Padroeira da televisão
O que transformava o Mosteiro de São Damião num
lugar privilegiado de oração era, em particular,
a celebração da Liturgia das Horas, oração oficial
da Igreja, à qual Clara e toda a comunidade consagravam
maior parte do dia e da noite.
Numa noite de Natal, Clara encontrava-se acamada,
doente, e não pôde ir à capela rezar as Matinas.
Ficou sozinha em São Damião e começou a meditar
sobre o pequenino Jesus e, sofrendo muito por
não assistir seus louvores, suspirou: “Senhor
Deus, deixaram-me aqui sozinha para Vós”. Segundo
Celano, nas Fontes Históricas, eis que de repente
começou a ressoar em seus ouvidos o maravilhoso
concerto que se desenrolava na Igreja de São Francisco.
Escutava o júbilo dos irmãos salmodiando, ouvia
a harmonia dos cantores, percebia até o som dos
instrumentos.
O lugar não era tão próximo que pudesse chegar
a isso humanamente: ou a solenidade tinha sido
amplificada até ela pelo poder divino, ou seu
ouvido tinha sido reforçado de modo sobre-humano.
Mas o que superou todo esse prodígio foi que mereceu
ver o próprio presépio do Senhor. Quando as filhas
vieram, de manhã, disse a bem-aventurada Clara:
“Bendito seja o Senhor Jesus Cristo, que não me
deixou quando vocês me abandonaram. Escutei, por
graça de Cristo, toda a solenidade celebrada esta
noite na Igreja de São Francisco”.
Devido a esse fato, o Papa Pio XII declarou Santa
Clara padroeira da Televisão por decreto de 14
de fevereiro de 1958 |