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       São Paulo, 12/02/2012, 16:42          
 
Arte e Francisco
  Frei Pedro da Silva Pinheiro

Natural de Lería, uma pequena vila perto de Lisboa, em Portugal, Frei Pedro da Silva Pinheiro chegou ao Brasil em 56, quando tinha cinco anos e meio de idade. Ele desembarcou com seus pais no porto de Santos, cidade do litoral paulista, onde se fixou e viveu sua infância e adolescência.

Mal sabia o pequeno Pedro que o novo país iria despertá-lo para a arte. "Quantas vezes eu não fui para o Banco de Boston, em Santos, admirar os quadros de Portinari. Passava lá horas observando as telas deste pintor. Saía revigorado para a vida", lembra Frei Pedro.

Mais tarde quando começava a faculdade de Belas Artes, um outro artista entrou em sua vida: São Francisco de Assis. Aos 25 anos ingressou na vida religiosa, tornando-se frade da Ordem Franciscana a partir de 1977, quando deu início a uma carreira predominantemente dedicada à arte sacra. "Minha maior preocupação é o desenvolvimento da arte sacra", observa Frei Pedro. Para ele, a arte sacra é um nicho aberto. "A Igreja sempre teve uma relação de troca de valores com a arte, mas isso é menor hoje", explica o religioso.

Autodidata, Frei Pedro faz um trabalho, onde pesquisa no figurativo e no abstrato, sendo influenciado pelo modernismo no Brasil, principalmente Portinari e Brecheret, e pelo expressionismo alemão. "Mas a minha sensibilidade e formação religiosa me leva também a temáticas calcadas no social, a exemplo de Portinari. Ele tinha uma preocupação pelo social e essencialmente pelo humano", conta, assim como o movimento "Blouer Heiter" (cavaleiro azul), da escola alemã expressionista do final do século 19, que representava a alma e a essência do humano. "Até então, o conceito de belo estava em jogo. O expressionista veio mudar isso. O feio pode ser belo".

Frei Pedro conta que se sentia angustiado por não ter uma linguagem padrão desenvolvida. "Mas descobri que nem os grandes pintores têm. Eles acabam atendendo a interesses de marchands. Como religioso, estou isento. Não estou preso a uma teoria, a uma linguagem que atenda aos interesses de quem mexe com arte", observa.

Para ele, o seu trabalho com a arte é uma grande terapia. "Cheguei num momento da vida em que quero produzir para que eu saiba quem sou eu. Isso é importante para mim", decreta. Pedro expõe pintura e desenho desde 1971 e gravura desde 1982.

O grande pintor, contudo, fez uma descoberta. "Passei a vida toda para me descobrir que sou mais escultor do que pintor. A escultura é uma fala natural para mim hoje", confessa, lembrando que essa descoberta foi feita a partir de 1988. Depois vieram a cenografia em 1990 e a cerâmica em 1992.

O artista plástico conta com aproximadamente setenta exposições em seu currículo, além de ter executado diversos trabalhos e cursos voltados para a pintura, desenho, gravura e escultura.

Tem sua obra espalhada por alguns estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Bahia, Mato Grosso, e alguns países, entre eles Argentina, Japão, EUA, Itália, Portugal, Alemanha e Canadá.


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