No artigo anterior eu afirmava que não existe relação
entre santidade e saúde, principalmente no que
se refere a doenças hereditárias e infecto-contagiosas.
Temos, contudo, que reconhecer a diferença entre
a origem da doença e seu desenvolvimento depois
de instalada. Há doentes que mais facilmente desanimam,
entregam-se e morrem. Outros são firmes na esperança,
crêem na cura, lutam mais e, mesmo em doenças
não-curáveis, vivem mais tempo. Aqui entram
a fé e as devoções. Pesquisas dos
Estados Unidos e Reino Unido comprovam que práticas
religiosas simples como a oração do terço
e sobretudo a meditação diminuem o consumo
de oxigênio, o ritmo respiratório, o ritmo
cardíaco, a pressão arterial e aumentam
as ondas alfa do cérebro. Ora, isso significa diminuição
do estresse e aumento na serenidade do espírito.
Do sono e conseqüente bem-estar, o que é muito
saudável. Mas isso não é suficiente
para curar câncer, depressão, epilepsia,
tuberculose e outras doenças sérias.
Outro assunto importante é a origem das doenças.
Temos que deixar bem claro: todas as enfermidades começam
por razões naturais e nunca por coisas do além,
ou sobrenaturais. Mesmo assegurando a origem natural para
todos os nossos males, temos ainda de excluir causas naturais
que são fruto de superstições. Mau
olhado, astrologia, pensamentos e sentimentos não
têm o poder de causar malefícios nos outros.
Pensar em, ou falar a palavra "câncer",
não atrai esse mal a ninguém. Também
temos certeza de que trabalhos de macumba, vodu, ou qualquer
ritual espiritual para prejudicar alguém são
totalmente inúteis. A única coisa que podem
causar é medo (com todas as suas conseqüências)
em pessoas muito crédulas e supersticiosas. E atenção!
Nenhum ser humano tem o poder de prejudicar aos outros
através de maldição, sortilégios
ou orações. Deus jamais aceitaria servir
de vara de castigo para pessoas que não praticam
a compreensão e a caridade para com o próximo.
Todas as maldições são inúteis,
mesmo que sejam pronunciadas por pais ou autoridades religiosas.
O diabo não tem poder de causar doenças.
Deus não lhe daria tal força. É certo
que antigamente, nos tempos bíblicos, praticamente
todas as enfermidades eram atribuídas aos maus
espíritos. Aliás, os antigos imaginavam
o mundo povoado por espíritos maus e bons e praticamente
tudo o que acontecia aos humanos era determinado por espíritos.
Coisas boas como bons pensamentos, sentimentos nobres
eram gerados por espíritos benévolos. Os
ciúmes de Saul pelo sucesso de Davi, a febre da
sogra de Pedro, assim como todas as enfermidades eram
gerados por espíritos ruins. Nada se sabia a respeito
da química das emoções, nem de micróbios,
bactérias e vírus. Coisas semelhantes ainda
pensam protestantes e católicos pentecostais, umbandistas,
espíritas e outros.
Antes de terminar por hoje, quero ainda garantir que Deus
não castiga nem prova a ninguém. Ele conhece
tudo a nosso respeito. Não precisa de provas. Não
é distribuidor de doenças. Se o fizesse,
seria muito injusto. Basta comparar os níveis de
saúde e a duração de vida nos países
do Primeiro Mundo, bem menos religiosos e mais materialistas,
com a mortalidade e doenças dos países pobres,
mais religiosos e menos materialistas.
A maior parte dos problemas de saúde do Terceiro
Mundo é causada pela pobreza, falta de investimento
em educação e sistema hospitalar, ignorância,
sujeira, desânimo... numa palavra, são fruto
de nossas injustiças. Atribuir à vontade
de Deus seria blasfêmia.