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       São Paulo, 12/02/2012, 14:08          
 
Arte e Francisco
  Bartolomé Esteban Murillo (1617-1682)

Bartolomé Esteban Murillo é talvez o pintor que melhor define o barroco espanhol. Ele nasceu em 1617 na cidade de Sevilha, onde passou a maior parte de sua vida. A data exata de seu nascimento é desconhecida, mas deve ser nos últimos dias do ano, pois ele foi batizado no dia 1º de janeiro de 1618. O costume da época era batizar a criança poucos dias depois do nascimento. De família numerosa, ele era o 14º filho do casal Gaspar Esteban e María Perez Murillo.

Na cosmopolita Sevilha do século XVII, ainda adolescente ele começou a trabalhar e a estar em contato com a pintura de diferentes e importantes artistas, tanto nacionais como estrangeiros (italianos e flamencos). Em 1648, casou-se com Beatriz Cabrera, com quem teve nove filhos. Em 1645, Murillo recebeu seu primeiro trabalho importante: pintar um série de treze quadros para o Claustro do Convento de São Francisco de Sevilha. Entre 1650 e 1655 fez vários trabalhos sobre a Imaculada Conceição para os franciscanos.

O período mais fecundo de Murillo se inicia em 1665, quando ele pintou "O sonho de Patrício" e "Patrício relatando o sonho para o Papa" para a Igreja de Santa Maria Blanca. Foi nessa época que fez a decoração do templo do Hospital da Caridade de Sevilha, o que levou a ser conhecido em todo o país, principalmente na corte madrilenha. O próprio rei Carlos II convidou o pintor para residir em Madri, oferta que ele recusou, alegando idade avançada.

Em 1681, ele iniciou o seu último trabalho na Igreja Santa Catarina de Cádiz. Quando trabalhava num andaime mais alto, sofreu uma queda e veio a falecer três meses mais tarde, no dia 3 de abril de 1682. Segundo seu biógrafo, ele foi enterrado na Igreja da Santa Cruz, posteriormente destruída durante a ocupação dos franceses em 1811.

Dois elementos-chave na obra de Murillo são a luz e a cor. Em seus primeiros trabalhos emprega uma luz uniforme, sem apenas recorrer aos contrastes. Este estilo muda na década de 1640 quando trabalha no claustro de São Francisco, influenciado pelo estilo dramático de Zurbarán e Ribera. Este estilo se manterá até 1655, momento em que Murillo assimila a maneira de trabalhar de Herrera e Mozo, com suas transparências e jogos de contra-luzes, tomados de Van Dyck, Rubens e a escola veneziana.

As obras de Murillo alcançaram grande popularidade, tanto que durante o Romantismo se fizeram inúmeras cópias que foram vendidas como autênticos "Murillos" aos estrangeiros que visitaram a Espanha.


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