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O louco de Assis

De alguns recebia apoio e incentivo. De muitos,
o desprezo e a zombaria. No entender da maioria,
o filho de Pedro Bernardone havia perdido completamente
o juízo! E não só a garotada da cidade escarnecia
dele, chamando-o de louco e outros qualificativos
menos nobres.
Mais de uma vez sentiu-se tentado a voltar atrás,
quando chegava à porta de seus antigos amigos;
mas saía vitorioso nessas lutas entre o orgulho
humano e o próprio ideal. Já alguns começaram
a reconhecer nele traços do futuro santo, embora
ele mesmo ainda não conhecesse claramente sua
vocação.
Estava já terminando a restauração da última
Igrejinha da redondeza, a capelinha de Santa
Maria dos Anjos e perguntava-se o que faria
depois. O que mais lhe pediria Deus? Não havia
entendido ainda que a Igreja que devia restaurar
não era a de pedra, mas a própria Igreja de
Cristo, enfraquecida na época pelas divisões,
heresias e pelo apego de seus líderes às riquezas
e ao poder. Devia ser aquele o ano de 1209.
Certo dia, Francisco escutou, durante a missa,
a leitura do Evangelho: tratava-se da passagem
em que Cristo instruía seus Apóstolos sobre
o modo de ir pelo mundo, "sem túnicas, sem bastão,
sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no
bolso ..." (Lc 9,3).
Tais palavras encontraram eco em seu coração
e foram para ele como intensa luz. E exclamou,
cheio de alegria: "É isso precisamente o que
eu quero! É isso que desejo de todo o coração!"
E sem demora começou a viver, como o faria em
toda a sua vida, a pura letra do Evangelho.
Repetia sempre para si e, mais tarde, também
para seus companheiros: "Nossa regra de vida
é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo"!
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