|
Henry Sobel, rabino
Papa João Paulo II é um homem extraordinário. Eu falo com conhecimento
de causa que ele entrará para a História como um líder religioso
singular. Foi e é um pontífice que viaja pelo mundo afora promovendo
não só os interesses da Igreja Católica como também a paz mundial.
Quase todos os lugares que visitou ele fez questão de se encontrar
com outras religiões, inclusive com a comunidade judaica. Nunca
se encontrou tantas vezes com um líder da comunidade judaica.
No mundo dominado pelo triunfalismo ideológico, o Papa João
Paulo II tem a humildade de pedir perdão ao povo judeu e a outros
povos injustiçados pela igreja no passado. Um gesto magnânimo,
pedir perdão. É um líder de um imenso rebanho. Ele que é tão poderoso
é também muito humilde e frágil. Mas espiritualmente muito forte.
A visita a Sinagoga
Foi uma visita sem precedentes, nunca um papa tomou a iniciativa
de estar numa sinagoga por isso eu digo que a visita de 1986 foi
histórica. Partiu dele e foi recebido pelo rabino chefe da sinagoga
de Roma. As declarações dele no altar ele condenou energicamente
as perseguições de anti-semitismo. O papa nascido na Polônia é
um anti-semita e vivenciou na pele as injustiças cometidas não
só com os judeus mas com outras minorias injustiçadas.
Quem poderia sonhar que um Papa falaria do púlpito de uma sinagoga
referindo-se a um judeu como "...nossos irmãos mais velhos..."
um gesto de humildade.
Sem duvida nenhuma essa visita a sinagoga se tornou catalisador
e um incentivo para o dialogo católico/judaico.
A viagem histórica a Israel
Foi um sonho, era o sonho dele. Mas antes o primeiro Papa na
história que reconheceu o estado de Israel a existência política
desde 48 quando foi criado. Nenhum Papa reconheceu Israel esse
sim. Mais uma prova da sensibilidade dele com o povo judeu e certamente
a visita dele também por iniciativa própria. Houve um Papa que
esteve em Israel em 1964 mas para outra coisa quando Jerusalém
era uma cidade dividida e ele não esteve com nenhum líder político.
Naquela época o Vaticano não reconhecia o território como Estado
de Israel.
Dessa vez foi diferente, João Paulo II teve encontros oficiais
com Presidente do País na época, Jaim Weitzman, com o Primeiro
Ministro, Ehud Barak, ele rezou pela paz mundial, ele foi ao Yad
Vashem "museu do Holocausto" em Jerusalém. Ele ficou lá muito
tempo mais que o esperado. A fase do Papa quando saiu do Yad Vashem
um local de homenagem aos seis milhões de Mártires que morreram
no Holocausto era outra. Ele fez uma reza que foi marcante.
Eu acho ele um homem fora de sério. E você sabe tão bem quanto
eu que a política da Igreja é muito complicada. Tenha certeza
absoluta que resistências não faltaram, ir na Sinagoga, reconhecer
o Estado, visitar Israel a ala conservadora reacionária não gostou.
E nem por isso ele desistiu.
Os princípios do Papa João Paulo II
"Irmão do Povo Judeu". Eu não teria nunca a ousadia ousadia
de chamá-lo o "irmão mais jovem" mas ele teve a humildade de nos
chamar de irmãos mais velho!
A relação Católico/Judaico
Por causa desse Papa, a relação melhorou, tudo começou com aquele
Papa maravilhoso, João XXIII, que abriu as portas da Igreja, no
Concílio Vaticano II. Mas quem consolidou foi esse Papa atual.
Eu sempre digo que ele é um homem chave. Se queremos alcançar
a paz no mundo, Bush deve estar agora pensando...eu tenho agora
minhas dúvidas neste novo plano de paz se ele vai funcionar.
Eu acredito se o Papa viver mais alguns anos ele seria o maior
catalisador eu acho que a paz é importante de mais para ficar
exclusivamente nas mãos dos políticos. O relacionamento entre
Árabes e Judeus sempre foi difícil o Papa tem a credibilidade
para ser o mediador de alta confiança de ambos os lados. Eu acho.
Que ele pode aproximar Judeus e Árabes, Judeus e Mulçumanos se
quisermos alcançar a paz não podemos depender exclusivamente dos
lideres políticos. A Igreja, a Mesquita e a Sinagoga tem que abrir
o caminho.
VOLTAR
|