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_ HISTÓRIA
Mais de 130 anos de história em Petrópolis
No centenário, em 1974, um livreto comemorativo,
escrito por Frei Clarêncio Neotti, ofm, encontra-se
o seguinte: No dia 8 de setembro de 1974, a Igreja
do Sagrado Coração de Jesus completou
cem anos de existência. Citou os Alemães
em Petrópolis, a inauguração,
o tempo intermediário, os franciscanos, o relógio
da torre, as outras reformas da igreja, a Igreja Paroquial
e uma conclusão, ao final do trabalho, cuja
impressão foi encomendada à Editora
Vozes, tradicional empresa petropolitana, ligada à
comunidade franciscana.
Segundo Frei Clarêncio Neotti, "a igreja
do Sagrado Coração de Jesus, núcleo
central do que hoje o povo costuma chamar de "O
Sagrado", foi construída em menos de um
ano e meio e não teve a solidez das igrejas
de pedras que costumam atravessar incólumes
os séculos. As muitas reformas porque passou
não significaram caprichos pessoais ou moda,
mas necessidade de conservação. Hoje,
a Igreja do Sagrado Coração de Jesus,
em seu interior, é bem diferente de há
50 anos, de há 100 e de a 130 anos. Da igreja
original sobram as duas paredes laterais e, ainda
assim, com remanejamentos das janelas e dos próprios
vãos das janelas. Prestar-lhe uma homenagem
pelo centenário é mais recordar, sem
saudosismos, a intrepidez dos que fizeram, os altos
ideais que sempre guiaram seus vigários e a
espetacu-lar, ininterrupta e rara folha de serviços
que esta igreja prestou à comunidade alemã,
à co-munidade petropolitana e, pelas ligações
com o convento franciscano, à comunidade brasileira".
Frei Augusto Koenig, ofm, diz no ano de 1989, por
ocasião dos seus 115 anos: "A igreja do
Sagrado Coração de Jesus tem sua origem
intimamente ligada à própria história
da cidade de Petrópolis, quando em 1837 aqui
chegaram os primeiros imigrantes alemães, seguidos
depois por outras levas de colonos a partir de 1845.
Estavam lançados os fundamentos da nossa cidade
e o Major Koeler, oficial alemão a serviço
do Governo Imperial desde 1833, nomeado Diretor da
nascente colônia, iniciou a construção
do Palácio Imperial, em torno do qual se agrupavam
as construções coloniais; Petrópolis
era então chamada Fazenda do Córrego
Seco, propriedade da família imperial. Até
1846, a Colônia era dependente de São
José do Rio Preto no atendimento religioso.
Nessa data, a colônia foi elevada a Paróquia,
sob a invocação de São Pedro
de Alcântara.
Quanto aos colonos evangélicos, que constituíam
um terço da Colônia, providenciara o
governo que não lhes faltasse pastor de língua
alemã; os católicos ficaram sob a jurisdição
do Vigário da Paróquia de São
Pedro de Alcântara. Embora considerados brasileiros,
todos falavam o alemão, de modo que se tornava
difícil fazerem-se compreender por um sacerdote
que não lhes soubesse falar em sua língua
materna. Esta situação perdurou por
uns 20 anos, quando, a convite, aqui chegou Pe. Theodoro
Esch. Fundou logo uma escola para as crianças,
filhas dos colonos, e uma sociedade de canto. Surgia
cada vez mais forte a idéia da construção
de uma igreja própria, para a comunidade alemã.
Depois de muitas negociações e da interferência
do Imperador, decidiu-se à municipalidade a
conceder para a edificação da igreja
o terreno ocupado pelo cemitério municipal.
O projeto foi elaborado pelo Sr. Schimitz e encarregado
das obras o construtor Sr. Carlos Kling. A Colônia
toda fez donativos para a construção.
Em menos de dois anos estava edificada a Capela da
Comunidade católica alemã, dedicada
ao Sagrado Coração de Jesus.
Quanto ao estilo, aproximava-se em suas linhas gerais
do gótico. Foi inaugurada na data de 8 de setembro
de 1874. Posteriormente veio a sofrer diversas reformas
e ampliações. Em 1888, o Pe. Esch voltava
para a Alemanha. Mons. João Batista Guidi dava
então assistência à Capela, nos
finais de semana. Com a chegada dos religiosos franciscanos
ao Brasil, vindos da Alemanha para a "Restauração"
das Províncias Frasnciscanos, Mons. Guidi vislumbrou
a possibilidade de esses religiosos assumirem os cuidados
pastorais da Capela do Sagrado Coração
de Jesus. Os Franciscanos aceitaram em 1896. A partir
desse tempo foi construído o convento, fundada
uma escola - hoje Escola gratuita São José
- para os meninos pobres e uma tipografia - Editora
Vozes. Tornou-se sede paroquial somente em 1946.
Em comemoração aos 115 anos da bênção
da primeira Capela, o atual Pároco Frei Augusto
Koenig lança uma campanha entre os paroquianos
e a população, a fim de angariar fundos
para a restauração e pintura do prédio,
já em andamento. A igreja do Sagrado tem cumprido
ao longo da história a missão de centro
evangelizador. Foi à sua sombra que a Editora
Vozes cresceu. É no seu recinto que se abriga
o coral dos Meninos Cantores de Petrópolis,
os Canarinhos. É ao seu redor que hoje se reúnem
23 comunidades eclesiais, formando a Igreja viva nos
desafios dos tempos modernos".
O conjunto arquitetônico do Sagrado Coração
de Jesus é um patrimônio tombado em nível
municipal e estadual, sendo assim de grande relevância.
Sua conservação e manutenção
requerem grande esforço e responsabilidade
por parte desta instituição.
Atualmente a Igreja do Sagrado está sendo restaurada.
Muitas partes já foram concluídas e
entregues totalmente restauradas.
Veja também a
Análise Iconográfica e iconológica
do forro da Igreja do Sagrado.
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