Em primeiro lugar quero desejar a todos os leitores um
Santo Natal capaz de encher seus dias de Luz e da mais
completa alegria e esperança por poder acolher
o Menino Deus em seu coração e em sua família.
Neste número não posso deixar de abordar
o assunto NATAL DE JESUS. E logo ocorre-me a ideia de
que o Natal tem tudo a ver com bem-estar e saúde
religiosa, ou espiritual das pessoas de fé, que
o celebram. E tem mais, o Natal bem celebrado e vivido
em família só pode fortalecer os laços
desta família e incrementar em muito os aspectos
relacionais sociais básicos de cada um.
Membro sadio de uma boa família tende a ser também
um cidadão melhor relacionado com a grande sociedade
de que faz parte e a exercer papéis mais ricos
para todos. No que se refere à família,
vamos hoje abordar apenas alguns aspectos gerais. Talvez
seja objeto de uma série de artigos que pretendo
começar logo que possível.
Constitui um refrão repetido há séculos
dizer que a família é a célula-mãe
da sociedade. Ninguém dotado de razoável
bom senso duvida disso. Acontece que esta verdade é
muito lembrada em discursos laudatórios sobre a
família ideal ou em sermões, nem sempre
muito lúcidos, sobre a realidade de nossas famílias.
Esta verdade precisa ser melhor explicitada, explicada,
demonstrada e aprendida na sua funcionalidade prática.
Em outras palavras, talvez seja necessário que
nossas famílias antes de se convencerem que são
importantes para o bem-estar da grande sociedade, descubram
o quanto elas podem viver melhor, com mais bem-estar,
se aprenderem e puserem em prática as regras básicas
da boa aí convivência.
Aqui, talvez, os homens da Igreja cometam um erro ao recorrer
muito à religião e pouco às descobertas
da boa ciência da Pedagogia, Psicologia e Antropologia.
É claro que o Cristianismo tem elementos riquíssimos
que muito podem contribuir para se constituir uma família
bem estruturada e sadia. Mas, quando as bases psicopedagógicas
estiverem bem estabelecidas, tais valores cristãos
têm muito mais chances de fazer desabrochar todo
o seu potencial. Muitas iniciativas na pastoral familiar
têm fracassado por falarem muito e bem de valores
cristãos, da fundamentação bíblica,
da santidade do matrimonio e da família, mas esqueceram-se
de abordar elementos básicos da decência
e honradez nas relações primárias
entre as pessoas em geral e particularmente entre os membros
da família.
Um exemplo chocante nos vem das páginas e telas
de nossa mídia. Refiro-me à família
Richthofen, cuja filha mais velha levou os pais a morte
para poder "ficar" em paz com seu namorado e
desfrutar do que ela imaginava ser sua rica herança.
A família tem cultura invejável e valores
cristãos ao que parece autênticos. Os erros
provavelmente vieram da psicopedagogia aplicada.
Parece que a filha mais velha nãotem nenhuma capacidade
de lidar com perdas, frustrações e com uma
coisa mais simples: saber adiar, ou esperar por uma recompensa
desejada. Claro que nos aspectos relacionais e espirituais
ela também não pode ser considerada sadia.
Para encerrar o escrito de hoje, quero apenas acentuar
que uma família que cultivao bom relacionamento
entre todos, principalmente no que se refere ao relacionamento
entre esposo e esposa, onde a mentira, as manipulações,
as chantagens, a trapaça são consideradas
faltas intoleráveis, onde a veracidade, a ajuda
mútua constante, a partilha de tudo são
valores básicos do dia-a-dia, onde a convivência
tem horas e regras observadas por todos (atos em comum
como refeições diárias, e breves
orações familiares), onde o diálogo
é a forma comum diária de resolver todos
os conflitos, as dificuldades e o planejamento de todos
os objetivos, mesmo que se trate de uma família
incompleta, não dentro de todos os parâmetros
da Igreja, pode reunir-se para celebrar o Natal do Senhor
e isso vai enriquecê-la espiritualmente e relacionalmente.
Aí faz sentido falar em um feliz e santo NATAL.