Conclusão - Olhar global e agir localmente
Reconhecemos que temos um inimigo comum, que é o agressor da vida, mas também temos esperanças, luzes e sonhos em comum e por isso traçamos metas e objetivos comuns. O sistema que oprime e marginaliza os pobres e explora violentamente a natureza é nosso inimigo comum. Mas a Palavra de Deus, que ilumina nossa caminhada, a nossa fé no Deus criador e a ecologia, como a ciência e a arte da reconciliação e do cuidado, nos renovam a esperança e nos desafiam a lutar corajosamente em defesa da vida. E para isto, precisamos nos organizar como comunidades comprometidas com o futuro. As CEB’s precisam ser espaços de conscientização e conversão ecológica, para que as pessoas possam ter clareza da real situação do planeta e saber o que fazer.
As comunidades devem ser núcleos organizados, atuando concretamente em defesa da vida. A ecologia nos desafia a pensar e olhar de forma ampla, global e a longo prazo, mas requer um agir local, imediato e cotidiano. Com o chamado a uma conversão ecológica, é preciso permear no seio das CEB’s a idéia de que o planeta precisa de todos e todas. Em vez de pensar que alguns vão fazer algo por nós, vamos nós procurar fazer algo por todos, pela vida do nosso planeta. E, com certeza, no pequeno lugar onde cada uma e cada uma se encontra, tem ali muito que fazer para restaurar e preservar o ambiente natural.
Parece absurdo pensar que todos os habitantes do planeta vão se ocupar com práticas ecologicamente corretas. Mas, precisamos trabalhar com este apelo para que a cada momento mais e mais pessoas estejam concretamente engajadas na luta em defesa da vida. A ciência, o saber e o conhecimento não são privilégios de alguns, são dons de Deus, que estão em todos os seres humanos, e cada um os desenvolve de alguma forma, pensando, inventando, recriando a vida. Pois, é necessário que todas as pessoas no mundo inteiro pensem e façam algo de bom para o planeta. “Pessoas pequenas em lugares pequenos, fazendo pequenas coisas, mudam a face da Terra”. Pensar grande é pensar em fazer coisas pequenas que somam e que ajudam a melhorar o mundo.
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(*) Frei Pilato Pereira, de Bagé, é membro da CPT e do Serviço de Justiça, Paz e Ecologia dos Freis Capuchinhos do Rio Grande do Sul
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