9.Conclusão
O fato mencionado na introdução também merece estar no fechamento deste trabalho. A greve de fome de Dom Frei Luiz Cappio nos mostrou que ser franciscano é lutar sempre em favor da vida, especialmente daqueles que não têm voz, nem vez. E onde está a voz da água senão no grito que sai da boca daqueles e daquelas que denunciam os maus tratos que ela sofre, mas também louvam ao Senhor por suas maravilhas?
Nosso desafio cotidiano é defender a vida. Não podemos deixar que façam o que querem com os rios, com as matas, com os animais, com as terras e com os seres humanos. Movidos por um sonho de justiça, fraternidade e paz, devemos agir com gestos de não-violência e enfrentar toda e qualquer agressão à vida. Não podemos cruzar os braços, nem fechar os olhos. Nossos braços devem ser estendidos ao chão para erguer os caídos, devem se levantar para carregar as bandeiras da justiça, da paz e da ecologia. E nossos olhos devem olhar o mundo com uma ternura revolucionária, que interpela nossos corações a lutar até o fim.
O gesto simples de um frade defendendo a vida de um rio é o símbolo de uma luta muito maior. Sabemos que a vida do planeta e de todos os seus habitantes está ameaçada e o testemunho franciscano de Frei Luiz Cappio nos lembra que é preciso não ter medo de morrer, não querer morrer e não deixar matar. E, assim como o rio que nasce de forma mansa e segue seu curso de acordo com as pedras, galhos e margens encontradas no caminho, nós seguidores(as) de São Francisco de Assis, devemos seguir nossa caminhada lutando em defesa da água, da dignidade, da justiça, da paz e de tudo o que é vida.
Concluímos nossa reflexão sobre o tema da água, convictos de que devemos pressionar os governos e as instituições competentes a fazerem sua parte. Mas todos temos que fazer a parte que nos cabe. Certamente, ações pequenas, mas cotidianas, vão somar muito no conjunto desta luta que é a defesa da água para garantir a vida de hoje e de amanhã. A chave da questão é: compartilhar responsabilidades. Não se pode fazer nada sozinho, é preciso somar forças. Porém, estar atento a todos os interesses em jogo para que valores e princípios não caiam em relativismos. Na luta em defesa da água, além do desperdício, da deterioração, da poluição, do consumismo, é preciso ter presente outros perigos, como o da privatização, do interesse em transformar a água em moeda e mercadoria. E ainda, a nossa participação deve estar substanciada com a força da Água viva que é Jesus Cristo. Porque Ele mesmo disse: “Aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede” (Jo 4,14).
(*) Frei Pilato Pereira, de Bagé, é membro da CPT e do Serviço de Justiça, Paz e Ecologia dos Freis Capuchinhos do Rio Grande do Sul
pilato@capuchinhosrs.org.br
www.capuchinhosrs.org.br/sejup
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