Por Frei Pilato Pereira (*)
Introdução
Nunca é fora de época nos perguntar sobre o que é verdadeiramente “Comunidade Eclesial de Base”. Somos “Comunidade” porque temos uma vida em comum, vivemos em comunhão, somos irmãos e irmãs, e assim vivemos porque Jesus e seus discípulos nos ensinaram a viver unidos. Identificamo-nos como Comunidade “Eclesial”, porque somos Igreja, vivemos e testemunhamos a mesma fé em Jesus Cristo, somos parte do Povo de Deus. E nossa Igreja está na “Base”, é uma igreja com base onde estão os pobres, verdadeiros sujeitos da evangelização, da construção do Reino de Deus.
Uma comunidade é verdadeiramente CEB’s quando escuta a Palavra de Deus que irradia vida, esperança e fé e move a ação comunitária; quando celebra a Eucaristia e vive no cotidiano o que é celebrado; quando se fortalece na oração, na espiritualidade, na amizade e fidelidade para com Deus; e quando vive a caridade concreta, promovendo a dignidade humana e a integridade da vida.
Os primeiros cristãos eram “perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações...” (At 2,42-47). A Igreja nasceu do anúncio da Palavra de Deus revelada. A Palavra se fez pessoa humana e habitou entre nós. É o Evangelho de Jesus Cristo que nos une como comunidade e assim a Igreja Povo de Deus cresce com o testemunho dos cristãos. A comunhão fraterna, a caridade, a partilha e a solidariedade é o que nos caracteriza como comunidade cristã. Sem o serviço da Caridade não existe comunidade. A comunidade cristã se alimenta com o Pão da Eucaristia e o Pão da Palavra, dons de Deus. E a resposta da comunidade se dá através da Oração e da Caridade, o amor ao próximo.
O texto dos Atos dos Apóstolos 2, 1-11, mostra que os discípulos de Jesus comunicavam o Evangelho para povos, línguas e culturas diferentes. E isto eles o faziam através do testemunho da caridade, algo compreendido por todos. Independentemente da língua, da cultura e da religião, quando o testemunho da fé se dá em atos humanitários, de amor e solidariedade, torna-se possível evangelizar. O Evangelho é comunicado pelo testemunho de vida. E hoje as CEB’s, estão dando um passo à frente, unindo o seu compromisso social com a luta ecológica. Visto que o mesmo sistema que oprime e marginaliza os pobres é também o responsável pela degradação e privatização dos recursos naturais e por grande parte da crise ecológica que vivemos.
Começando pelos catadores de material reciclado, as CEB’s introduziram na Igreja o compromisso com a ecologia, aliado com as lutas sociais, com a defesa da vida e da dignidade humana. E esta caminhada resulta agora num encontro estadual com uma temática que integra a ecologia na missão das Comunidades Eclesiais de Base. E isto vem em bom tempo. Quando a humanidade se volta para a ecologia, alarmada com os perigos em vista, as comunidades se vêem comprometidas com esta causa a partir da fé no Deus criador e defensor da Vida. Por isso a ecologia faz parte da missão das CEB’s. E é isto o que vamos abordar neste texto, através do método Ver, Julgar e Agir.
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