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_HISTÓRIA
Frei Galvão: de Seminário Menor
a Postulantado da Província
A idéia de se fundar um Seminário preparatório
no norte da Província foi lançada pelos
anos de 1937, no Capítulo provincial, realizado
aos 11 de dezembro. O revdo. Pe. Frei Antonino Zimmermann,
em primeiro de fevereiro de 1939, conseguiu que se
comprasse a "Granja São Paulo", no
bairro de São Bento, que tinha um terreno de
8 alqueires. O pomar tinha 1.365 pés de laranjeiras.
A construção ficou a cargo do revdo.
Frei Edgar Loers, guardião do Convento de Guaratinguetá.
Deu-se início à construção
em 22 de abril de 1941. A pedra fundamental recebeu
a bênção, em 28 do mesmo mês.
Já em 1º de março do seguinte ano,
fez-se a inauguração, embora parcial
do novo Seminário. Num agradável texto,
Frei Matias Heidemann descreve a chegada dos primeiros
alunos que vieram do Convento Rio e se juntaram à
turma que veio de São Paulo.
"Raiou finalmente o dia da partida: 23 de
fevereiro, segunda-feira. Dez meninos estão
reunidos no Convento Santo Antônio, do Rio.
Estão ansiosos por conhecer o Colégio
Seráfico Frei Galvão, de Guaratinguetá,
onde irão, continuar, uns, começar,
outros, os estudos preparatórios que terminarão
com o exame de admissão para o curso secundário
do Colégio Seráfico S. Luiz, de Rio
Negro. Querem ser franciscanos. Ei-los todos no trem
com suas malas e pacotes! Às sete horas em
ponto, da monumental e imponente Estação
Pedro II, parte o rápido. Os meninos estão
vivos, alegres; conversam e cantam. Estão exuberantes.
Já não sentem saudades dos pais e irmãozinhos
que deixaram, pois estão com os "freis"
e, em breve, estarão em "casa". Sete
horas de viagem pelo estado do Rio e de São
Paulo adentro, seguindo, em grande parte, o rio Paraíba
do Sul. Agora vem Guará. Os meninos correm
às janelas. Querem ver o Colégio. Como
será, como não será? Será
belo, será feio? Será alegre, será
triste? Para crianças que não refletem,
as primeiras impressões calam fundo na fantasia
delas. Se as impressões são boas, tudo
vai bem; mas se embirram, se lhes não agradam
a casa, o lugar, os companheiros, vai tudo água
abaixo, alegria, entusiasmo e até, quanta vez,
a própria vocação que neles é
um desejo, sim, mas vago, impreciso, indefinido.
"Lá está ele, o Colégio,
no alto de uma colina, à esquerda de quem vem
do Rio. "Que bonito"! dizem os meninos.
Frei Dídimo está com uns 15 pequenos,
à beira da estrada. Vão as primeiras
saudações. Mas o Colégio é
mesmo uma beleza!
"Na estação, o Revmo. P. Reitor
fr. Câncio, espera-nos com um caminhão.
E lá se vai o carro, levando a meninada, devorando
os três quilômetros de distância
que separam a estação, do Colégio.
Sobe agora a colina. Que alegre, soberbo, que lindo
panorama temos ante os olhos! A nossos pés,
serpeando caprichoso... o Paraíba; vai levando
as saudações de todos os meninos para
todos os entes queridos que eles deixaram no Estado
do Rio e que ele banha, fertilizando as terras do
imenso e rico vale que lhe recebe o nome. Ao longe,
no horizonte, azulada pela distância, está
a Serra do Mar. Por ali, naquelas montanhas, é
Campos do Jordão, a Suíça do
Brasil. Bem mais para a direita, por aquele corte
da serra, vai-se para São Lourenço.
Estamos à porta do Colégio. Os paulistas,
que chegaram, há duas horas, vêm-nos
receber. Encontraram-se muitos conhecidos do ano passado,
que estavam no Grêmio Frei Rogério, em
Petrópolis. Entramos. A parte superior do Colégio
está toda em obras, cheia de andaimes e material
de construção. Fomos logo informados:
só está pronto o andar térreo,
do lado do rio e da estrada. Para lá nos dirigimos.
