Frei Mário acaba de me convidar para assumir o
compromisso de escrever uma coluna nas páginas
do periódico PRÓ-VOCAÇÕES
E MISSÕES FRANCISCANAS. Propôs-me como
assunto básico Psicologia e Religião.
Claro que este campo é vastíssimo e muitos
de seus aspectos teóricos seriam cansativos e despertariam
pouco interesse. Por isso julgo interessante abordar temas
que sejam o mais possível relacionados com a vida
do dia-a-dia. Creio também que nossas práticas
religiosas têm muito mais a ver com a psicologia
do que em geral imaginamos.
Hoje em dia se escreve e se estuda muito sobre sensibilidade,
emoções, atitudes e esquemas mentais. Por
outro lado, o pessoal ligado às igrejas e às
congregações religiosas fala ainda mais
em comunidade, ajuda aos pobres e marginalizados. Não
pouco se tem dito e escrito a respeito de solidariedade,
generosidade e caridade. Também não podemos
esquecer que a Bíblia está mais atual do
que nunca e ela enriquece e ilumina muitas de nossas pregações,
retiros e conferências. Então, que tal a
gente tentar expor cada vez um tema que esteja ligado
a este conjunto de assuntos: vida, sentimento, emoções,
solidariedade, religião, família? E não
vamos esquecer graça e natureza humana, nós
e Deus. Às vezes costumo brincar dizendo que se
Deus não me deu a graça de falar sobre a
graça, concedeu-me, contudo, a graça de
discorrer um pouco sobre a natureza do ser humano. E como
os antigos sábios diziam que "a graça
supõe a natureza " e como Deus acolhe graciosamente
nossa natureza e nela se encarna, podemos concluir que
tudo é graça. Está aqui uma característica
do meu pensar e que desejo imprimir em meus escritos:
uma visão unitária e envolvente da mente
e coração, graça e natureza. Deus
e ser humano, sem divisões e rupturas, sem aposições
e antagonismos. Estou firmemente convencido de que Deus,
mais do que ninguém, ama e respeita suas criaturas,
especialmente a nós, os humanos.
Porisso creio que na capacidade de conhecer, compreender
e amar
o ser humano não se encerra apenas no ato humano.
Isto corresponde ao que Deus pensou a nosso respeito.
Existe aí algo de divino.
Para terminar, quero convidar a leitora, o leitor, a se
manifestar, dar palpites e sugestões sobre os assuntos
propostos. Ficaria muito gratificado se soubesse que você
pode se encontrar e se espelhar nesta coluna.