Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão Vento,
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Instituto Teológico Franciscano
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São Paulo, Brasil, 12/02/2012, 09:37  
 

 13/02/08 

Por Roberto Funger

Quando se menciona a palavra Yoga, é quase inevitável para a maioria, imaginar alguém se contorcendo em posições impossíveis. Muitas pessoas, diante desse quadro, concluem imediatamente que o Yoga não é para elas, outras acham lento e monótono demais e outras o procuram como uma forma de praticar uma espécie ginástica exótica, interessadas apenas nos resultados que o espelho pode comprovar. Enfim, existem diversas motivações e diversos paradigmas criados em torno do Yoga, que muitas vezes afastam as pessoas ou as atraem pelas razões “erradas”. Essas últimas não preocupam porque já iniciaram a sua prática e, se bem orientadas, poderão compreender melhor esse universo e operar uma correção de rumo e expectativas. As primeiras sim preocupam, porque podem estar deixando passar uma oportunidade de crescimento por pura desinformação.

O Yoga surgiu na Índia a cerca de 5 mil anos atrás e durante muito tempo, era praticado em retiro na natureza, nas montanhas e florestas ou à beira de rios e do mar. Estudantes viviam com seus mestres desde crianças e o ensinamento passava de mestre para discípulo sucessivamente. Tinha um caráter iniciático não sendo, portanto, um conhecimento aberto a todos como hoje. O contato íntimo com a natureza era uma forma de harmonizar-se externamente com ela e com o Espírito Cósmico por trás dela. Internamente o esforço era em buscar o equilíbrio das forças de nossa própria natureza como corpo, mente, respiração e espírito. Cada um de nós é uma manifestação de todo o universo e apenas quando descobrimos o universo dentro de nós, podemos realmente entender o propósito de nossa vida. O Yoga é, portanto, o estado de equilíbrio, busca liberar-nos da nossa noção limitada de quem somos e requer um profundo comprometimento com a autotransformação, envolvendo um esforço pessoal considerável.

A conexão com a natureza e a busca pela liberação, perderam sua força ou simplesmente desapareceram com a visão do Yoga no ocidente e sua orientação urbana e comercial. Nosso estilo de vida moderno e veloz, competitivo e feroz, reserva pouco tempo ou espaço para que algo sagrado flua em seu próprio ritmo, afastando o Yoga ocidental de suas raízes.

A forma mais popular aqui no ocidente é o Hatha Yoga, com seus diversos estilos, ritmos e intensidades. Conhecido como o “Yoga da Força”, que almeja a liberação por meio da transformação física, se utiliza de diversas técnicas dentre elas os “asanas” (posturas psico-físicas) e “pranayamas” (exercícios respiratórios). Muitas dessas posturas são de fato desafiadoras e criaram a imagem mencionada no início do artigo, mas que jamais deve desestimular quem quer que seja a praticar. Por uma razão muito simples, o importante não é a postura em si, mas o grau de entrega, de consciência na postura. Uma postura deve ser firme e confortável. Qualquer postura que agrida o seu corpo não deve ser realizada, ela sempre pode ser modificada para melhor se adequar às suas possibilidades no momento ou mesmo substituída. Por isso que o Hatha Yoga deve ser praticado com o auxílio de um professor competente antes de se aventurar em práticas solitárias.

O Yoga é na verdade muito amplo e existem diversas formas de praticá-lo. Ao Hatha Yoga juntam-se o Raja Yoga (Yoga Real), Jnana Yoga (Sabedoria do Yoga), Karma Yoga (Yoga da Ação), Bhakti Yoga (Yoga Devocional), Tantra Yoga (Yoga da Continuidade), Mantra Yoga (Yoga do Som potente), todos desenvolvidos justamente para atender à diversidade de características humanas, para que cada um, de acordo com seus potenciais e debilidades, possa encontrar o(s) ramo(s) que melhor se encaixa(m) em seu perfil e facilitar a entrega à prática escolhida por toda a sua vida. Não importa a forma de Yoga escolhida todas elas têm em comum uma vida moral sólida, baseada em valores como a não violência, veracidade, abstenção de roubar, compaixão, gentileza entre outros.

Simplificando bastante, as técnicas do Hatha Yoga, procuram primeiramente, ocupar a mente com tarefas contidas no universo de nosso corpo, solicitando nossa mente a cuidar de diversas delas ao mesmo tempo. Procuramos então, observar, tomar consciência de cada parte do corpo, tentando perceber o que está ativo, o que precisa ser ativado, aonde existe tensão em demasia, perceber os alinhamentos, focar a respiração, aprofundá-la, suavizá-la, fixar o olhar em um ponto, ou simplesmente fechar os olhos, contar o número de respirações, enfim, a mente fica absorvida com tantas tarefas que exigem total concentração para serem adequadamente realizadas, que pouco a pouco vai se desconectando dos estímulos externos. Invertemos o sentido de atenção de <dentro para fora>, para >de fora para dentro<. Com os anos de prática, nossa capacidade de abstrair nossos sentidos e voltar-nos para dentro se intensifica, permitindo à mente esvaziar-se, ao mesmo tempo em que o corpo se torna mais saudável, flexível e forte, capaz de permanecer imóvel por muito tempo sem incômodo, permitindo meditações cada vez mais longas e profundas. Pode-se dizer então, que as técnicas do Hatha Yoga, aliadas à vida moral sólida, visam preparar e purificar, corpo e mente para a meditação e através dela realizar a nossa verdadeira e divina natureza.

A prática regular do Hatha Yoga proporciona benefícios físicos evidentes e comprovados cientificamente em pesquisas realizadas mais fortemente na França e nos Estados Unidos. Dentre eles destacam-se o equilíbrio do sistema endócrino, benefícios ao sistema nervoso, aumento da atividade cardiovascular, maior oxigenação das células, massagem dos órgãos abdominais fortalecendo-os e regularizando seu funcionamento, aumento da capacidade respiratória proporcionando o seu controle, entre outras. Além disso, a prática nos ensina a lidar de maneira mais serena com as nossas oscilações mentais e emocionais, sendo por esta razão muito procurada para o gerenciamento do estresse.
O Yoga é para todos, independente de idade, crenças ou habilidades, todos podem colher excelentes frutos. Espero, sinceramente, que essas breves noções possam contribuir para um melhor entendimento do que é o Yoga e ajudá-lo a responder à pergunta: porque praticar Yoga? E que a sua resposta lhe faça desejar ir fundo, fugir da superficialidade e ir além. Boa prática!
Namastê!(*)

(*) Namastê é uma saudação Hindu que significa: “O Divino que Habita em Mim, Saúda o Divino que Habita em Você!”


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