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"Sua luta aberta para sobreviver ao compromisso que abraçou em
1978 deve lembrar a todos que este homem é, antes de mais nada,
um pastor cristão que vai nos desafiar com a mensagem da cruz
- a mensagem da Sexta-Feira Santa e da Páscoa - até o fim", escrevia
o articulista do Washington Post, enquanto o mundo assistia a
agonia de João Paulo II na Semana Santa. No sábado,
dia 2 de abril, o Papa morreu, numa comoção que
ganhou os quatro quantos da Terra.
Neste momento difícil para a Igreja, este Especial mostra
um pouco da história deste Pontificado, que já é o terceiro mais
longo da história: 26 anos e 5 meses.
Durante este período, João Paulo II mudou os rumos da Igreja
no mundo, especialmente o Brasil, que teve o privilégio de receber
o papa em três ocasiões, com destaque para a primeira visita,
que arrastou multidões por onde "João de Deus" passou.
Para se ter uma idéia, este verdadeiro Missionário da Paz realizou
102 viagens internacionais, visitando mais de 130 países, percorrendo
mais de 1.246.003 Kms. Só na Itália fez 143 visitas pastorais
e visitou 301 das 334 paróquias de Roma. Um recorde.
Se no campo da Moral, suas encíclicas e documentos causaram
polêmicas pelas posições firmes, João Paulo II promoveu o diálogo
com outras religiões e foi o primeiro papa a reconhecer o estado
de Israel. "Quem poderia sonhar que um Papa falaria do púlpito
de uma sinagoga, referindo-se a um judeu como "...nossos irmãos
mais velhos...". Um gesto de humildade", escreveu o rabino Henry
Sobel.
No começo de seu Pontificado, João Paulo impressionava as multidões
com o seu carisma, alegria e a impressionante capacidade física
com que se locomovia em vários lugares de suas visitas. Depois
do atentado, em 81, quem pensou que o Papa João Paulo II não seria
o mesmo, enganou-se. A sua fragilidade e o esforço para cumprir
seus compromissos só tornaram ele mais simpático e transparente.
Agora, quando o mundo assiste ao seu drama, quem esperava a renúncia,
comove-se com o seu exemplo.
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