| |
Franciscanos no Extremo Oriente antes de Marco Pólo
(1245-1330)
Fazer uma viagem de avião do Brasil até
a China é, hoje, uma aventura que não agrada
a muitos, pois mais de 24 horas entre vôos e aeroportos
cansam até mesmo os mais jovens. Sair de automóvel
da Europa para ir até a antiga Caracorum, na Mongólia,
exige muito espírito de aventura e muita coragem.
Aventurar-se em uma viagem costeira a partir da Arábia,
indo pela Índia e Malásia até Pequim,
com troca constante de barcos, demora uma eternidade e
também é arriscado. Imagine-se, então,
o que significaram semelhantes empresas nos séculos
XIII e XIV. Os relatos dos quatro autores do presente
volume falam exatamente do que foram tais viagens e do
mundo diferente que elas apresentaram aos humildes frades
europeus.
A "pax mongólica" que se estabeleceu
desde o Mar da China até o coração
da Europa, graças às conquistas de Gengis-Cã
e de seus descendentes, semeou terror no mundo cristão
ocidental e oriental, que já se via cercado, ao
sul e a leste, pelos muçulmanos. Ao mesmo tempo,
o espírito missionário da Igreja, revigorado
pelas novas ordens religiosas dos franciscanos e dominicanos,
contemplava estas dezenas de milhões de quilômetros
quadrados, habitados pelos mais diversos povos, quase
todos eles desconhecedores da fé cristã.
Enviado pelo papa Inocêncio IV e pelo geral da ordem,
frei João de Pian del Carpinem foi ao Extremo Oriente
(1245-1247) e assistiu à coroação
de Guiuc nas gélidas planícies mongólicas.
Poucos anos depois (1253-1255), a vocação
missionária e o pedido de Luís IX, rei da
França, levaram frei Guilherme de Rubruc até
a corte de Mangu. Em 1291, frei João de Montecorvino
partiu do Golfo Pérsico para uma viagem sem retorno
à China. Sua atividade apostólica levou
a Igreja a empreender a primeira organização
da missões no Oriente, criando o arcebispado de
Cambalic (Pequim), que abrangia "apenas" todo
o império mongol e para o qual foi indicado frei
João, que veio a falecer no cargo em 1328. Enfim,
também pelos caminhos marítimos, Odorico
de Pordenone permaneceu no Oriente entre 1314 e 1330.
Os textos aqui apresentados, com introduções
históricas valiosas, fornecem dados importantes
sobre o Oriente daquela época, como bem perceberam
os historiadores. Mas a leitura destas crônicas
e cartas, na singeleza e despretensão dos que as
redigiram, não deixa de ter, no conjunto, algo
de épico, de grandioso e de utópico. Transbordaram
delas a simplicidade humana e o ardor missionário
de Francisco de Assis (Luis Alberto de Boni)
Coleção do Pensamento Franciscano
- Vol. VII
Editora Universitária São Francisco
EDIPUCRS
Porto Alegre/Bragança Paulista - 2005-08-25 337
páginas
edusf@saofrancisco.edu.br
edipucrs@pucrs.br
|