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Sétima
Parte
Frei Vitório Mazzuco
Filho
Esse é o reencantamento que o mundo tanto precisa. O mundo, hoje, vai criando barreiras de quem tem muito e de quem não tem nada, porque as pessoas perderam o reencantamento de ser oferenda, de dividir. Quando se divide, sobra para todo mundo.
Clara fez a mesma coisa. Vocês se lembram?. Uma menina, de 18 anos, linda, filha da nobreza de Assis, os Ofreducci de Favarone. De repente, por uma inspiração do Evangelho, pelo modelo vivo que era o jovem de Assis, Francisco, ela também descobre a paixão pelo Evangelho.
Por ser uma mulher, necessariamente se apaixona por um homem. Ela se apaixona pelo esposo, pelo espelho. Francisco chama o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo de Senhora Dama Pobreza. Clara chama de esposo e espelho.
Então, reencantar a vida é fazer o que Francisco e Clara nos ensinam. A partir da mística franciscana, dizer: nós ,todos, somos mãe, pai, irmãos e irmãs, esposos e esposas. Francisco diz isso nos seus escritos e Clara também.
Quando que nós somos esposos e esposas? Quando nós participamos do destino do bem-amado e da bem-amada. Isso é esposar-se. Participar do destino.
Essa é a mística nupcial. Ou a espiritualidade nupcial presente no mundo franciscano.
Hoje, reencantar a vida significa, a cada momento, usar a plenitude da minha capacidade de amar. É preciso esposar-se. É preciso voltar à comunhão de vida e destino com todas as coisas. E colocar aquilo que cantamos: "O amor tem de voltar a ser amado".
Temos que aprender com o poeta Ângelus Silésio, autor de um poema que termina assim: "Só o bem-amado, só a bem-amada dá sentido à vida. É melhor viver no inferno com ele, do que no céu sem ele".
Voltar novamente a buscar o bem-amado e a bem-amada. Então, a mística franciscana ensina isso para nós. Esse comprometimento de vida. Francisco queria que nós o chamássemos de mães e pais. O quer é ser pai e mãe? É a fecundidade do esposo e da esposa. Porque quando você comunga, o destino de alguém, necessariamente você se torna fecundo. Isso é o amor.
E Francisco queria que nós fôssemos uma fraternidade de irmãos e irmãs. Que que é o irmão e o que é a irmã? Na vida a dois, naturalmente se escolhe alguém. E você pode gerar a familiaridade que brota dessa comunhão de vida e de alma. Mas você é fecundo quando você gera relacionamentos também, mesmo quando você não possa mais, ou não tenha, ou já teve, vai ter ainda, filhos.
Continuamente quando você entra na fecundidade de uma espiritualidade, você está gerando irmãos e irmãs. Jesus teve filhos? Não. Mas gerou discípulos, discípulas, apóstolos e apóstolas. Gerou um reino de irmãos. Então, irmão e mãe são conseqüência da fecundidade do amor.
Vocês se conheciam? Antes de chegar aqui nunca se viram. Mas se sentiram em casa. Numa grande família: a comunhão dos benfeitores do Pró-Vocações. É exatamente isso. É a fecundidade do espírito. Vocês têm uma causa. É o espírito que trouxe vocês aqui. Então, vocês têm irmãos e irmãs. Nós nos geramos mutuamente.
Reencantar a vida a partir da espiritualidade franciscana é voltar a insistir numa humanidade que precisa demais ter irmãos e irmãs.
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