Vamos hoje dar uma guinada no assunto saúde e religião.
Abordaremos diretamente o que seria uma saúde religiosa.
Podemos imaginar o ser humano um composto de quatro elementos
básicos, ou quatro realidades.
1
- Somos uma realidade biológica, portanto, física,
material. Hoje todos falam em genes, genética e
até na engenharia genética. Isso quer nos
dizer que o organismo pode ser trabalhado, planejado e
montado por cientistas, como se fossem engenheiros a trabalhar
em uma máquina. Enquanto um organismo somos em
grande parte resultado dos genes herdados de nossos antepassados.
2 - Somos também uma realidade psíquica.
Como tal constituímos um mundo de pensamentos,
emoções, esperanças e frustrações,
realizações, confiança, crenças,
descrenças, amor, desejos, necessidades, medos...
Fala-se do mundo psico-social próprio de cada pessoa,
querendo acentuar a diversidade, a riqueza e a grandeza
desta realidade humana.
3 - Não é possível negar que
em nós existe uma estrutura relacional-social.
Relações de amor, amizade, família,
clube, profissionais e muitas outras são necessárias.
4 - Por fim, o ser humano é também
espírito, independente de ter ou não ter
religião. Um ateu continua sendo espiritual. Aliás,
como percebem, prefiro dizer que somos corpo, somos espírito,
ao invés de dizer que temos isto ou aquilo.
Ora, cada uma destas quatro dimensões do ser humano
pode gozar de mais saúde, ou ser mais doente. É
fácil falar de doenças, ou saúde
física, ou orgânica, como também se
generalizou a idéia de doenças psíquicas.
Aos poucos começamos a admitir patologias em nosso
ser relacional-social. Existem pessoas socialmente doentes.
São as que não conseguem desenvolver sentimentos
e noções de solidariedade básica
pelo outro, de respeito pela vida e pelos direitos fundamentais
de qualquer pessoa humana e de compaixão pelo sofrimento
do irmão. Esses indivíduos são chamados
sociopatas e a lista de seus males encheria livros.
É mais raro falar em saúde ou enfermidade
espiritual. Os antigos referiam-se muito a doenças
da alma. Mas em geral isso confundia-se com o que hoje
classificamos como problemas psicológicos.
Considero uma pessoa espiritualmente saudável quando
ela tem consciência de que é também
um ser espiritual e consegue relacionar-se bem com os
outros seres espirituais, principalmente com outros seres
humanos e com Deus.
Fé é sem dúvida elemento-chave da
saúde espiritual. É importante notar que
a fé tem conteúdo que pode variar de pessoa
para pessoa. Depende do tipo de Ser Superior no qual cremos.
Há pessoas que acreditam apenas na existência
de Deus mas não imaginam uma relação
salvadora de Deus conosco, nem na vida além da
morte. Tal crença tem pouca conseqüência
sobre a vida que o indivíduo leva. Não chega
ao que Jesus chama de fé.
Fé é crença e também engajamento
nos projetos do Pai revelados em Jesus. Isto passa a ser
um objetivo grandioso e preenche toda a nossa existência
de significado, de razão-de-ser e de esperança.
Todos temos necessidade de objetivos e sentido para nossa
vida e esperança.
Quando o Deus no qual cremos é o Deus revelado
por Jesus, o Deus que ama até à morte cada
criatura humana, mesmo que seja a mais pecadora, então
nossa vida chega à plenitude de seu sentido e torna-se
realmente segura.
Ora, podemos definir saúde como a sensação
de bem-estar geral de todo o nosso ser. E nada no mundo
pode dar-nos uma sensação tão completa
e duradoura de bem-estar e segurança como o Pai
de Jesus e nosso Pai do céu.