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Presença de
Maria na missão evangelizadora
Não há dúvida de que Maria
ocupa um lugar muito especial no meio do povo
de Deus. Ela é invocada das mais diferentes
formas. Ela é padroeira de inúmeras
comunidades eclesiais, de congregações
religiosas, de países.
Por toda parte encontram-se santuários
marianos. O nome Maria é um dos mais
comuns no meio do povo. Grandes festas religiosas
são realizadas em sua honra com maciça
participação popular. Aparições
suas são testemunhadas em diferentes
lugares e épocas com grande repercussão
popular e com os mais diversos efeitos.
No contexto da América Latina e dos movimentos
de libertação, Maria é
fonte de mística, de motivação
e inspiração para a conversão
aos pobres, oprimidos e à sua causa.
A referência ao Magnificat é
tão frequente que constitui quase um
ponto de convergência na espiritualidade
que alimenta e sustenta o engajamento no processo
de libertação. Tornou-se o canto
de libertação de toda a injustiça
e opressão, o hino de uma grande esperança
que nos tira da neutralidade para fazer-nos
aliados do Deus de Maria ao lado dos pobres.
Descobre-se também em Maria a figura
que encarna as atitudes fundamentais do cristão:
a alegria pela presença de Deus na
História (Maria nos testemunha e
garante que o Deus de Jesus Cristo é
um Deus encarnado na Humanidade e na História);
a esperança na superação
e mudança da situação injusta
(Maria reza no seu hino que faz parte do plano
salvífico e da açâo de Deus
derrubar os poderosos de seus tronos, deixar
os ricos de mãos vazias, dispersar e
confundir os soberbos e orgulhosos, e elevar
os humildes, encher de bens os pobres e famintos);
a solidariedade com os pobres e oprimidos
(Maria é a humilde serva, a mulher pobre,
através da qual Deus entrou no mundo
dos pobres, partilhou de sua situação
e tornou a pobreza evangélica a via da
salvação; Maria mostra-se solidária
com os noivos nas Bodas de Caná, com
seu Filho Jesus no caminho da Cruz). "O
cristão que olha para Maria não
pode ser cúmplice das injustiças
do mundo, nem ficar apenas na homenagem e nas
orações, mas deve aliar-se com
o Deus dos pobres e comprometer-se com um amor
político em relação a eles,
contribuindo na libertação do
mundo de toda injustiça".
Texto extraído do Caderno de Cristologia
Franciscana, da Escola Superior de Teologia
e Espiritualidade Franciscana. Autor: Frei Nestor
Schwertz.
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