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       São Paulo, 07/09/2008, 18:43          
 
Psicologia & Religião
Saúde & Religião III

No artigo anterior eu afirmava que não existe relação entre santidade e saúde, principalmente no que se refere a doenças hereditárias e infecto-contagiosas.

Temos, contudo, que reconhecer a diferença entre a origem da doença e seu desenvolvimento depois de instalada. Há doentes que mais facilmente desanimam, entregam-se e morrem. Outros são firmes na esperança, crêem na cura, lutam mais e, mesmo em doenças não-curáveis, vivem mais tempo. Aqui entram a fé e as devoções. Pesquisas dos Estados Unidos e Reino Unido comprovam que práticas religiosas simples como a oração do terço e sobretudo a meditação diminuem o consumo de oxigênio, o ritmo respiratório, o ritmo cardíaco, a pressão arterial e aumentam as ondas alfa do cérebro. Ora, isso significa diminuição do estresse e aumento na serenidade do espírito. Do sono e conseqüente bem-estar, o que é muito saudável. Mas isso não é suficiente para curar câncer, depressão, epilepsia, tuberculose e outras doenças sérias.

Outro assunto importante é a origem das doenças. Temos que deixar bem claro: todas as enfermidades começam por razões naturais e nunca por coisas do além, ou sobrenaturais. Mesmo assegurando a origem natural para todos os nossos males, temos ainda de excluir causas naturais que são fruto de superstições. Mau olhado, astrologia, pensamentos e sentimentos não têm o poder de causar malefícios nos outros. Pensar em, ou falar a palavra "câncer", não atrai esse mal a ninguém. Também temos certeza de que trabalhos de macumba, vodu, ou qualquer ritual espiritual para prejudicar alguém são totalmente inúteis. A única coisa que podem causar é medo (com todas as suas conseqüências) em pessoas muito crédulas e supersticiosas. E atenção! Nenhum ser humano tem o poder de prejudicar aos outros através de maldição, sortilégios ou orações. Deus jamais aceitaria servir de vara de castigo para pessoas que não praticam a compreensão e a caridade para com o próximo. Todas as maldições são inúteis, mesmo que sejam pronunciadas por pais ou autoridades religiosas.

O diabo não tem poder de causar doenças. Deus não lhe daria tal força. É certo que antigamente, nos tempos bíblicos, praticamente todas as enfermidades eram atribuídas aos maus espíritos. Aliás, os antigos imaginavam o mundo povoado por espíritos maus e bons e praticamente tudo o que acontecia aos humanos era determinado por espíritos. Coisas boas como bons pensamentos, sentimentos nobres eram gerados por espíritos benévolos. Os ciúmes de Saul pelo sucesso de Davi, a febre da sogra de Pedro, assim como todas as enfermidades eram gerados por espíritos ruins. Nada se sabia a respeito da química das emoções, nem de micróbios, bactérias e vírus. Coisas semelhantes ainda pensam protestantes e católicos pentecostais, umbandistas, espíritas e outros.

Antes de terminar por hoje, quero ainda garantir que Deus não castiga nem prova a ninguém. Ele conhece tudo a nosso respeito. Não precisa de provas. Não é distribuidor de doenças. Se o fizesse, seria muito injusto. Basta comparar os níveis de saúde e a duração de vida nos países do Primeiro Mundo, bem menos religiosos e mais materialistas, com a mortalidade e doenças dos países pobres, mais religiosos e menos materialistas.

A maior parte dos problemas de saúde do Terceiro Mundo é causada pela pobreza, falta de investimento em educação e sistema hospitalar, ignorância, sujeira, desânimo... numa palavra, são fruto de nossas injustiças. Atribuir à vontade de Deus seria blasfêmia.

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