"Gênese do Pensamento Único
em Educação - Franciscanismo e Jesuitismo
na História da Educação Brasileira",
do escritor fluminense Luiz Fernando Conde Sangenis, é
um lançamento da Editora Vozes, de 198 páginas,
com a apresentação do teólogo Leonardo
Boff: "A história da educação
no Brasil não foi feita ainda de forma completa.
Predomina a versão que narra a gesta extraordinária
dos padres jesuítas. Mas eles não estão
sozinhos. Na verdade, todas as ordens religiosas participaram
de forma significativa, os mercedários, os carmelitas,
os capuchinhos e, principalmente, os franciscanos. Estes,
a partir de Frei Henrique de Coimbra, que celebrou aqui
a primeira missa, em 1500, inauguraram um tipo de educação
que se situava em contraponto àquela dos jesuítas",
explica Boff.
Ao questionar uma espécie de "clichê
historiográfico" que, acriticamente, ao longo
do tempo, vem dando ênfase ao exclusivismo da atividade
missionária/educacional da Companhia de Jesus,
o autor privilegia a ação missionária/educacional
dos franciscanos, presentes, no Brasil, desde 1500. Ao
lado de outras Ordens Religiosas, os franciscanos são
praticamente ignorados. Quais as possíveis explicações
para esse estranho e generalizado silenciamento? Terão
os franciscanos escrito a sua história na areia,
como se costuma pensar?
O autor teve os estudos de Filosofia iniciados em 1986
com os frades franciscanos, na Cidade de Campo Largo (PR),
é mestre e doutor em Educação e atualmente
professor-adjunto da Uerj e coordenador do Curso de Pedagogia
da Universidade Estácio de Sá.
Para ele, uma série de problemas, que vão
desde a exigüidade de fontes documentais às
cristalizações de conceitos equivocados,
construídos ao longo do tempo, ainda hoje persistentes,
foram superados à medida que se procurava fazer
a história da história dos documentos existentes.
Cartas, crônicas, textos apologéticos, copiões,
testemunhos de época, entre tantos outros tipos
de documentação, submetidos à critica
- na perspectiva de que os documentos também têm
a sua história e que não podem ser lidos
sem a ela estarem referenciados -, revelaram as rivalidades,
por vezes acerbas, existentes entre as Ordens Religiosas.
Segundo Boff, mérito importante do autor é
o esforço de atualização do método
franciscano ante a fase planetária da humanidade,
em contraposição ao pensamento único
que empobrece o processo de globalização.
"Agora, a demanda é por respeito à
diversidade, por convivência com as diferenças
e pela vivência concreta do evangelho maior deixado
como herança por Jesus e São Francisco:
a fraternidade universal".