Bartolomé
Esteban Murillo é talvez o pintor que melhor define
o barroco espanhol. Ele nasceu em 1617 na cidade de Sevilha,
onde passou a maior parte de sua vida. A data exata de
seu nascimento é desconhecida, mas deve ser nos
últimos dias do ano, pois ele foi batizado no dia
1º de janeiro de 1618. O costume da época
era batizar a criança poucos dias depois do nascimento.
De família numerosa, ele era o 14º filho do
casal Gaspar Esteban e María Perez Murillo.
Na cosmopolita Sevilha do século XVII, ainda adolescente
ele começou a trabalhar e a estar em contato com
a pintura de diferentes e importantes artistas, tanto
nacionais como estrangeiros (italianos e flamencos). Em
1648, casou-se com Beatriz Cabrera, com quem teve nove
filhos. Em 1645, Murillo recebeu seu primeiro trabalho
importante: pintar um série de treze quadros para
o Claustro do Convento de São Francisco de Sevilha.
Entre 1650 e 1655 fez vários trabalhos sobre a
Imaculada Conceição para os franciscanos.
O período mais fecundo de Murillo se inicia em
1665, quando ele pintou "O sonho de Patrício"
e "Patrício relatando o sonho para o Papa"
para a Igreja de Santa Maria Blanca. Foi nessa época
que fez a decoração do templo do Hospital
da Caridade de Sevilha, o que levou a ser conhecido em
todo o país, principalmente na corte madrilenha.
O próprio rei Carlos II convidou o pintor para
residir em Madri, oferta que ele recusou, alegando idade
avançada.
Em 1681, ele iniciou o seu último trabalho na Igreja
Santa Catarina de Cádiz. Quando trabalhava num
andaime mais alto, sofreu uma queda e veio a falecer três
meses mais tarde, no dia 3 de abril de 1682. Segundo seu
biógrafo, ele foi enterrado na Igreja da Santa
Cruz, posteriormente destruída durante a ocupação
dos franceses em 1811.
Dois
elementos-chave na obra de Murillo são a luz e
a cor. Em seus primeiros trabalhos emprega uma luz uniforme,
sem apenas recorrer aos contrastes. Este estilo muda na
década de 1640 quando trabalha no claustro de São
Francisco, influenciado pelo estilo dramático de
Zurbarán e Ribera. Este estilo se manterá
até 1655, momento em que Murillo assimila a maneira
de trabalhar de Herrera e Mozo, com suas transparências
e jogos de contra-luzes, tomados de Van Dyck, Rubens e
a escola veneziana.
As obras de Murillo alcançaram grande popularidade,
tanto que durante o Romantismo se fizeram inúmeras
cópias que foram vendidas como autênticos
"Murillos" aos estrangeiros que visitaram a
Espanha.