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O Natal é este rito de esperança; é sonho de um mundo pacificado onde vigora a reciprocidade: pessoas e povos se aproximam, se respeitam, se aceitam, mutuamente se reconhecem, e até mesmo se amam, porque se descobrem semelhantes, solidários e irmãos. O presépio é a expressão poética do Natal, este sonho universal e eterno da humanidade, que continuamente anuncia: " paz na terra" ! No entanto, o próprio Deus experimentou a rejeição e a exclusão, a miséria e a fome, a dor e o sofrimento, a solidão e a morte. Por isso, o Menino, o Filho de Deus, continuamente volta e, a cada ano, assume nossa fragilidade e vive essa contradição da vida humana. Porque o amor de Deus não se deixa vencer; porque a vida é mais forte que a morte; porque o sonho não pode acabar. O sonho de paz do
Profeta Isaías vislubrava um tempo em que não haveria mais
guerra entre as nações; em que as espadas seriam fundidas
e transformadas em arados, e as lanças em foices (2,1-5). Tempo
em que Deus "vai tirar o véu de luto que encobre os povos
todos, e a mortalha que se estende sobre todas as gentes" (25,7-8).
Tempo em "o lobo e o cordeiro habitarão juntos e o leopardo
deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leãozinho
pastarão juntos e um menino os poderá tanger; a vaca e o
urso comerão na mesma pastagem e juntos repousarão os seus
filhotes; o leão comerá palha como o boi; O Natal quer acordar no coração humano esse sonho de paz, porque "nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado: seu nome é 'Príncipe da Paz" (Is 9,5). Precisamos ouvir a lição do presépio: "é de paz que ele fala" (Sl 84,9). A cena e as personagens do presépio falam de encontro: Deus encontrou Maria; os pastores e os reis encontraram um Menino. Nele, descobriram que "amor e verdade se encontram, justiça e paz se abraçam" (Sl 84,11).
FREI REGIS DAHER, OFM |