Natural
de Lería, uma pequena vila perto de Lisboa, em
Portugal, Frei Pedro da Silva Pinheiro chegou ao Brasil
em 56, quando tinha cinco anos e meio de idade. Ele desembarcou
com seus pais no porto de Santos, cidade do litoral paulista,
onde se fixou e viveu sua infância e adolescência.
Mal sabia o pequeno Pedro que o novo país iria
despertá-lo para a arte. "Quantas vezes eu
não fui para o Banco de Boston, em Santos, admirar
os quadros de Portinari. Passava lá horas observando
as telas deste pintor. Saía revigorado para a vida",
lembra Frei Pedro.
Mais tarde quando começava a faculdade de Belas
Artes, um outro artista entrou em sua vida: São
Francisco de Assis. Aos 25 anos ingressou na vida religiosa,
tornando-se frade da Ordem Franciscana a partir de 1977,
quando deu início a uma carreira predominantemente
dedicada à arte sacra. "Minha maior preocupação
é o desenvolvimento da arte sacra", observa
Frei Pedro. Para ele, a arte sacra é um nicho aberto.
"A Igreja sempre teve uma relação de
troca de valores com a arte, mas isso é menor hoje",
explica o religioso.
Autodidata, Frei Pedro faz um trabalho, onde pesquisa
no figurativo e no abstrato, sendo influenciado pelo modernismo
no Brasil, principalmente Portinari e Brecheret, e pelo
expressionismo alemão. "Mas a minha sensibilidade
e formação religiosa me leva também
a temáticas calcadas no social, a exemplo de Portinari.
Ele tinha uma preocupação pelo social e
essencialmente pelo humano", conta, assim como o
movimento "Blouer Heiter" (cavaleiro azul),
da escola alemã expressionista do final do século
19, que representava a alma e a essência do humano.
"Até então, o conceito de belo estava
em jogo. O expressionista veio mudar isso. O feio pode
ser belo".
Frei
Pedro conta que se sentia angustiado por não ter
uma linguagem padrão desenvolvida. "Mas descobri
que nem os grandes pintores têm. Eles acabam atendendo
a interesses de marchands. Como religioso, estou isento.
Não estou preso a uma teoria, a uma linguagem que
atenda aos interesses de quem mexe com arte", observa.
Para ele, o seu trabalho com a arte é uma grande
terapia. "Cheguei num momento da vida em que quero
produzir para que eu saiba quem sou eu. Isso é
importante para mim", decreta. Pedro expõe
pintura e desenho desde 1971 e gravura desde 1982.
O grande pintor, contudo, fez uma descoberta. "Passei
a vida toda para me descobrir que sou mais escultor do
que pintor. A escultura é uma fala natural para
mim hoje", confessa, lembrando que essa descoberta
foi feita a partir de 1988. Depois vieram a cenografia
em 1990 e a cerâmica em 1992.
O artista plástico conta com aproximadamente setenta
exposições em seu currículo, além
de ter executado diversos trabalhos e cursos voltados
para a pintura, desenho, gravura e escultura.
Tem sua obra espalhada por alguns estados do Brasil, como
São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Bahia,
Mato Grosso, e alguns países, entre eles Argentina,
Japão, EUA, Itália, Portugal, Alemanha e
Canadá.