A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pediu ao governo políticas coerentes com os compromissos assumidos contra o aquecimento do planeta. O governo brasileiro declarou a intenção em diminuir, até 2020, em 38% a emissão de gases que provocam aquecimento da Terra, e a redução de 80% do desmatamento da Amazônia.
Em nota divulgada na sexta-feira, a CNBB diz esperar que “essas metas sejam acompanhadas por políticas nacionais coerentes, que promovam a sustentabilidade do desenvolvimento humano, especialmente das populações mais empobrecidas e a integridade da criação”. O texto do organismo episcopal, divulgado no contexto da cúpula do clima em Copenhague, assinala ao governo a importância de se obedecer a determinados princípios, nas políticas que afetam o meio ambiente.
“O reconhecimento da água como direito humano, bem público e patrimônio de todos os seres vivos, com a conseqüente implementação de políticas hídricas que priorizem o ser humano e a dessedentação dos animais.”
Também a “implementação de uma ampla política de reforma agrária e agrícola com uma justa distribuição da terra, em favor das unidades familiares e comunitárias, mais produtivas por hectare, geradoras de oportunidade de trabalho, produtoras de alimentos, em consonância com o meio ambiente”. A CNBB pede ainda o “aprimoramento e a implementação do Plano Nacional de Mudanças do Clima (PNMC), que orientem de modo adequado e coerente outros planos e iniciativas governamentais”.
Destaca a necessidade de se optar “por uma matriz energética limpa e diversificada, junto com um maior investimento tecnológico e atenção à sabedoria e ás práticas das populações tradicionais”.
O organismo episcopal pede também a “manutenção do código florestal e a busca de mecanismo de incentivo para a sua implementação”. A CNBB requer “transparência e controle social sobre os investimentos públicos e privados para que as políticas de Reduções de Emissões Associadas ao Desmatamento e à Degradação Florestal (REDD) não sejam regidos pelos interesses do mercado”.