vai deixar de cuidar bem da administração
de sua empresa, de suas finanças. O mesmo vale
para a sua saúde e medicina.
Mas, afinal, qual a área de interesse comum entre
religião, medicina e saúde? Por que tantas
paróquias têm Pastoral da Saúde? Tenho
certeza de que muitos profissionais da saúde não
vêem com bons olhos, ou pelo menos não acreditam
muito nos resultados práticos da Pastoral da Saúde.
Gosto de apontar uma pastoral ligada à saúde
que dá resultados mundialmente reconhecidos e elogiados.
É a Pastoral da Criança.
Mas aqui ocorre um fato interessante. A Pastoral da Criança
tem uma profissional da saúde há muitos
anos em sua direção. Trata-se de uma médica
pediatra, Dra. Zilda Ars. Trabalha com bom embasamento
em ciências sociais e ciências médicas.
Creio que aqui está um exemplo a ser seguido. Onde
quer que se tente organizar uma Pastoral da Saúde
dever-se-ia contar com a colaboração, de
preferência participando da direção,
de elementos católicos com boa formação
acadêmica na área de saúde. A religião
por si só não aumenta nossos conhecimentos
sobre saúde e doenças.
Aparentemente não existe nenhuma relação
entre a religiosidade, a fé e o surgimento de doenças,
principalmente os males com herança genética,
como os cânceres, muitos problemas cardíacos,
circulatórios e as assim chamadas doenças
mentais. O mesmo vale para enfermidades infecto-contagiosas.
Costumo brincar que vírus e bactérias não
conhecem sua fé. Lembro também grandes homens
de fé e caridade ceifados pela peste. Santa Isabel
da Hungria foi ceifada aos 24 anos, cuidando pessoalmente
dos doentes do hospital por ela construído com
a quase totalidade de seus recursos materiais. São
Luís de Gonzaga faleceu aos 23 cuidando dos empestiados
de Roma!