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18/12/07
Especialista diz que D. Cappio pode resistir até 60 dias
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Dom Cappio |
Sobradinho (BA) - Em reportagem assinada por Simone Iwasso, no jornal "O Estado de S. Paulo", desta terça-feira, depois de 22 dias sem receber alimento, o corpo humano passa a economizar energia e entra num estado de adaptação para sobreviver durante um jejum prolongado. Todas as ações básicas, como respiração e batimento cardíaco, começam a ser feitas com gasto menor de energia.
A gordura acumulada no organismo, então, transforma-se no combustível energético - e é a quantidade de tecido gorduroso que cada pessoa tem que determinará quantos dias ela poderá agüentar antes que seus órgãos comecem a falir ou que o corpo adquira alguma infecção.
“É muito difícil prever quanto tempo uma pessoa agüenta nessa situação, porque depende da idade, da quantidade de gordura no corpo, da presença de alguma outra doença associada, que pode deixar a pessoa mais frágil”, explica o médico especialista em nutrologia Dan L.Waitzberg, diretor-presidente do Grupo de Apoio de Nutrição Humana (Ganep).
Mas pode-se dizer que, em um indivíduo saudável, essa média pode chegar a até dois meses. “Alguém normal, que tenha entre 15% a 20% de gordura no corpo, que esteja bebendo apenas água, sem mais nenhuma outra substância, pode agüentar até 60 dias”, afirma.
No caso de d. Luiz Flávio Cappio, que hoje completa 22 dias de jejum, a idade avançada pode ser um complicador. De acordo com boletim médico divulgado pelo frei Klaus Finkam, o bispo de 61 anos estava recebendo até então uma solução de soro caseiro (mistura de água, sal e açúcar).
A partir de 60 dias sem comer, além de perder muito peso, o corpo começa a inchar, já que acumula uma quantidade acima do normal de líquidos em todos os órgãos. Isso ocorre porque o rim passa a ter dificuldade para trabalhar, assim como o coração. No quadro geral, a pessoa já está sofrendo de insuficiência renal e cardíaca.
Paralelamente, como não há mais ingestão de glicose e o estoque de gordura deve ter chegado ao fim, o corpo retira a pouca energia que ainda precisa das proteínas. Com isso, as proteínas presentes no sangue começam a rarear, ficando em níveis abaixo do normal. Todos os órgãos perdem funções.
“Surgem as infecções, aparece uma pneumonia. E isso, num organismo desnutrido, é muito grave. Já é sinal de que a pessoa precisa ir para uma Unidade de Terapia intensiva (UTI)”, explica o médico.
Ontem, pela primeira vez desde o início da greve, o bispo não celebrou a missa no fim da tarde na Igreja de São Francisco. Ele só acompanhou a cerimônia, usando um travesseiro para amparar a cabeça. Pela manhã, alegou cansaço e deixou de descansar à sombra de uma árvore pela primeira vez desde o começo do jejum. D. Luiz disse ao médico que o acompanha, frei Klaus Finkan, que sentia dores de cabeça e fraqueza.
Em boletim, Finkan informou que ele apresenta "certa fragilidade" em seu estado geral, mas que está "lúcido" e sem problemas neurológicos. Ainda segundo a nota, d. Luiz "se expressou firme no propósito de continuar o jejum".
Segundo o médico, o sangramento na boca é resultado do ressecamento dos lábios. Ele suspendeu a ingestão do soro caseiro e determinou que d. Luiz beba apenas água. "Ele não está desidratado nem com diarréia." Para controlar e prevenir os problemas, a família do bispo usa métodos "naturais". Ele é submetido duas vezes por dia a um "escalda-pés", que visa manter o bom funcionamento dos rins. A pressão arterial é verificada ao menos duas vezes por dia. Quando está baixa, o bispo tem os braços mergulhados em água gelada.
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