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irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras e
preciosas e belas.
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Instituto Teológico Franciscano
Editora Vozes
São Paulo, Brasil, 12/02/2012, 22:21  
 

 03/02/10 

Há espaço para a compaixão na economia?

A idéia de que somos todos interconectados e interdependentes, os seres humanos entre si e com a natureza, sempre pareceu óbvia.

Afinal, o ar que respiramos, a água que bebemos, o fruto que nos alimenta... Mais ainda agora, quando é impossível não pensar globalmente, quando é evidente que alguns poderão ir para o abismo antes que outros, mas que definitivamente estamos num mesmo barco.

O problema é que o óbvio não é o prato predileto dos humanos (preferimos ir à Lua do que melhorar as escolas) e ao longo da evolução algo em nosso cérebro (e em nossas emoções) nos faz ter maior identificação com a ilusão da separação do que com o sentido de comunidade humana.

Julgamos mais que amamos. Competimos mais do que cooperamos. Afinal, este é o cerne do desafio planetário diante das mudanças climáticas e motivo das frustrações em Copenhague – ainda pensamos o globo como uma colcha de fronteiras e não como uma unidade.

No ano passado, para citar um exemplo bem brasileiro, o Instituto Ethos divulgou pesquisa realizada entre centenas de empresas e os resultados mostram que – mesmo com todo o barulho feito na última década em torno da responsabilidade social – os avanços tem sido periféricos, epidérmicos, e muitas vezes mais de marketing do que de real transformação nos modos produtivos.

Vamos adiando as grandes questões... Durante décadas, vale lembrar, as preocupações ambientais foram tratadas como “coisa de hippies” e os então chamados “eco-chatos” foram desprezados em sua contribuição intelectual (mesmo a Eco 92 foi tratada como espécie de “encontro de alternativos”).

Hoje, quem sabe tarde demais, tais temas ganham status de prioridade mundial.

Da mesma forma, agora vem saindo do espaço restrito das “comunidades espirituais” para ganhar algum lugar na agenda pública muitos chamados à consciência sobre a unicidade entre homem e natureza (a ordem do universo), trazendo na bagagem a necessidade de curar a humanidade deste estado onde prevalecem a destruição e o conflito, o egoísmo e a intolerância.

São temas que já não dizem respeito às religiões, mas que sim se colocam no contexto da necessidade de evolução espiritual e terapia global.

É que a exaustão planetária parece nos jogar diante da conclusão de que todos os tipos de sistemas políticos e econômicos já vividos trouxeram alguma evolução quanto aos acordos sociais e aos direitos humanos, mas estão longe de ser o bastante diante da motivação mais básica da vida: o desejo de felicidade e de fim dos sofrimentos.

É neste contexto, por exemplo, que o Dalai Lama estará reunindo, (9 a 11 de abril, na Suíça), líderes econômicos, ativistas sociais, neurocientistas, filósofos, antropólogos e monges para que respondam à seguinte pergunta:

“É possível desenvolver sistemas econômicos que produzam bem estar e prosperidade ao mesmo tempo valorizando o altruísmo e a compaixão?”.

O próprio Dalai Lama mediará o encontro que é promovido pelo Instituto Mind & Life e a Universidade de Zurique.

Quem sabe do conjunto dessas distintas perspectivas surgirá uma nova reflexão sobre as dimensões moral e ética do atual sistema econômico!

Para os organizadores, o sistema atual é “particularmente convidativo para a corrupção e a ganância” (ver www.compassionineconomics.org).

O Prêmio Nobel da Paz tem sido um militante incansável desta tentativa: o tema central de sua fala nesse encontro - Responsabilidade Universal e Economia – vem sendo amplamente discutido mesmo nos fóruns globais de responsabilidade social empresarial desde o lançamento, há 10 anos, de seu best-seller 'Uma Ética para o Novo Milênio' – lançado no Brasil pela editora Sextante.

Vale refletir sobre as questões que serão colocadas:

É possível desenvolver um sistema que satisfaça toda a sociedade e não apenas uns poucos indivíduos?
Podemos conceber um sistema que reconheça a cooperação e a compaixão e não apenas o sucesso competitivo?

O que deve ser mudado na estrutura econômica para facilitar a transformação social?
Podemos desenvolver um sistema de fato capaz de resolver os problemas relacionados à pobreza e preservação do meio ambiente?

Geraldinho Vieira é jornalista, professor da Fundación Nuevo Periodismo (Colômbia, entidade presidida por Gabriel García Márquez); vice-presidente da ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância, consultor da Fundação Ford na área do direito à comunicação e Instrutor da Oneness University (Índia).


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