Trindade e Criação
Frei Sinivaldo S. Tavares
Poucas tarefas pressupõem tamanha ousadia como a de discorrer acerca da Trindade Santíssima. E isto por nos encontrarmos diante do mais inefável dos mistérios de nossa fé. Pode até soar demasiadamente irreverente que um jovem teólogo se atreva a fazê-lo. Todavia, como não assumir com gravidade a incumbência de dizer uma palavra acerca daquele que se revelou na trama de nossa vida mediante simbólica tão familiar?
Esta obra parte dos textos da Sagrada Escritura, mediante os quais foram transmitidos os eventos nodais da experiência da fé cristã. Eles nos revelam a singularidade do Deus que irrompe como absoluta alteridade na existência de Jesus de Nazaré, culminada de maneira ímpar na história de sua paixão e morte, cujo sentido se explicitou em sua ressurreição e na fusão do Espírito Santo.
O esforço em fazer com que o discurso trinitário se tornasse relevante caracterizou a vida e a reflexão de inúmeros pastores, catequistas e teólogos que, ao longo dos séculos, procuraram manter o equilíbrio tenso entre as dimensões díspares e paradoxais que compõem este mistério central do cristianismo.
Os quatro capítulos que compõem a última parte da obra se ocupam das incidências do discurso acerca da Trindade Santa sobre nossa concreta vida de fé. Eles encarnam, na verdade, nossa intenção de acolher os grandes desafios do “nosso tempo”como indagações de fundo na elaboração de nosso discurso trinitário. Concebendo-os como autênticos “sinais do tempo”, o autor procura, por um lado, acolher as eventuais interpelações que eles lançam à teologia trinitária e, por outro, buscar, na mais genuína tradição, luz e inspiração para corresponder à gravidade e urgência das questões postas.
Portanto, o leitor é convidado a acompanhar este árduo e fecundo percurso. Trata-se, na verdade, de um percurso único composto de dois movimentos: o da escritura e o da leitura. São movimentos que obedecem a ritmos distintos, embora recíprocos e complementares. E ousaríamos dizer que o percurso do leitor é ainda mais fecundo do que aquele do escritor. Pois, como afirma o escritor italiano Ítalo Calvino, “Quem comanda a narração não é a voz: é o ouvido”.
Sinivaldo Silva Tavares é frade franciscano, doutor em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Antonianum (Roma). É professor no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ) e coordenador do Curso de Pós-Graduação lato-sensu – Espiritualidade, Ecologia e Educação: uma abordagem transdiciplinar. Entre suas recentes obras pela Vozes estão: “Memória e profecia: a Igreja do Vaticano II(org.)” e Jesus: parábola de Deus” – cristologia narrativa, além de estudos em obras coletivas e artigos para revistas especializadas: REB, Grande Sinal, Rhema e Scintilla.
“Trindade e criação”, publicado pela Editora Vozes, 2007, 279 páginas.
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