Malas, pacotes etc, tudo vai para o dormitório,
até que os armários encomendados estejam
prontos, o que não demorará, possuindo,
então, dacada um, o seu armário. O dormitório
é uma sala grande com vista belíssima
para o rio e para a serra distante. Em filas de três,
estão nele alojadas 50 camas. A cada meninino
é indicada a sua.
"Isto feito, os meninos, desaparecem. Para onde
foram? Correram com "os velhos" da casa
para fora. Querem ver e conhecer o seu "campo
de ação", para o ano escolar que
se inicia. Seguimo-los. Lá estão eles
percorrendo os caminhos da chácara. Quantas
laranjeiras!... Mil e trezentos pés é
o que nos informam. Que bom!... Não faltarão
laranjas. E lá? Bananeiras... nem podiam faltar.
Correm adiante: um canavial... "Hopa, temos cana!"...
e já alguns tinham uma na mão. No primeiro
dia a gente "não vê" nada.
Deixá-los, pois!
"Entrementes, o sr. Artur, ótimo cozinheiro
mor do Colégio, preparou-nos uma boa feijoada,
arroz e carne. Almoçamos às três
da tarde. Ao entrarmos no refeitório, ficamos
admirados. Que sala esplêndida!Há lugar
para 120, e mais alunos. Ainda não há
mesas. Estas só chegaram à tardinha
e, ainda assim, são provisórias, porque
as encomendadas chegarão mais tarde. Cada um
toma o seu prato e se arranja. Silêncio! São
três da tarde.. e a fome é muita.
"Depois do almoço, visitamos a cozinha.
O sr. Artur está radiante. Isto é que
é cozinha: clara, espaçosa e arejada.
Trabalhou um ano na cozinha do Grêmio Fr. Rogério,
em Petrópolis; não era má, mas
aqui é outra coisa, embora não haja
luxo. Da cozinha passamos pelo futuro refeitório
dos padres e fomos ver os quartos. São agradáveis,
bem arejados e muito claros. Ainda não há
portas no Colégio.
"Acabam de chegar neste instante, mas já
no dia seguinte estão colocadas as principais.
É assim que trabalha frei Edgar, o revmo. P.
Guardião de Guará, o incansável,
o dinâmico, o construtur chefe, o motorista
do Colégio(...)
"Domingo, dia 1º de março, é
o dia da inauguração. Não há
festividades. A inauguração solene oficial
será feita somente quando terminado e instalado
todo o edifício. (...) Estavam presentes 37
alunos. No mesmo dia chegaram 7 de Minas, com o revmo.
P. Procurador das vocações, fr. Alberto
e, de São Paulo, mais 2 vieram no dia seguinte.
Terminando a homilia, o Pe. Def. Fr. Ernesto, diretor
do Colégio Santo Antônio, de Blumenau,
colocou o novo Colégio sob a proteção
de São José."
O Seminário Menor encerrou suas atividades
em 1965, quando a Província da Imaculada começou
uma nova experiência: o SEVOA - Seminário
de Vocações Adultas, onde os candidatos
à vida religiosa franciscana com mais de 18
anos eram preparados durante um ano para ingressarem
no Noviciado de Rodeio. Aqueles que não tinham
o Colegial completo, faziam a conclusão do
curso nas escolas da cidade. O estudantes do Seminário
de Agudos, que concluíam o Segundo Grau, também
seguiam diretamente para Rodeio.
A partir de 1990, a Província mudou o processo
de admissão à vida religiosa. O candidato
passou a ter um ano de Aspirantado, no Seminário
de Luzerna e o Seminário Frei Galvão
passou a abrigar o Postulantado unificado: os aspirantes
de Luzerna e Agudos fariam um ano de preparação
conjunta em Guará antes de seguirem para Rodeio.
Deste processo, só mudou o local do novo Aspirantado,
que agora é em Ituporanga.
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