Senhora Santa, Santa Maria

Do amor de Deus e do amor de Cristo, do propósito de o imitar, nasceu também o seu grande amor à Virgem Mãe.

Na capela de Porciúncula convergiam vários motivos de predileção: Cristo presente na Eucaristia, em capela dedicada a Santa Maria dos Anjos, igrejinha pobre e abandonada. Demais para provocar o amor e a dedicação de São Francisco.

"Santa Maria" assim - a Mãe de Deus e a igrejinha - ocupava um lugar especial no coração do Pobrezinho de Assis: aí meditara sua vocação e missão, o seu carisma; ai nascera a Ordem; para aí voltava sempre; aí era o lugar do grande perdão; aí quis morrer; aí queria que fosse o ponto de referência de sua Ordem; recomendou-a de modo especial ao amor e aos cuidados perpétuos dos seus filhos.

Assim se entende que, de tanto amor à Virgem Mãe, entre os seus poucos escritos nos legou duas orações: a "Saudação à Mãe de Deus" e a "Santa Virgem Maria" do Ofício da Paixão.

É significativo que a primeira foi também transmitida como parte do "Elogio das Virtudes", com o título: "Elogio das virtudes que ornavam a Virgem Santíssima e que devem ornar todas as almas santas".

Contemplava as virtudes da Mãe Santíssima e pensava no "seguir suas pegadas" por cavalheirosa dedicação e amor fidelíssimo.

As suas orações se caracterizaram além disto pela costumeira concreção, pelas expressões ao mesmo tempo simples e profundas, chãs ao mesmo tempo que poéticas. Modo típico de São Francisco.

Texto de Frei Constantino Koser, do livro "Nosso Irmão Francisco de Assis", Editora Vozes.