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Décima
Terceira Parte
Frei Vitório Mazzuco
Filho
Essa dimensão é tão importante porque transformar-se em uma pessoa é um caminho. Nós temos de voltar a ser pessoas. PERSONA. São Francisco diz na Regra não-bulada, capítulo 2: "Quando os irmãos vierem ter conosco, mostre o nosso teor de vida".
O texto em latim é tão lindo e diz assim "tenorem vitae". Tenor, os músicos que estão aqui presente, sabem que é melodia principal da pauta. Ele não está falando da forma de vida, gênero de vida, embora se traduza assim, ele está falando do tenor mesmo. Do tenor que canta a melodia principal, o que está vibrando dentro de mim.
PERSONA, PERSONARE. Personalidade é o que está vibrando dentro de você. Vocês lembram o texto de Lucas, tão maravilhoso. Isabel recebe a visita Maria e, quando ela chega a casa à sua casa, fala assim: "Quando a mãe do meu Senhor veio até a mim, o menino vibrou dentro do meu ventre".
Isso é vibração, isso é personalidade. Fazer vibrar o coração do outro e da outra. Quando você chega, o outro se encanta. Isso é despertar. Despertar o humano, despertar o santo, a presença, os valores.
Nós somos melhores quando nós nos ultrapassamos sempre em direção ao outro e à outra. Isso que Francisco quis mostrar para nós na Fraternidade. Nem sempre eu posso te ajudar mas eu posso sempre caminhar ao teu lado. Não é verdade?
A gente não precisa dizer nada. Fique junto. Vocês acham que Maria tinha alguma coisa para dizer aos pés da cruz, quando tiraram o filho daquela madeira e colocaram no colo dela.
Michelangelo criou aquela obra fantástica e deu um nome: Pietá. O quadro da piedade. É simplesmente estar junto e não largar a cruz. Então, é isso que nós temos que despertar em nós. Essa nossa capacidade.
Por isso, esse retiro aqui é para despertar em nós essa beleza da convivência. O nosso caminho passa por esse tapete da acolhida, do encontro, pelo tapete da oração. Isso muda o nosso modo de amar, de olhar a vida. O franciscano e a franciscana não ama por dever, ama por solidariedade, por estar junto. A solidariedade é um valor que hoje está sendo recuperado.
Não vamos dar só presença e serviço. Tem muita gente que está presente, trabalha, trabalha, trabalha, mas sem humanidade. É preciso dar um coração profundamente humano, junto com o serviço, junto com o trabalho, junto com a presença.
Hoje, vocês foram fazer o deserto. Deserto não acontece se não der um passo. Toda a espiritualidade começa por um passo. Essa é a mística de Santiago de Compostela.
Então, tem de se despertar em nós essa capacidade de dar um passo para um caminho orientado. Esse desejo de avançar. É um caminho orientado pelo coração. O mapa é o coração.
Nós temos de despertar em nós que esta é nossa meta. Cuidar mais do coração. Não estou falando para ir apenas no cardiologista apenas. Isto também. Mas vamos cuidar muito do coração. Ele não nos deixa afastar do caminho do amor. Hoje, as pessoas cuidam de tudo, menos do coração. Aí se afastam do caminho do amor. E a cada passo temos de ter o coração orientado. Essa consciência Francisco tinha, porque despertava a beleza da convivência.
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