Com a entrada de Jesus em Jerusalém, celebrada
no Domingo de Ramos, dá-se o primeiro passo no
drama pascal. Jesus compreendera que era necessário
enfrentar a morte se quisesse levar avante seu projeto
de implantar o Reino de Deus e estabelecer com o seres
humanos a Nova Aliança.
Quinta-feira Santa celebramos o Novo Mandamento; Amor
expresso em três aspectos: serviço prestado
aos irmãos (lavapés); profunda união
de todos os irmãos ao Divino Mestre e dos irmãos
entre si (participação na Ceia Eucarística);
participação e solidariedade nossas com
o Cristo que sofre ("isto é meu corpo... Este
cálice é o Novo Testamento no meu sangue;
todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória
de mim"). A redenção é também
fruto de nossa participação solidária
nos sofrimentos de Cristo e de toda a humanidade.
Sexta-feira
Santa. Acompanhamos, passo por passo, a via-crucis, onde
nossa Redenção se concretiza. A atitude
básica é de profundo silêncio, solidário
e grato. Aí a existência humana encontra
seu sentido. Todo sacrifício, todo amor é
transfigurado pelo Amor do Filho de Deus. Agora podemos
sonhar com nossa plenitude, nossa glorificação
no Sábado Santo à noite.
Os íltimos dias de Jesus
A narração que vamos seguir está
nas páginas 202 a 204 do Atlas Histórico
da Bíblia e do Antigo Oriente de E. R. Galbiati
e A. Aletti, da Editora Vozes. É a mais provável
sucessão dos fatos.
Betânia, a uns três kms das muralhas de Jerusalém,
na vertente leste do Monte das Oliveiras, era para Jesus
seu refúgio entre pessoas amigas, depois da forte
subida vindo de Jericó. Aí, na casa de um
certo Simão, ocorre a cena em que Maria, irmã
de Lázaro, presta homenagem a Jesus com o perfume
precioso, seis dias antes da Páscoa, ou seja, na
noite de sábado (1 de abril). Na manhã seguinte
(Jo 12,12), Domingo de Ramos, querendo proclamar de público
a dignidade messiânica, Jesus entra com certa solenidade
em Jerusalém, capital do Reino Messiânico...
Ao chegar às proximidades de Beftagé ("Casa
dos Figos"), vila na vertente oriental do Monte das
Oliveiras, envia à sua frente dois discípulos
a fim de providenciar um jumentinho emprestado. Cavalgando
nele, dirige-se a Jerusalém no meio da multidão
que o aclama. Ao chegar à vista da cidade, chora
pela cegueira atual e pela ruína futura de Jerusalém
(Lc 19 41-44).
Seguindo o caminho mais direto, atravessa o vale estreito
do Cedron, entra pela Porta Oriental... Neste ponto, os
Sinóticos situam a expulsão dos vendilhões
do templo (Mt 21, 12-13; Mc 11, 15-17; Lc 19,45-46) que
Jo 2, 13-17 coloca o início do ministério
público de Jesus. No templo, "depois de ter
observado tudo" (Mc 11, 11), teve um primeiro confronto
com as autoridades religiosas que não queriam ouvir
as aclamações do povo. Neste contexto Jo
12, 20-35 relata os últimos lances das discussões
de Jesus com a multidão. Ao anoitecer, Jesus retornas
a Betânia.
Na manhã de segunda-feira, de volta a Jerusalém,
Jesus amaldiçoa a figueira, símbolo da cidade
carente de boas obras. De noite, após ter pregado
no templo, volta a Betânia.
Manhã de Terça-feira, no caminho para Jerusalém,
os apóstolos observam que a figueira amaldiçoada
já secou. Jesus lhes dá uma lição
de Fé. Recomendo ler Mc 11,27 a 12,44. Jesus continua
seus sermões. Cresce a animosidade de seus opositores.
Lc 21, 1-3 registra o episódio da velhinha pobre
que coloca sua moedinha nas esmolas. À tarde, deixando
o templo, prediz sua destruição. No retorno
a Betânia, sentado no Monte das Oliveiras, contempla
sua cidade e o templo, pronuncia o sermão escatológico
sobre a destruição de Jerusalém e
o fim do mundo. Mt, 25, acrescenta ainda outros sermões.
Quarta-feira Jesus passa em Betânia, como que em
retiro, antes de enfrentar os padecimentos e a morte.
Enquanto isto, Judas sela o pacto com os chefes dos sacerdotes.
De Betânia Jesus envia Pedro e João a Jerusalém
a preparar a Ceia Pascal.
É Quinta-feira de tarde. Jesus, em companhia dos
apóstolos, deixa Betânia e entra em Jerusalém...
chega à casa, onde no andar superior (Cenáculo)
celebra a Páscoa...
Saindo
do Cenáculo, sai da cidade pelo mesmo caminho,
atravessa o Cedron e vai para um jardim chamado Getsêmani
("prensa para óleo"). Em seguida, deixa
oito discípulos provavelmente na gruta (que ainda
existe) e, com Pedro, Tiago e João, adianta-se
por entre as árvores, onde permanece longamente
em oração nas horas da noite. A seguir vai
juntar-se aos apóstolos. Eis que chega Judas com
empregados do Sumo Sacerdote e um destacamento de soldados
que a autoridade romana colocava à disposição
da autoridade religiosa. Jesus é preso, amarrado
e conduzido a Anás, depois a Caifás, que
provavelmente moravam no mesmo palácio...
Com toda probabilidade, o Sinédrio reuniu-se na
mesma casa. O processo foi instaurado à noite e
repetido na manhã seguinte para ter validade jurídica.
Enquanto isso, no pátio, Pedro negava conhecer
Jesus...
Sexta-feira de manhã, bem cedo, Jesus é
conduzido a Pilatos, na Torre Antônia... De lá
Pilatos mandou Jesus a Herodes Antipas que se hospedara
no Palácio dos Asmoneus... Reconduzido à
Torre Antônia, em seu pátio, Jesus é
flagrado e escarnecido pela soldadesca romana.
A Via-crúcis se desenrola num percurso de uns 600
metros de contínua subida. Tendo sádo pela
Porta de Efraim, o Cirineu ajuda Jesus a percorrer a última
parte do trajeto. O lugar do Calvário, ou "Caveira",
era uma pequena elevação rochosa. A identificação
do lugar, bem como o sepulcro no jardim vizinho, fundamenta-se
em argumentos fora de qualquer dúvida... Naquele
lugar realizou-se o ato supremo de nossa Redenção.